Há amor, respeito, admiração, tesão, companheirismo, cumplicidade, mas há também ódio, ciúme, rancor, mágoa e, essencialmente, inveja. Nenhum outro sentimento está tão presente e é tão marcante nas relações humanas quanto a inveja. A inveja define a relação na medida em que, por ser tão negada, ela tanto se deixa vislumbrar. Ela aparece em todo momento e de forma muito sutil, nunca claramente assumida ou revelada. É preciso ser versado nas questões do psiquismo humano para melhor enxergá-la. Entretanto, basta aprender a detectá-la, para não mais conseguir ver as relações sem enxergar junto a mal fadada inveja.
A inveja é, antes de mais nada, um atestado que o invejoso dá ao invejado lhe confirmando sua superioridade. O invejoso fala ao invejado, através da crítica vazia e tentadoramente cruel, que este lhe é superior. O invejoso mostra, através de sua inveja, toda sua pobreza, toda sua pequenez, toda sua inferioridade, e mais, toda sua infelicidade. Porque, essencialmente, toda inveja é inveja da felicidade alheia. Suportamos muito mal a felicidade alheia. Nada ameaça tanto o parco equilíbrio emocional do invejoso quanto alguém feliz perto dele.
O invejoso é aquele que está na lama e quer todo mundo com ele, pois não suporta ver o outro fora da lama. Por isso a inveja é querer que o outro não tenha. Diferente de desejar ter algo que eu não tenho, na inveja eu desejo que o outro também não tenha. É a tentativa, frustrada, de apropriar-se da qualidade do outro por meio de sua destruição. Eu não quero crescer com o outro, eu quero que ele não cresça, que ele chafurde na lama, lama onde o invejoso está tão acostumado a viver.
Se meu vizinho compra uma Mercedes, eu, no meu modelo mil, desejo que o carro dele seja uma porcaria, que estrague, que bata, etc e tal. Mais do que ter um carro igual ao dele, eu quero que ele não tenha um carro melhor que o meu, por isso o invejoso critica, dizendo que “o carro é bom, mas é perigoso por causa de assalto, ou está com um arranhão, gasta muito combustível, polui, etc”. Todo argumento serve para tentar, inutilmente, desqualificar o sucesso alheio.
Essas situações são tão, mas tão comuns que nós tentamos nos precaver do olhar gordo dos outros, batendo três vezes na madeira, ou mesmo, precipitando-se e logo dizendo “é bom, mas veio com um arranhão”. Nós mesmos tratamos de diminuir o impacto do valor pessoal diante do invejoso. Mas nada disso funciona, o invejoso inveja sua capacidade de ser feliz, ele espera com fervor te ver na lama, de onde ele não consegue sair.
A inveja é marca dos infelizes, e nada vai tirá-los dessa situação a não ser uma mudança radical na forma de viver a vida, mudança que exige coragem e determinação, coisas que faltam ao invejoso. Portanto, para lidar com a inveja alheia, continue sendo capaz, sendo feliz e lembre-se sempre que a inveja é um problema do invejoso, afinal é ele que está sentindo. Se você está sendo invejado, vanglorie-se, afinal isso é sinal de que mais gente está reconhecendo seu talento.
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