A Guerra no Brasil está declarada

Saques à luz do dia, tiroteios e mortos.


Autor: Marco Antônio Barbosa

16/02/2017 - 11:00

Este não é o cenário da Guerra da Síria e sim do estado do Espírito Santo nos últimos dias. Cabeças cortadas não são atos somente de terroristas do Estado islâmico, mas imagens repetidas nos noticiários durante as rebeliões nos presídios em todo o país.

Extermínios, como em regiões da África, fantasiados de chacinas em Porto Seguro, na Bahia. O que os números já alertavam, agora ganham as ruas das grandes cidades, de norte à sul. A criminalidade declarou guerra contra um Estado falido e está ganhando a batalha.

Segundo os dados do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados no fim do ano passado e que refletem 2015, uma pessoa é morta no Brasil a casa nove minutos. O problema não é tão recente, mas por que somente agora parece que o caos existe?

A criminalidade sem limites sempre ficou as margens da sociedade, escondida em baixo do tapete. Quando se vê os números, não se sente na pele, e consequentemente, não se cobra soluções. Assim como em outros setores, a má gestão do dinheiro público demora em aparecer, mas não deixa de apresentar a conta.

Em casa, se você gasta mais do que recebe ou com as coisas erradas, é possível viver por um período no vermelho ou de cartões de crédito, entretanto uma hora a cobrança chega. Sem investimento em infraestrutura, inteligência e em profissionais, as polícias se enfraquecem e se omitem.

Com isso, o crime organizado ganha espaço e se fortalece. Mas do que uma crise pontual, deve se analisar de forma macro. A ausência do Estado não é somente em segurança, mas em educação, moradia, saneamento básico, oportunidades de emprego.

Tudo isso contribui muito para o cenário atual. Sem chances de um futuro, o crime surge como a única opção para colocar comida na mesa e crescer na vida. Vira um plano de carreira. Não é de hoje e não será resolvido de um dia para o outro.

O exército como forma de conter a violência é somente um paliativo e não pode ser visto como a solução. Para um caso de emergência servem como tampão, mas é necessário rever todas as políticas públicas a fim de frear a criminalidade crescente.

A incompetência do estado e a corrupção intrínseca em todo o sistema precisam ser denunciadas e combatidas incessantemente. O fundo de poço sempre será mais abaixo se não cortamos o mal pela raiz. É importante entender que dos dois lados do ciclo vicioso da violência está a população.

Se não cobra atitude dos governantes, não vigia suas atitudes e não vota de forma correta, no fim é própria que tem de conviver com os problemas e pagar a conta. É preciso ter a noção de que o público é de todos. Temos de zelar pelo nosso bairro, comunidade e cidade como se fosse a nossa casa.

Vivemos por anos fingindo que a violência não é aqui, que guerra só existe no Oriente Médio. Precisamos sair desta cortina de fumaça. A batalha está nas ruas e precisa ser enfrentada por todos. Mudar o canal da sua televisão não vai evitar que a sua casa seja roubada. Ou a população cobra ações efetivas dos governantes, ou seguiremos derrotados. O exército somos nós.

* Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil.




O eleitor não é vaga-lume para aceitar lista fechada

A verdade é que a política nacional está contaminada.


Coaching para profissionais de vendas

Os primeiros processos de compra e venda surgiram logo que os seres humanos começaram a socializar.


O custo da violência no trânsito brasileiro

Um trânsito mais seguro depende de cada um de nós.


A deturpação do conceito de Direitos Humanos

Quando falamos em Direitos Humanos é recorrente a ideia da ampla defesa de presos e criminosos.


Terceirização e desumanização

Sem trabalho, criativo e consciente, o homem não é homem.


Para convencer, é preciso se autoconhecer

Uma das principais características de alguém com ótimo poder de convencimento é o autoconhecimento.


2017/2018: o Biênio da Matemática no Brasil

Os dois maiores eventos mundiais da matemática acontecerão no Brasil e pela primeira vez.


Reflexões e uso da tecnologia ou metodologia

Como a escola está posicionada ou qual nosso papel como educadores no momento?


A leitura como um aprendizado para a vida

Um dos mais importantes temas em educação e em formação humana é a leitura e a formação de leitores.


Passo lento no Congresso

O relógio do Congresso precisa bater num ritmo mais próximo do andamento da economia real.



...


...