15 aos 29 anos: publicação mostra realidade do câncer

INCA e Ministério de Saúde lançam publicação com panorama do câncer em adolescentes e adultos jovens.


Da Redação

10/02/2017 - 16:50

No Dia Mundial do Câncer, 10 de fevereiro, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) e o Ministério da Saúde (MS) lançam a publicação Incidência, mortalidade e morbidade hospitalar por câncer em crianças, adolescentes e adultos jovens no Brasil: Informações dos registros de câncer e do sistema de mortalidade, que traça, pela primeira vez, um panorama do câncer em adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos) no Brasil.

O estudo detalhado de 412 páginas, que servirá como balizador para o planejamento e gestão de ações e políticas públicas, aponta que, no Brasil, no período de 2009 a 2013, ocorreram 17.527 mortes por câncer no grupo de 15 a 29 anos (5% de todos os óbitos no grupo). O câncer foi, no período, a principal causa de morte por doença neste grupo etário e a segunda causa geral atrás apenas de “causas externas” (acidentes e mortes violentas de diferentes tipos).

O trabalho do INCA/MS indica que a taxa média de mortalidade por câncer ajustada de adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos) foi de 67 por 1 milhão, no período de 2009 a 2013. Uma boa notícia da publicação é que essa taxa está estável. De 1979 a 2013, a variação das taxas de mortalidade nesta faixa etária foi de apenas 0,3%, o que, do ponto de vista estatístico, significa estabilidade.

O câncer possui padrões diferenciados nas três faixas etárias: crianças (0 a 14 anos), adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos) e adultos (acima de 30 anos). O estudo indica que os tumores mais frequentes em adolescentes e adultos jovens são os carcinomas (34%), linfomas (12%) e tumores de pele (9%).

Em relação à incidência de câncer, a publicação aponta que a mediana das taxas médias no Brasil entre as pessoas de 15 a 29 anos foi de 236 casos/milhão. A taxa é bem superior à verificada em crianças de 0 a 14 anos de 127/milhão, mas inferior às dos principais tipos de câncer em adultos. O câncer em adolescente e adultos jovens, assim como em crianças, é classificado como “raro”. A maior incidência de câncer em pessoas mais velhas é consequência do maior tempo de exposição a fatores de risco – por exemplo, uma pessoa que fuma durante muitos anos está mais propensa a desenvolver um câncer de pulmão.

“O câncer em crianças, adolescentes e adultos jovens é considerado uma doença rara, mas existe e é a principal causa de morte por doença neste grupo etário. Ele é curável, mas é preciso ter conhecimento de que existe e fazer o diagnóstico”, afirma a médica Beatriz de Camargo, doutora pesquisadora do INCA e uma das autoras do estudo.

“É comum que adolescentes e adultos jovens resistam em procurar atendimento médico. Em geral, eles são independentes dos pais suficientemente para tomarem decisões, mas ainda não têm o amadurecimento para tomar decisões mais sérias, como a de procurar um especialista. É necessário estar atento aos sintomas e sinais do câncer e procurar atenção médica”, acrescenta Beatriz de Camargo.

As localizações mais frequentes dos carcinomas em adolescentes e adultos jovens são no trato geniturinário (taxa de incidência de 24,83/milhão), tireoide (14,18/milhão), mama (12,46/milhão) e cabeça e pescoço (4,57/milhão), aponta o estudo.

Além da detecção precoce, Beatriz de Camargo enfatiza a importância da prevenção. As recomendações para os adolescentes e jovens adultos são as mesmas dos adultos: adotar um estilo de vida que combine atividade física, alimentação saudável e peso corporal adequado e evitar a exposição a fatores de risco como o tabaco, sol em excesso, agrotóxicos etc.

No caso dos tumores no trato geniturinário (o principal é o câncer do colo do útero), o desenvolvimento está diretamente ligado à infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), que é transmitido principalmente pela relação sexual. O Ministério da Saúde promoveu nos últimos anos uma campanha nacional de vacinação contra o vírus, cujos resultados positivos serão colhidos no futuro. No momento atual, a educação sexual dos jovens é a maior aliada na prevenção do câncer do colo do útero, afirma Beatriz de Camargo, que ressalta a importância do uso de preservativos.

Protocolo de Diagnóstico Precoce do Câncer Pediátrico
O Ministério da Saúde lança o primeiro Protocolo de Diagnóstico Precoce do Câncer Pediátrico. A publicação vai auxiliar profissionais da saúde a conduzir casos suspeitos e confirmados dentro de uma linha de cuidado, com definição de fluxos e ações desde a atenção básica até a assistência de alta complexidade.

A partir de agora, profissionais de todos os serviços de saúde terão mais segurança para considerar os achados clínicos com a idade, sexo, associação de sintomas, tempo de evolução e outros dados, para que possam suspeitar corretamente e conduzir o caso ao diagnóstico de maneira rápida e eficaz.

A publicação estará disponível no site do Ministério da Saúde.




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