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Formas mais livres de amar

Formas mais livres de amar

29/04/2022 Léo Rosa de Andrade

A busca de afeição, o preenchimento da carência que nos corrói as emoções, nos lança a uma procura incessante de aproximação com outra pessoa: ânsia esperançosa de completude; algum\a outro\a me vai fazer feliz.

Às vezes há encontros, muitos encontros anunciam futuro desencontrado, muitos desencontrados vão levando a convivência “como dá” para levá-la.

Em estado de natureza o humano procedia de maneira próxima à dos grandes macacos: não havia rituais de acasalamento, juras de amor eterno ou controle.

Quando a cultura preponderou sobre a natureza, contudo, as coisas tornaram-se complexas. A cultura é uma força formatadora de quem vive em processos civilizatórios. Não há sociedade sem cultura e não há indivíduo infenso à conformação social.

Cultura, em definição de dicionário, é o “conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social” (Houaiss).

O legado cultural que nos alcançou é conhecido como Tradição Ocidental, ainda que essa não seja a única herança a nos determinar a cultura.

O espólio de costumes, com suas muitas transformações, mas com sua “marca”, nos delineia o existir, incluindo as formas de estabelecer relações amorosas.

Na selva, o macho disputava a fêmea, e se relacionava com quantas pudesse. Quanto às fêmeas, a interpretação de que elas tinham um papel passivo é vencida.

Ainda que vivessem sob a proteção de um macho específico, as fêmeas costumavam escolher o macho mais adequado para copular.

Machos queriam maior número de fêmeas, para espalhar genes; já as fêmeas buscavam o melhor gene, razão pela qual escolhiam o melhor macho.

Daí, talvez, venha o tanto de diferença no comportamento sexual que, sempre menos acentuado, existente entre homens e mulheres. Digo talvez por que há bons argumentos recusando determinação genética no comportamento sexual.

Contudo, seja por hereditariedade, seja por construção social, o que importa dizer é que, desde que apareceram rudimentos de cultura, os homens vêm inventando formas de controle das mulheres, o mais sofisticado sendo o casamento monogâmico, o qual permite controlar a mulher e a sua reprodução. A esse domínio muitos chamam de amor.

Dentro da Tradição Ocidental, a convivência entre os sexos recebeu marcante influência semita-judaica-cristã-católica: uma divindade teria tirado do homem uma costela, dela fazendo osso e carne, ao que deu o nome de mulher.

O amor seria a reunião da carne do homem com a sua própria carne, a mulher. Eis a narrativa bíblica. Nessa Tradição, o homem tomava a mulher, dormia com ela e a relação dava-se por consumada.

Essa fabulação machista sustentou o machismo por séculos. Pelos tempos, isso veio sendo enfeitado, acrescido de um cerimonial. O tomar a mulher foi convertido em casamento.

Não se sabe bem, mas, parece, da tradição romana vieram as vestimentas; o arroz, dos hábitos chineses, que associavam o grão à prosperidade; as damas de companhia, também da China, escolhidas “feias” para destacarem a prometida no dia em que fosse apresentada; a aliança seria um símbolo egípcio de vínculo eterno, postado no dedo que entendiam ter vínculo direto com o coração; o noivado tem só três séculos, estabelecido como tempo de espera e reflexão por um papa; o buquê é de origem grega, com fins de afastar azares; a comilança é influência anglo-saxônica; a lua de mel, numa versão, viria do costume de o homem levar a mulher para um local escondido, lá permanecendo com ela por uma fase da lua, noutra versão, seria uma medida de precaução: muitas mulheres, casadas por arranjos, fugiam na hora da consumação do matrimônio, então, estando longe, não podiam escapar; o traje vermelho era usado na Europa, até que uma rainha casou-se de branco e fez moda; o véu seria a sequência estilizada da burca; a música, coisa de nobres, depois, de ricos, por fim, geral.

É verdade que sempre menos gente está disposta a esses ritos. Muitas mulheres e homens, contudo, ainda gostam dessas coisas; mais as mulheres, equivocadamente, dão-se a rituais de entrega.

O “sou tua” ainda é mais ofertado do que o “sou teu”. Depois, claro, dado que os tempos mudaram e as mulheres conquistaram condições para tanto, ninguém é de ninguém.

Todavia, dentre os hábitos que permanecem valorados, está a monogamia, embora o “instituto” da fidelidade sofra manifestos reveses.

Elizabeth Pinheiro mostra que as mulheres alcançam os homens em busca de vida afetiva paralela. Isso diz que as coisas se democratizaram, e o que era prática corrente dos homens tornou-se igualmente “direito” das mulheres.

Não obstante vivermos uma onda conservadora, com fervores religiosos regressando à moda, mais pessoas estão menos submetidas a promessas rituais vazias de fidelidade eterna. Vivem-se mais as emoções do prazer e menos as declarações frívolas da tradição machista.

Então, se assim está e se assim é melhor de ser, por que conservar a hipocrisia? Por que não abrir os relacionamentos e procurar formas mais livres de viver a relação de amor?

* Léo Rosa de Andrade é escritor, professor, psicanalista e jornalista.

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