Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Gordofobia et alia

Gordofobia et alia

08/12/2021 Daniel Medeiros

“Você está gordo", é-me comum ouvir sempre que encontro algum conhecido.

Gordofobia et alia

E sempre sinto-me obrigado a explicar que, na verdade, não estou gordo. Sou um homem gordo. É uma grande dificuldade convencer as pessoas desse fato prosaico de que minha condição de homem gordo não é contingente, mas o resultado de genética e estilo de vida. Mais curioso é que, dito isso, todos querem me consolar por eu ser um homem gordo e, ao mesmo tempo, incentivar-me a emagrecer, como se meu destino exigisse isso e que falta apenas determinação da minha parte para realizá-lo. Não adianta explicar a eles que meus pais são gordos, que eu gosto muito de comer e que detesto fazer exercícios, exceto caminhar, o que não é suficiente para manter um corpo atlético e esguio. Também é inútil informar que sempre me vi como sou e que meu sobrepeso nunca foi um fator impeditivo de nada na minha vida, nem do trabalho, nem do amor, nem das exigências do corre-corre cotidiano. Mais difícil ainda é convencê-los de que não sou uma pessoa doente e que mantenho os exames de sangue em dia - o que gera até mesmo certa frustração quando mostro os papéis com as indicações de que tudo vai bem com a minha saúde. Como sou uma pessoa minimamente inteligente e informada, não exagero em nada e evito o que me faz mal. Só não vivo com a fissura da magreza como quem busca um visto para o passaporte da normalidade. "Sou normal à minha maneira", concedo aos renitentes, para acalmá-los, e eles então riem amarelo, aceitando minha afirmação com olhares de compaixão.

Minha vivência de homem gordo, e de todos esses embates com os que querem “me ajudar”, instruem-me em relação ao drama dos que sofrem preconceitos por suas singularidades: os tímidos, os baixinhos, os carecas, os que possuem alguma limitação física ou intelectual, os homossexuais, os idosos, os que têm alguma mancha na pele, os que têm lábio leporino, os negros, os albinos, os que têm pés tortos, os que têm um dedo a mais, ou a menos, os gagos, os que tremem, os que suam em demasia, os que têm caspa ou espinhas, enfim, toda a infinita gama de pessoas comuns que não preenchem os requisitos do perfil do Instagram, a despeito da compreensão que tenho da infinita diferença entre essas diferenças. Uso a palavra "drama", mas com um quê de picaresco, pois que nunca compreendo por que atribuímos aos que nos olham torto esse poder de julgamento que não possuem. Daí o certo ridículo da situação de nos incomodarmos e até, em alguns casos, sofrermos com essas sentenças declaratórias de nossas supostas inconformidades. Ora, quando o moço ou moça magrinhos, sarados, olham minhas cheiuras com ares de juízes da inquisição,  cabe só a mim lembrar que nem católico sou, e que o inferno para o qual eles acreditam poder me enviar porque não sigo suas homilias nunca existiu no meu ideário de vida boa. 

A propósito, devo destacar que o sentimento contrário não é verdadeiro. Eu nada tenho contra os que gozam da ilusão de sua perfeição. De alguma maneira, como orquídeas, eles enfeitam a paisagem e dão um ar de harmonia platônica ao ambiente. Como me opor? Em absoluto. Minha versão Fernando Botero compõe muito bem o cenário Bauhaus dos perfeitinhos, enriquecendo e colorindo o campo de visão dos passantes. Não há do que reclamar. O que me ocorre diante do preconceito é que faltou, tanto na educação familiar quanto no ensino escolar, uma formação para a diferença, estabelecendo-a como constitutiva das pessoas e não como uma exceção. Se todos fossemos iguais, não haveria qualquer chance de desenvolvimento humano. Se todos fossemos diferentes, não conseguiríamos jamais nos relacionar. É exatamente porque somos todos iguais e exatamente porque somos todos diferentes que conseguimos compor milhares, milhões de combinações possíveis. E é daí que vem tudo de bom. E, é lógico, tudo de ruim também. Escolher o que valorizar, o que destacar, o que dar importância e prosseguimento é uma de nossas tarefas sociais mais importantes e urgentes. Da minha parte, não resta dúvida: o que eu sou, como eu sou, por que eu sou como sou, é o fruto da minha vontade e do meu melhor juízo. Se eu não firo, não humilho e não ameaço ninguém, então, ninguém tem nada a ver com isso. Cada um com cada qual. Mazal tov.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.

Para mais informações sobre Obesidade Masculina clique aqui...

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Fonte: Central Press



A sua criança tem TOD ou é apenas birra?

A maioria de nós acha que entende o comportamento humano, até que o filho entra nas nossas vidas.

A sua criança tem TOD ou é apenas birra?

7 dicas para fazer um detox e diminuir sua ansiedade

Essas são estratégias simples que podem ser adotadas por qualquer pessoa, mas não substituem a avaliação médica.

7 dicas para fazer um detox e diminuir sua ansiedade

Quando a mente está em paz, o corpo acompanha

Desde o isolamento social devido à pandemia do novo Coronavírus, é grande o número de pessoas que procuram formas de passar o tempo e manter a saúde física e mental em dia.

Quando a mente está em paz, o corpo acompanha

Férias: hora de se divertir

Se tem um tempo que é muito esperado pelas crianças, esse tempo é o das férias.

Férias: hora de se divertir

A pandemia nos fez mais solidários?

Crises costumam ser impulsionadoras da solidariedade.

A pandemia nos fez mais solidários?

Conheça algumas dicas para o cultivo de orquídeas

Flores são capazes de sobreviver por vários anos a partir de cuidados no plantio, adubação e irrigação.

Conheça algumas dicas para o cultivo de orquídeas

Três passos para trazer paz à sua rotina

Podemos viver a vida com mais paz tendo o autoconhecimento. Confira!

Três passos para trazer paz à sua rotina

Férias, pausa e renovação: como aproveitar?

O ano de 2021 trouxe, para grande parte das pessoas, um sentimento de esgotamento maior do que em anos anteriores.

Férias, pausa e renovação: como aproveitar?

Pilates ajuda no combate dos problemas musculoesqueléticos da menopausa

Doenças que afetam o sistema musculoesquelético se tornaram um assunto de saúde pública.

Pilates ajuda no combate dos problemas musculoesqueléticos da menopausa

Não permita que as metas estabelecidas para o novo ano se transformem em frustrações

A definição de propósitos e a busca por conquistar objetivos, são ações benéficas que contribuem para o aumento da autoestima.

Não permita que as metas estabelecidas para o novo ano se transformem em frustrações

Fica com Deus 2021, seja bem-vindo 2022!

Sim, precisamos ter a coragem e o desapego necessários para dizer: “fica com Deus 2021” e seja bem-vindo 2022!

Fica com Deus 2021, seja bem-vindo 2022!

Seis atividades para estimular a coordenação motora das crianças nas férias

Para muitos pais, principalmente para àqueles que não podem viajar, entreter as crianças durante as férias escolares pode ser um verdadeiro desafio.

Seis atividades para estimular a coordenação motora das crianças nas férias