Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Insegurança e espiritualidade

Insegurança e espiritualidade

12/06/2024 Marco Antonio Spinelli

O Nosso Cérebro é uma máquina de detectar padrões. Nosso senso de orientação depende disso.

Insegurança e espiritualidade

Isso pode ser percebido na hora que acordamos em uma cama ou local diferente do habitual: a primeira reação pode ser a de pânico, de onde estou? 

Imediatamente, começamos a reconstituir a memória do dia anterior, para descobrir onde estamos na hora de acordar. Uma comédia famosa: “Se Beber, não Case”, é exatamente sobre isso, com amigos que acordam de uma bebedeira na despedida de solteiro de um deles; um está sem o dente, outro com uma tatuagem desconhecida e tem um tigre na sala. Eles investigam o que aconteceu e onde está o noivo, de preferência, antes do casamento.

Como uma máquina que detecta padrões, nossa rotina, nosso dia a dia, servem como orientação e apaziguamento de uma sensação que está no fundo de nossas experiências, que é a insegurança. Somos e devemos ser inseguros porque nosso Cérebro é programado pela natureza para preservar a vida e passar adiante nossos genes. Insegurança é o que permite um escaneamento do ambiente para evitar ser atacado. E achar comida. Se der para arrumar um namoro, melhor ainda. Um autor muito importante, John Bowlby, descreveu padrões de vínculo que já se manifestam na vida dos bebês. Para não estender o tema, digamos que os vínculos seguem dois padrões: crianças com vínculos Inseguros e Seguros. Eu diria vínculos (mal traduzidos para o Português como Apegos em décadas passadas) Inseguros e Menos Inseguros. Porque a Insegurança nos constitui e está em nosso DNA. Mas o Cérebro que cresce em ambiente mais enriquecido, afetivo e com regras definidas tende a ter uma relação mais segura com o mundo exterior. Isso não depende só do ambiente, mas da base genética também. O fato é que, quanto maior a sensação de insegurança, maior a dificuldade em se lidar com a vida, que é sempre mutável.

Lisa Miller, psicóloga e neurocientista de Yale, grita em todas as direções que a perda do senso de espiritualidade, ou mesmo onde falar de espiritualidade, no ambiente acadêmico ou leigo, imediatamente levanta a ideia que você é um carola ou fundamentalista, como um aiatolá disfarçado de cientista. Ela vai mais longe a fala que o banimento da ideia da espiritualidade no debate público vem aumentando nas pessoas a sensação de isolamento e de falta de sentido. Eu anoto, nos meus prontuários, que eu espero que só eu leia, alguns casos em que o paciente sofre de uma Patologia de Sentido, em que a sensação de falta de caminho, de descolamento do mundo e de falta de algo que dê sentido, está muito vinculado a uma evolução pior da sua doença, seja um quadro ansioso, seja uma depressão, seja a perda de um ente querido. A sensação de desconexão está na base do que se chama hoje de “Doenças do Desespero”, como Depressão, Dependência Química e mesmo Suicídio.

Somos bombardeados pela necessidade permanente de Aquisição, e essa pode ser a maior doença do Capitalismo, que é a Ânsia de Aquisição. Em artigo anterior, sobre José Datrino, o Profeta Gentileza, mencionei a história desse homem, de origem muito simples, que ouviu um chamado espiritual nos anos sessenta e dedicou a sua vida a pregar a necessidade de amor e de gentileza nas ruas, nas praças. Numa entrevista, ele mencionou que ninguém mais amava ninguém, só queriam tirar vantagem e usar uns aos outros. Ganhou muito escárnio e algumas internações psiquiátricas, quando alguém achou que suas “vozes espirituais” era uma Psicose. O que ele descreveu, entretanto, é uma doença coletiva, de tentar ter mais, ganhar mais. Essa doença foi piorada pelas redes sociais, em que o que vale é a foto, não a vivência. E, nas fotos, se eu postar um prato bacana, um carrão ou uma viagem exótica, então isso significa que minha vida é válida, e que eu estou na frente na corrida da aquisição.

Lisa Miller tem razão, ao meu ver, quando associa essa epidemia coletiva de medo, insegurança e mesmo de desespero à perda dessa sensação coletiva de pertencer e ser protegido por um grupo e um sistema de valores que nos proteja do egoísmo e isolamento digital em que vivemos.

Carl Jung, psiquiatra suíço e fundador da Psicologia Analítica, descreveu o Inconsciente Coletivo, uma camada do Inconsciente à qual todos pertencemos. Essa sensação de fazer parte da comunidade coletiva que dá uma sensação de pertencer. E uma sensação de regularidade do mundo. E de vínculo seguro. Estamos todos conectados nele, e não sabemos.

Nossa crise de significado está afetando as pessoas e suas transições na vida. Muitas vezes, com consequências desastrosas. Precisamos tirar a espiritualidade do Index de assuntos proibidos. Para ajudar o planeta e as pessoas que nele habitam.

* Marco Antonio Spinelli é médico, com mestrado em psiquiatria pela Universidade São Paulo, psicoterapeuta de orientação junguiana e autor do livro “Stress - o coelho de Alice tem sempre muita pressa”. 

Para mais informações sobre espiritualidade clique aqui...

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Todos os nossos textos são publicados também no X

Quem somos

Fonte: Vervi Assessoria



A arrogância é exterminadora do sucesso

Apresento essa pesquisa para destacar que o começo de um “tombo empresarial” é a arrogância que nasce do sucesso.

Autor: Yuri Trafane

A arrogância é exterminadora do sucesso

São Cristóvão: padroeiro dos viajantes

O dia de São Cristóvão, em 25 de julho, é ocasião de pedir sua intercessão sobretudo nas viagens empreendidas.

Autor: Padre Alex Nogueira

São Cristóvão: padroeiro dos viajantes

6 devocionais para começar bem o dia

Confira uma seleção de obras que vão nutrir a alma e proporcionar momentos de reflexão.

Autor: Divulgação

6 devocionais para começar bem o dia

A importância dos passeios em família

Tem sido desafiador nos tempos atuais encontrar um tempo de qualidade para fazermos aquilo que nos traz bem-estar.

Autor: Aline Tayná de Carvalho Barbosa

A importância dos passeios em família

A nossa vida: estamos no controle?

"Eu deveria estar morto." Assim se pronunciou Donald Trump momentos após ter sido alvo de um disparo que lhe atingiu e quase interrompeu a sua vida.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


A importância da audição para o desenvolvimento infantil

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5% da população brasileira sofre com algum tipo de deficiência auditiva.

Autor: Luciana Brites

A importância da audição para o desenvolvimento infantil

Colégio Santo Agostinho arrecada mais de 20 mil kits escolares para crianças do RS

Doações serão enviadas para crianças e adolescentes vítimas das enchentes que atingiram o Sul do país.

Autor: Divulgação

Colégio Santo Agostinho arrecada mais de 20 mil kits escolares para crianças do RS

Atitudes para gerir adequadamente as emoções

Emoções são a base de todos os relacionamentos e a forma como lidamos com elas define o quão longe iremos em nossos objetivos.

Autor: Janguiê Diniz


Sonhos, desafios e a busca por leveza: reflexões sobre a vida após os 70

O que significa aproveitar a vida? Esta é uma pergunta que muitos de nós já nos fizemos em algum momento.

Autor: Suely Tonarque

Sonhos, desafios e a busca por leveza: reflexões sobre a vida após os 70

Como enfrentar de modo eficaz as adversidades

Viver não é uma jornada tranquila e sem contratempos, não é como descansar em um lago de água morna, onde você pode deitar e relaxar.

Autor: Janguiê Diniz

Como enfrentar de modo eficaz as adversidades

Por que temos de sofrer as consequências do pecado de Adão e Eva?

Observando nossa história pessoal, não é difícil perceber que a cada escolha que fazemos nos tornamos responsáveis por suas implicações.

Autor: Padre Demétrio Gomes


Caridade: remédio contra o pecado

O amor a Deus que cultivamos em nossos corações são indicativos do espaço que damos para sua graça agir.

Autor: Padre Alex Nogueira

Caridade: remédio contra o pecado