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Máscaras, mas mesmo depois da vacina?

Máscaras, mas mesmo depois da vacina?

04/02/2021 Marcelo Boeger

Queremos a busca de uma resposta simplista para um problema complexo.

Máscaras, mas mesmo depois da vacina?

Quando ouço alguém que está dentro de um elevador de algum condomínio residencial dizer gentilmente para quem está do lado de fora: “Pode entrar, sem frescuras, eu não tenho COVID”. Apesar da gentileza, a pessoa não está considerando que o risco existe para os dois lados. Sim, mas e se eu que estou entrando no elevador estiver doente? E seu eu estiver indo justamente ao hospital me internar ou fazer o exame naquele momento? Posso entrar mesmo assim? E se nós somos assintomáticos? Então tudo bem? Vale a pena correr este risco com os números crescentes que acompanhamos diariamente? Claro que não! Mas seguramente ouviremos a partir de agora: “Estou vacinado, posso “aglomerar” não preciso mais de distanciamento, nem usar máscaras e nem higienizar as mãos ou usar álcool 70”. Um pensamento perigoso e equivocado. Queremos a busca de uma resposta simplista para um problema complexo. Quero a mudança, mas não quero ser mudado.

Sabemos ainda muito pouco sobre a doença, suas variantes, sobre a imunização daqueles que já tiveram COVID, seus efeitos a longo prazo e até mesmo sobre os resultados da vacina até a data em que realmente se alcance o tal do efeito “rebanho”. Trabalho para hospitais há mais de 20 anos apoiando equipes operacionais. E sempre que temos um paciente em “precaução de contato” ou mesmo muito debilitado, toda equipe que tem contato com ele, utiliza máscaras e toda precaução conforme o tipo de isolamento ou aquilo que chamamos de IRAS - infecções relacionadas à assistência à saúde. É um protocolo importante para preservar a equipe e ao paciente e os seus familiares. Em muitos casos não utilizamos somente para “nos proteger do paciente”, mas para proteger um paciente com uma saúde frágil, da nossa presença no mesmo ambiente. Seja para a realização de algum procedimento técnico, mas mesmo para limpar o quarto, levar a bandeja de alimentos ou realizar uma manutenção no quarto. E esse mesmo pensamento do convívio e da coexistência atual – regras de etiqueta sanitária dentro e fora do hospital: todos protegendo todos.

No mundo de hoje, temos que assumir que todos são potenciais transmissores da COVID-19. E, desta forma, devemos utilizar a máscara, para nós e pelos outros. No caso da COVID, como a transmissão pode ser feita por meio de fluidos, gotículas e contato com superfícies contaminadas, as pessoas precisam se conscientizar que o EPI é uma importante forma de reduzir os riscos para si para também para sua própria família e para as pessoas a sua volta. Chegou a hora de uma importante mudança de modelo mental sobre segurança e saúde: Gerar segurança para outros é uma consequência de estar seguro. Temos que perceber que quando não me protejo não estou apenas me expondo, mas expondo a todos que me cercam.Infelizmente a ideia no senso comum que ainda prevalece é a de que o uso destes EPIs existe somente para proteger ao próprio usuário. Não podemos esquecer que nossos hábitos afetam também a todos os outros a nossa volta. Você iria pular de um avião sem um paraquedas? Para realmente retomar as atividades de trabalho e lazer de forma segura, o modelo mental deve privilegiar também o cuidado com os "outros"– e isso vale para a para a máscara, para a lavagem das mãos, o uso do álcool gel incluindo até mesmo os “já vacinados” até voltarmos ao status de um ambiente seguro.

* Adm. Marcelo Boeger - Vice-Presidente da AMTSBE (Associação Mundial de Turismo de Saúde e Bem-Estar). Atua como sócio consultor da Hospitallidade Consultoria. Autor de diversos livros, entre eles, coautor da obra recém lançada “Towards a Better World - Tourism, Pandemics, Climate Emergency and Human Rights” Globedit, 2021.

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Fonte: Denadai Comunicação




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