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“Mulher-Maravilha quebra estereótipos e me faz pensar”

“Mulher-Maravilha quebra estereótipos e me faz pensar”

20/07/2017 Ingrid Peschke

O filme me trouxe à mente a frase: “...a mulher avança para lutar com Golias”.

“Mulher-Maravilha quebra estereótipos e me faz pensar”

Quando eu tinha sete anos, minha mãe se vestiu de Mulher-Maravilha para um baile à fantasia. Uma foto dela tirada naquela noite ficou colada na geladeira da nossa família durante anos. Lá estava ela em sua melhor pose de super-herói feminino com botas até os joelhos, as mãos colocadas confiantemente na cintura sobre o short cravejado de estrelas, com uma faixa dourada na testa e braceletes nos punhos.

Essa imagem servia para mim como um lembrete simbólico de que, com fantasia ou não, eu poderia enfrentar a adversidade e a limitação com domínio e força, confiança e graça, exatamente como mamãe fez em sua vida.

Também cresci assistindo à icônica Linda Carter na versão para a televisão do personagem da história em quadrinhos, portanto, é claro que eu tinha um ingresso para a noite de abertura do recente filme de sucesso, Mulher-Maravilha. Finalmente, um filme de ação que conseguiu provar ao público que um super-herói feminino é perfeitamente capaz de vencer o mal sem depender de músculos e violência.

O filme explora as origens da Mulher-Maravilha como Diana, princesa das Amazonas, que é tanto uma guerreira experiente, treinada unicamente por sua tribo só de mulheres, como também uma mulher compassiva, espirituosa e inteligente, que sabe falar inúmeros idiomas. A diretora do filme, Patty Jenkins, destaca a importância do amor e da bondade, e traz contexto e cordialidade ao personagem da Mulher-Maravilha, interpretado de maneira convincente pela atriz israelense Gal Gadot.

Saí do cinema ponderando algumas verdades espirituais, como sempre o faço, incluindo as qualidades com as quais as mulheres podem contribuir para enfrentar a adversidade no mundo de hoje. As mulheres que ocupam cargos importantes no governo, nos negócios, no mundo artístico e na vida religiosa, bem como aquelas que fazem grandes sacrifícios para criar suas famílias, têm oportunidades únicas de trazer paz e soluções a situações que, de outra forma, seriam difíceis de ser resolvidas.

O filme me trouxe à mente a frase: “...a mulher avança para lutar com Golias”, proveniente do livro, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, o qual tem me ajudado a superar as minhas próprias batalhas ao longo dos anos. A autora, Mary Baker Eddy, enfrentou a adversidade real em sua própria vida, incluindo doença, pobreza, uma quase morte, viuvez e o afastamento de seu único filho, antes de se tornar a fundadora de um movimento religioso cristão mundial. Mesmo assim, os obstáculos continuaram a aparecer, em uma época em que as mulheres dificilmente tinham voz própria e, muito menos, um lugar no púlpito.

A “arma” que Eddy escolheu? A oração e um comprometimento profundo para com os ensinamentos da Bíblia, especialmente a instrução de Jesus para que seus seguidores curassem. O Golias que ela enfrentou parecia dizer com sarcasmo: “Como você ousa ensinar que Deus é Tudo-em-tudo e que a doença pode ser curada somente pela oração? Como você ousa sugerir que as obras de cura de Jesus podem ser repetidas hoje?” Contudo, ela persistiu e obteve êxito em estabelecer uma religião que aborda esses dois pontos e continua a existir por meio da prática e das curas individuais daqueles que estudam a Ciência Cristã nos dias de hoje.

Os Golias modernos são motivo de grande preocupação para as mulheres, os quais incluem a luta pela igualdade de remuneração e de oportunidades no local de trabalho, pela equidade na representação em cargos públicos e pela discriminação com relação às doenças consideradas específicas das mulheres. A história mostra que as mulheres têm sido em grande parte sub-representadas com relação ao seu impacto no mundo e às grandes reformas que trouxeram à sociedade. Eddy foi uma dessas mulheres e muitas vezes enfrentou o ceticismo com relação ao lugar que ela ocupa no cristianismo.

Em resposta à pergunta: “Devem os cristãos acautelar-se contra a Ciência Cristã?” sua resposta incluiu o direito inalienável das mulheres de contribuir, nos “mais altos postos”. Ela disse: “Na lei natural e na religião, é inalienável o direito da mulher de atingir o mais alto grau de compreensão esclarecida e de ocupar os mais altos postos no governo, e esses direitos são habilmente defendidos pelos mais nobres representantes dos dois sexos. Chegou a hora da mulher, com toda a sua doçura e suavidade, e reformas morais e religiosas”.

Essas convicções foram uma inspiração para mim durante uma reunião que tive com um senador e três outras pessoas que trouxera comigo, todas elas mulheres, membros da minha igreja. O senador expressou seu espanto por estar se encontrando com uma delegação religiosa, formada apenas por mulheres, pela primeira vez em seu mandato político. Ele ficou impressionado pelo fato de nossa igreja reconhecer tanto a preparação espiritual como a capacidade de liderança em uma pessoa, em vez de dar tratamento preferencial ou hierárquico para os homens.

Claro que, no final da reunião, eu sabia que o importante eram as ideias que cada uma de nós trouxera para o debate, as quais tinham pouco a ver com o gênero e muito a ver com as qualidades vitais que tanto as mulheres como os homens são capazes de expressar, tais como: humildade, caridade, respeito, abertura mental, como jogadores de uma equipe. Essas qualidades influenciam o bem maior quando as trazemos para nossos debates em mesas de reunião, em reuniões comunitárias e, naturalmente, na maneira como conduzimos nossa vida pessoal.

“O reformador deve ser um herói em todos os pontos”, observou Eddy em uma mensagem que escreveu para sua igreja em 1900, “e deve conquistar a si mesmo antes que possa conquistar os outros”. Começamos a conquistar a nós mesmos quando nos identificamos com as abundantes qualidades espirituais que possuímos, em vez de nos identificarmos com os rótulos limitados de gênero que a sociedade nos atribui. Essa visão espiritualmente inspirada sobre nós mesmos nos capacita a começar a enfrentar e a vencer os Golias em nossa vida e, talvez, a sermos a nossa própria versão da Mulher-Maravilha.

Como Comité de Publicação e praticista da Ciência Cristã em Massachusetts, EUA, Ingrid Peschke escreve sobre espiritualidade e saúde. Contato: Brasil@compub.org

Artigo publicado originalmente em Huffington Post, @HuffPost 



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