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Por que os benzimentos ficam marcados na memória?

Por que os benzimentos ficam marcados na memória?

22/01/2021 Jacqueline Naylah

“Na minha infância eu tive tal doença e fui benzida uma, duas, três vezes e depois nunca mais. A doença sumiu.”

Por que os benzimentos ficam marcados na memória?

São assim os diversos relatos da minha trajetória através dos saberes ancestrais. O ritual do benzimento envolve alguns passos e, apesar do benzimento ter diferente dependendo da região e cultura, existe um certo “padrão” na prática de benzer.

A maioria das benzedeiras fazem uma sequência de quatro passos: um rezo (podendo também ser um mantra, ponto ou cântico), um gesto (na maioria das vezes o sinal da cruz), um número (utilizado para repetir o número de rezos, a quantidade de vezes de imposição do gesto ou a sequência de dias que a pessoa era benzida) e, para concluir, o quarto passo era o manuseio de uma ferramenta de acordo com o problema da pessoa a ser benzida. Dentre as ferramentas estão: ramos de ervas, brasa, algodão, tecido, tesoura, botão, entre outros.

Imagine você, ainda criança e sentindo algum incomodo ou dor, sendo benzido com tanto amor e carinho por alguma benzedeira? Imagine você – lá no passado – ouvindo o cochichar dos rezos nos ouvidos, observando com muita atenção aquela casa com cheirinho de brasa e ervas, aquela voz doce e ao mesmo tempo firme e confiante? Naquele momento o que você mais desejava era alguém para levar para bem longe o seu desconforto. Então, você entregava, confiava…via ali naquele cenário um mundo mágico! Sua mente captou toda essa essência e determinou que todo esse passo a passo era uma jornada de cura.

Por isso você foi uma vez, duas vezes, três vezes e depois nunca mais! A sua mente desde então já sabe o caminho. Antes mesmo do corpo manifestar a doença, a mente recorda do passo a passo da “jornada da cura”, o seu inconsciente e subconsciente buscam as informações e sabem exatamente o que fazer. E é também por isso que cada benzedeira ou benzedor fazem essa sequência de quatro passos, pois nossa mente precisava criar uma rotina. É a pura sabedoria dos ancestrais.

“Tá, Jacqueline, mas e as doenças que voltaram a aparecer na minha vida adulta?” Passar pela arte do benzimento não isenta ninguém de um episódio de fragilidade do corpo físico, de momentos de dores da alma. Somos todos espíritos eternos habitando carcaças físicas que precisam do nosso cuidado, zelo e proteção.

Quando uma doença se manifesta tente perceber o que esta doença está tentando alertar, o que seu corpo está dizendo? Na maioria das vezes uma dorzinha ou um incômodo se aproximam para dizer que estamos precisando dar mais atenção a nós mesmos…as vezes precisamos de um tempo para cuidar da saúde, senão em breve teremos que arranjar tempo para amparar uma doença. Deus está nos detalhes, sempre nos avisando através de uma dorzinha aqui ou ali.

Por isso todo meu amor em manter viva a memória e arte do benzimento, pois toda essa magia ainda tem o poder de curar a cada um de nós. Quem já foi benzido (nessa ou em outras vidas) ainda guarda na alma o rito de quatro passos e ainda pode acessar a cura sempre que um lampejo de lembrança tiver a força de abrir um largo sorriso no rosto, marejar os olhos de emoção, acalentar a alma como um abraço de vó!

Em cada um dos meus livros, das palestras, dos cursos em que eu reacendo um desses cenários, recebo como retorno alguém que relata: “Jacqueline, que emoção, lembrei da minha vó”, “Naylah, senti como se estivesse passando por um benzimento nesse exato momento, voltei ao passado”, “Ahhh, estou muito feliz, consigo sentir um aroma de arruda”.

Não são apenas lindas recordações – que já seriam incríveis –  mas essas recordações chegam portando chaves que destravam inúmeros cadeados para acessar cura e transformação. É como se aquela benzedeira que lhe benzeu lá no passado estivesse em uma caixinha dentro de você e então ocorre ali – no livro, na palestra, no curso – um reencontro, um forte abraço, um acalento.

Vivam as benzedeiras, eternas em nós!

Jacqueline Naylah é bióloga, biopatologista, terapeuta e escritora. Aliou seus conhecimentos acadêmicos ao holismo, trabalhando com vivências, cursos e palestras observando o ser humano em sua totalidade. Escritora as obras Eu te benzo e Diário de uma Benzedeira.   

Fonte: LC Agência Comunicação



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