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Solidão como fuga das responsabilidades

Solidão como fuga das responsabilidades

01/04/2016 Flávio Melo Ribeiro

Espero que esse texto possa ajudar mais pessoas.

Como Psicólogo já atendi diversos tipos de problemas psicológicos, este que relato é interessante porque é bastante comum, mas muitos não enxergam como problema e tem suas vidas dificultadas por não resolvê-lo.

Numa tarde entrou na sala um homem de 26 anos, solteiro, engenheiro, com dificuldade de manter olhar e seguidamente ficava cabisbaixo ao relatar o quanto sofria com a solidão em que se encontrava.

Considerava um fardo muito grande as responsabilidades que estavam sob suas costas, tanto profissionais como familiares. Relatou que é o irmão mais velho de uma família de três filhos.

Seus pais tinham casado cedo e dedicado ao sustendo da família, deixaram os estudos para quando pudessem se dedicar. Ele percebia que desde novo já tinha ultrapassado a condição dos seus pais, tanto financeira quanto intelectual.

Sabia que não seriam eles que lhe direcionariam na vida moderna, mas o inverso, os pais esperavam dele o apoio e indiretamente exigiam isso. Ele por sua vez, sempre apresentou sonhos grandiosos e gostaria de realiza-los, mas nunca tinha se dado conta do peso que isso representava.

Ao mesmo tempo que sonhava lamentava sua condição e sua solidão, à medida que isso ocorria mais as pessoas se afastavam dele. Ao descrever suas relações apareceu a visão que os outros tinham dele: uma pessoa que reclamava, culpava os outros e no fundo não tinha condição de realizar o que sonhava.

Em vez de congregar afastava as pessoas, mesmo assumindo profissionalmente posição de liderança, não liderava, não era exemplo, nem inspirava os colaboradores a lhe seguirem. No decorrer do processo psicoterapêutico percebeu que procurava a solidão e o fazia para evitar o confronto e as responsabilidades pelas suas escolhas.

Ele tinha vários predicados para se dar bem na vida e no desenvolvimento dos seus projetos, mas pecava no mais básico, não sabia lidar com o ser humano. Não se interessava e não incentivava seus colaboradores, não sorria e não demonstrava o quanto seus colaboradores eram importantes e o quanto colaboravam nos seus projetos.

Com seus familiares reclamava que nenhum o ajudava, que precisava pensar e fazer sozinho. Nesse caso foi importante descrever o contexto social da sua infância, como foi educado e principalmente o que ele fez dessa educação.

Porque mais importante do que como fomos educados é o que fazemos dela, isto é que define com mais profundidade o que seremos e consequentemente o que faremos e construiremos. Em paralelo foi visto maneiras mais adequadas de como lidar com as pessoas que o rodeiam e possibilitar uma mudança sincera da sua personalidade.

A maneira com que atuei com esse paciente não é a única possível e nem necessariamente a melhor, mas foi um modo de abordar que deu resultado e que o ajudou significativamente.

E espero que esse texto possa ajudar mais pessoas. Caso você não tenha passado por nenhuma dessas situações, talvez conheça pessoas com esse problema, compartilhe o texto, procure também ajudar quem você conheça.

* Flávio Melo Ribeiro é Psicólogo.



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