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CNPq planeja novas parcerias com Alemanha e França

CNPq planeja novas parcerias com Alemanha e França

26/04/2008 Da Redação

Presidente do CNPq, Marco Antonio Zago, diz que o Brasil busca acertar novos projetos em áreas de interesse dos três países e afirma que cooperações com América do Sul e África são prioridade da pesquisa brasileira.

Intensificar a colaboração com a América do Sul e com a África – em especial com os países africanos de língua portuguesa – nos próximos anos é uma das prioridades do CNPq, segundo o presidente do órgão governamental brasileiro de fomento à pesquisa, Marco Antonio Zago.

Trata-se de uma orientação do governo brasileiro, afirmou Zago, durante entrevista à DW-WORLD em Bonn, onde participou de um simpósio promovido pela Fundação Alexander von Humboldt.

Ele também disse que o Brasil planeja novas colaborações com a Alemanha e a França, tradicionais parceiros na Europa. "Há a possibilidade de nos concentrarmos em projetos maiores, que fossem de interesse de ambos os países [Brasil e Alemanha ou Brasil e França]", afirmou, sem adiantar quais áreas de pesquisa poderiam ser beneficiadas.

"Se formos muito bem-sucedidos, poderia ser algo como Brasil-França-Alemanha", complementou.

Zago disse ainda que o modelo de universidades de excelência, recentemente adotado na Alemanha, dificilmente seria implementado no Brasil por causa das dificuldades de se iniciar um processo de avaliação nas universidades brasileiras. "Não há essa cultura no Brasil e ela é difícil de ser estabelecida", afirmou. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

DW-WORLD: Como está a parceria entre Brasil e Alemanha na área de pesquisa científica?

Marco Antonio Zago: A Alemanha é um dos principais parceiros de ciência e tecnologia do Brasil. Na Europa, França, Alemanha e Reino Unido são os parceiros mais tradicionais. Com a Alemanha temos numerosos programas de cooperação para a mobilidade de pesquisadores e também para o apoio na forma de bolsas de pós-graduação, principalmente doutorado e pós-doutorado.

O senhor dizia que as cooperações do Brasil com a França e a Alemanha são diferentes da cooperação com os Estados Unidos?

Sim, porque a cooperação com os Estados Unidos, embora volumosa, se dá na maior parte dos casos por iniciativas pessoais. São pesquisadores brasileiros que buscam relação com pesquisadores americanos ou espaço para fazer pós-graduação ou especialização nos Estados Unidos. A cooperação não é tão bem estruturada do ponto de vista institucional. Apenas a Nacional Science Foundation tem alguns programas com o Brasil. Em relação à Alemanha e à França, temos tanto as iniciativas individuais como as iniciativas estruturadas na forma de programa com as diferentes agências, como o DAAD.

O Brasil tem prioridades nas suas cooperações internacionais?

Temos duas: uma é intensificar a colaboração na América do Sul. Estamos convencidos de que as atividades econômicas e de desenvolvimento na América do Sul precisam ser mais compartilhadas. Essa é uma orientação de governo com a qual eu concordo, e estou tomando medidas para incentivá-la.

A outra é a colaboração com a África, que envolve em primeiro lugar uma ponte que temos com a África do Sul e com a Índia, mas também com os países de língua portuguesa na África, particularmente Angola, Moçambique e Cabo Verde, países que estão iniciando uma fase de desenvolvimento econômico acelerado. O Brasil tem interesse em manter uma forte proximidade com esses países. E eles também têm esse interesse, porque é mais fácil [para os pesquisadores desses países] complementar a sua formação na colaboração com o Brasil por causa da língua.

Já há algo concreto?

Sim. No CNPq há dois projetos: o Prosul, que visa as relações com a América do Sul, e o Pró-África, voltado para a colaboração com a África. Além disso, há ações isoladas. No ano passado e neste ano recebemos 40 alunos de pós-graduação de Moçambique com bolsas do CNPq. Ou seja, o CNPq está pagando a estada deles no Brasil para fazer mestrado ou doutorado.

Em termos de regiões, há essas duas prioridades, mas há outras que acabam se definindo. Como as colaborações com a Alemanha e a França sempre foram muito intensas, isso tem de ser tratado num contexto apropriado. E esse é um dos motivos da minha visita. Antes de vir para a Alemanha, passei pela França para acertar detalhes dessa cooperação. Há a possibilidade de nos concentrarmos em projetos maiores, que fossem de interesse de ambos os países. A intenção é criar um novo ambiente de cooperação.

Tanto no caso da França como no caso da Alemanha?

Sim, e se formos muito bem-sucedidos, poderia ser algo como Brasil-França-Alemanha.

Em quais áreas?

Ainda é cedo para falarmos nisso. Temos a nossa visão de quais áreas são importantes, e encontrei eco durante as minhas discussões na França e na Alemanha. Mas agora preciso retornar ao Brasil e discutir o assunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia e com o Ministério das Relações Exteriores. São necessários claro interesse e decisão governamentais para que se possa iniciar essa cooperação.

Em quais áreas de pesquisa o Brasil se destaca internacionalmente?

Diversas. O Brasil tem pesquisa de excelência em saúde, física, matemática, astronomia, para citar algumas áreas. Temos pesquisadores de ponta em todas as áreas. Estamos formando cerca de 10 mil doutores por ano, o mesmo número que a França. O nosso principal gargalo é fazer a transferência desse conhecimento gerado na academia para a indústria. E o recente plano de ciência e tecnologia do governo enfoca essa questão. Não se trata apenas de provocar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no ambiente acadêmico, mas também de fornecer recursos para que se torne atraente às empresas fazer inovações e contratar pesquisadores. 

A parceria Brasil-Alemanha se concentra principalmente na área de doutorado e de pós-doutorado. Há a possibilidade de que o mestrado e a graduação também ganhem a importância dada ao doutorado?

O mestrado não deve ser nosso foco no momento. Quanto à graduação, o intercâmbio seria importante, mas é uma meta distante. O intercâmbio existe, mas é pequeno. Para que se intensifique, seria necessário o reconhecimento mútuo de créditos e recursos para a mobilidade dos estudantes. A União Européia está tomando medidas para unificar as exigências das universidades e permitir o livre fluxo de estudantes. Deveríamos fazer o mesmo na América do Sul. Deveríamos permitir um intercâmbio maior entre os países sul-americanos.

Isso não significa que eu não veja importância no intercâmbio de graduação entre o Brasil e a Europa. Mas no futuro próximo ele será relativamente pequeno porque exige muitos recursos e a superação dessa parte legal. Por isso, preferimos nos concentrar nas bolsas de doutorado.

A Alemanha criou um grupo de universidades de excelência, que recebem mais recursos para a pesquisa. Esse seria um modelo para o Brasil?

Poderia ser, mas há uma etapa importante muito difícil de ser vencida: a avaliação. Esse é um processo complicado no Brasil. Temos um processo de avaliação que funciona relativamente bem, que é o dos cursos de pós-graduação. A avaliação das universidades é muito mais complicada. Não há essa cultura no Brasil e ela é muito difícil de ser estabelecida. Existem iniciativas de avaliação, mas elas não têm a dureza, a consistência, a história que tem a avaliação de universidades européias. E não acredito que isso possa ser resolvido a curto prazo.

Mais informações sobre a Alemanha e a Europa no site www.DW-WORLD.DE/brasil



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