Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Dom João VI deixou Napoleão Bonaparte a ver navios (I)

Dom João VI deixou Napoleão Bonaparte a ver navios (I)

28/10/2008 Divulgação

O texto que se segue traz impressionante relato dos acontecimentos que marcaram a retirada da família Real Portuguesa de Lisboa, num clima de ameaças feitas à dignidade e às vidas dos seus integrantes. Mesmo discordando de algumas afirmações do tenente e conde Thomas O’Neil – como a que se refere à presença do General Junot a bordo da nau em que se encontrava Dom João, para demovê-lo de partir – deixaremos que o leitor analise a entrevista e tire suas próprias conclusões. Que os estudiosos comparem a versão do inglês com outras existentes, para se chegar à verdade definitiva. Esta conversa, cercada de grande sigilo, ocorreu nas empoeiradas dependências de um escritório na zona portuária de Lisboa.

Floriano L. N. - Havia, na ocasião da retirada, ameaça de violência contra o Príncipe Regente de Portugal?

Thomas O’Neil - Era bem sabido na Inglaterra, pelos ministros de Sua Majestade, que Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal, e sua Casa estavam em perigo de ser condenados à escravidão – com a qual já fora agrilhoada grande parte da Europa – devido ao brutal e implacável espírito de domínio que tomou conta da mente demoníaca do arquiinimigo do mundo, Bonaparte.

Havia a certeza de que Napoleão Bonaparte cumpriria as ameaças?

Tornou-se evidente que o usurpador inescrupuloso realizaria suas nefandas intenções se não fosse impedido pela pronta assistência do governo britânico. Este, sempre ansioso por minorar sofrimentos, mesmo de estrangeiros, e por causa do sagrado princípio de liberdade com responsabilidade, que ele aprecia e venera, foi incentivado, mais particularmente neste caso, a socorrer seu antigo e fiel aliado, que estava em vias de ser aniquilado pela recusa a se vincular à causa da vilania hipócrita e a romper os laços de paz e amizade estabelecidos há tanto tempo com o Reino Unido, originalmente baseados nos mais sólidos princípios de sabedoria política e desde então comprovados e concretizados por atos mútuos de fidelidade e honra.

Houve algum tipo de negociação naquele momento?

Ciente de sua situação arriscada e do alarmante estado de incerteza em que se mantinham seus súditos num momento em que o destino de qualquer país nunca esteve em tão grande perigo, o Príncipe Regente foi compelido a negociar uma precária promessa do adiamento da invasão, a fim de obter uma prorrogação da destruição que no fim era aguardada.

Chegou-se a algum resultado concreto?

Foi vã a tentativa de um compromisso por parte do pérfido corso que, realmente, ao receber a soma estipulada, ordenou a suas tropas que tomassem posse, pela força, do zeloso reino; e que, se não tivessem êxito na cilada para reduzir a Família Real à escravidão, de qualquer modo a massacrassem na capital.

Que providências foram tomadas pelos ingleses?

Tendo chegado previamente a Londres as notícias das intenções secretas do príncipe, os ministros de Sua Majestade se prepararam para agir conforme as circunstâncias exigissem; e os lordes comissionados do almirantado indicaram o almirante-de-esquadra sir William Sidney Smith para assumir o comando dos navios e vasos de guerra, que estavam então ancorados na baía de Cawsand.

Quando zarpou a esquadra?

Essa esquadra zarpou às 11 horas da manhã de 11 de novembro de 1807, sem que qualquer oficial tivesse a menor idéia de seu destino, um sistema de sigilo nunca antes observado e que, quando firmemente mantido, não pôde deixar de produzir bons resultados. Uma leve brisa soprou, transportando a esquadra pelo canal. Vimos várias velas ao largo da ponta Lizard, de onde rumamos para o cabo Finisterre; e, após nos comunicarmos com dois navios de Sua Majestade que estavam parados ao largo do cabo, nos despedimos e seguimos, tendo visto as rochas Burling (Berlengas) a 13 de novembro.

E quando se deu a chegada da esquadra a Lisboa?

Às oito horas da noite, a esquadra parou ao largo das terras altas de Lisboa e, depois de ficar algumas horas ao largo da foz do Tejo, zarpou às dez horas na manhã de 14 de novembro; e o almirante foi informado, pela tripulação de alguns barcos pesqueiros, que os portos de Portugal estavam fechados para naus e vasos de guerra de Sua Majestade britânica. Tal circunstância causou grande surpresa ao almirante, e só então, pela primeira vez, os oficiais fizeram alguma idéia de sua destinação.

Como estava a situação em Portugal?

A situação de Portugal era então singularmente crítica; seu soberano, como foi observado, estava a ponto de ser incluído no número de monarcas já cativos, os quais o devastador de impérios havia insidiosamente aprisionado; e, estando seus portos fechados à Grã-Bretanha, isso efetivamente impedia qualquer comunicação com a única potência que poderia servi-lo e que havia sido unanimente considerada como amiga constante e protetora fiel da Casa de Bragança, sentimento recíproco vivido por Sua Alteza Real.

O perigo estava por toda a parte...

Um vento forte soprou por vários dias diretamente para dentro do Porto de Lisboa, sem mudar de quadrante, exceto por poucas horas no rumo leste, o que propiciou aos fugitivos reais uma oportunidade de escapar das ciladas que Napoleão armou para eles tão engenhosamente: na manhã do dia 15, o almirante recebeu a bordo um piloto português e fez sinal à chalupa de guerra Confiance para que se aproximasse. Seu comandante, capitão Yeo, veio a bordo e, tendo recebido do comandante-em-chefe despachos para lorde Strangford, zarpou pelo Tejo levando uma bandeira de trégua;  em conseqüência disso, tendo Sua Excelência pedido e recebido seus passaportes, ele embarcou com o capitão YEO e se uniu à frota britânica. Ao se comunicar com o almirante, foi julgado conveniente estabelecer o mais rigoroso bloqueio na foz do Tejo.

Sendo isso executado, a idéia posterior aconselhável foi de que Sua Excelência propusesse ao governo português, como condição única para a suspensão do bloqueio, ou rendição da frota portuguesa a  Sua Majestade, ou seu uso imediato para transporte do príncipe regente e de sua família para o Brasil, já que o primeiro objetivo do momento era salvar a casa de Bragança do fraternal amplexo da França.

Os acontecimentos evoluíam com muita rapidez...

Na manhã do dia 19, juntou-se à esquadra a nau Hibernia, de Sua Majestade; e no dia 22, o almirante transferiu para ela sua bandeira. No dia 21, porém, foram recebidas novas notícias, asseverando que as tropas francesas estavam marchando rapidamente para Lisboa, e que os comandantes das diferentes províncias não só pediram armas e munições ao primeiro-ministro, mas até mesmo escreveram a Sua Alteza Real, o príncipe regente, notificando-o do iminente perigo que ameaçava a ele, sua família e o país. Contudo, por circunstâncias que facilmente ocorrem, por um início de traição existente em seus Conselhos, tais notificações nunca chegaram aos ouvidos reais (o que evidentemente era o que se pretendia), e ele esteve perto de se tornar vítima da ambição do inescrupuloso Napoleão, cujas maquinações tinham influenciado o principal ministro de Sua Alteza Real.



Cidade do Rio de Janeiro passa a contar com sistema de coleta de lixo eletrônico

Capital fluminense é a 7ª cidade do país a ofertar serviço para a população.

Cidade do Rio de Janeiro passa a contar com sistema de coleta de lixo eletrônico

Florestas plantadas no Brasil somam 9,3 milhões de hectares em 2020

Áreas com cobertura de eucalipto representam 80,2% das florestas.

Florestas plantadas no Brasil somam 9,3 milhões de hectares em 2020

Programa Resgate+ terá ações de atendimento e assistência a animais silvestres

Iniciativa dará destinação adequada aos animais atendidos em operações de resgate e assistência.

Programa Resgate+ terá ações de atendimento e assistência a animais silvestres

Cinco fatos sobre radiação solar que você talvez não saiba

A radiação solar inclui radiação infravermelha e ultravioleta.

Cinco fatos sobre radiação solar que você talvez não saiba

O que são mesmo as cidades inteligentes? A Mantiqueira ensina

Vivemos um momento histórico de perplexidade e ruptura com os nossos padrões.

O que são mesmo as cidades inteligentes? A Mantiqueira ensina

Mercado de gestão de créditos de carbono é a aposta da Ecofix

Agronegócio passa a contar com um novo sistema de gestão de commodities ambientais que comercializa e monitora créditos por Pagamentos de Serviços Ambientais.

Mercado de gestão de créditos de carbono é a aposta da Ecofix

O Brasil no coração da conservação mundial da natureza

O Congresso trouxe esperança para todos que estão comprometidos com a conservação da natureza em nosso país.

O Brasil no coração da conservação mundial da natureza

Brasil pode gerar até US$100bi em receitas de créditos de carbono até 2030

Projeção feita pela WayCarbon em estudo encomendado pela ICC Brasil aponta oportunidades para os trades de agro, florestas e energia até 2030, com recomendações ao governo brasileiro e ao setor privado.

Brasil pode gerar até US$100bi em receitas de créditos de carbono até 2030

Sérgio Bringel: “preservar a Amazônia é cuidar do futuro de todos”

Sérgio Bringel, CEO do Grupo Norte de Comunicação, lançou, neste mês, uma campanha para promover ações de sustentabilidade em homenagem à Amazônia. Intitulada de #BemVerde.

Sérgio Bringel: “preservar a Amazônia é cuidar do futuro de todos”

Projeto prevê revitalização na bacia do Rio Urucuia em Minas Gerais

Governo Federal lança projeto que prevê plantio de 4,5 milhões de mudas de espécies do Cerrado

Projeto prevê revitalização na bacia do Rio Urucuia em Minas Gerais

Verão na Europa foi um dos mais quentes já registrados

Temperatura entre junho e agosto foi 1º Celsius acima da média.

Verão na Europa foi um dos mais quentes já registrados

Estudo constata redução de 15% da superfície de água no Brasil em 36 anos