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Dom João VI deixou Napoleão Bonaparte a ver navios (II)

Dom João VI deixou Napoleão Bonaparte a ver navios (II)

04/11/2008 Divulgação

O texto que se segue traz a conclusão dos acontecimentos que marcaram a retirada da família Real Portuguesa de Lisboa, num clima de ameaças feitas à dignidade e às vidas dos seus integrantes.

O Príncipe Regente Dom João

P - O Príncipe Regente corria grande perigo, pois havia indício de traição em seus Conselhos...

R - Uma notícia como essa exigia e obteve a mais rápida decisão. Assim, no dia 22, tendo sido feito um sinal para o Confiance, o capitão YEO recebeu os despachos para Sua Alteza real, que estava com sua família numa propriedade rural chamada Mafra, a algumas milhas de Lisboa. Assim que os despachos chegaram em terra, foram anunciados por telégrafo e imediatamente encaminhados pelo tenente Smith, da Marinha Real.

P - Qual era o clima predominante no Palácio Real?

R - As notícias se espalharam instantaneamente pelo palácio, onde reinaram então grande confusão e extrema angústia. Todas as pessoas, de todas as classes e de todo tipo, estavam avidamente ansiosas por salvar a si mesmas e a seus bens.

P - O que se passou no dia 23 de novembro?

R - No dia 23, às cinco da tarde, foram transmitidas ordens para que a esquadra de Sua Alteza Real estivesse pronta para zarpar a qualquer momento, ou pelo menos assim que as circunstâncias permitissem.

P - Quando se realizaram os preparativos para a retirada?

R - A Família Real, em sua totalidade, chegou naquela noite a Lisboa, e todos os preparativos da partida para o Brasil foram feitos. Um terceiro conselho foi convocado, em que Sua Alteza Real declarou sua determinação de embarcar e (se a Providência permitisse) de se colocar sob a proteção da bandeira britânica. Ele acrescentou que quem estivesse disposto a acompanhá-lo e a partilhar o revés de sua fortuna tinha sua real permissão; mas, para aqueles que ficavam, suas ordens eram de não resistir à França.

P - Qual foi o papel desempenhado pelo General Junot?

R - No dia 27, toda a Família Real havia embarcado. Sua Alteza Real, o Príncipe Regente e seus filhos estavam a bordo do Príncipe Real; Sua Majestade, a Princesa do Brasil e as infantas estavam no Afonso; a princesa viúva, no Conde Henrique; e as senhoras mais distintas foram acomodadas em várias naus, como as circunstâncias permitiam.

P - É verdade que Dom João VI recebeu Junot a bordo?

R - No mesmo dia em que a Corte embarcou, o general Junot alcançou a capital e trouxe notícias da chegada das tropas francesas a Santarém, ao redor de 56 milhas de Lisboa. Ele estava tremendamente desapontado e surpreso de saber que a Família Real tinha sido informada da próxima chegada das tropas francesas. É impossível descrever o quanto ele ficou mortificado as descobrir que o príncipe embarcara. Seu aprisionamento era o principal objetivo de Junot, o que teria conseguido caso o vento não tivesse favorecido providencialmente a partida da frota pelo Tejo.

P - E o que aconteceu em seguida?

R - Com a usual arrogância do republicanismo francês, Junot exigiu uma audiência com o regente. Ela foi concedida, com a condição de que alguns fidalgos estivessem presentes, um dos quais, seria injusto não mencionar, sendo ele uma honra para a sua pátria e um fiel amigo na nação britânica: Don Roderico de Sousa Coutinho (Dom Rodrigo de Sousa Coutinho), então ministro da guerra e dos Negócios Exteriores nos Domínios de Além-mar; embora havia tempo eu tivesse ouvido falar nele, verifiquei, por contato pessoal, que seu caráter correspondia a tudo o que dele se dizia, ou seja, de sua fidelidade aos interesses de seu soberano e de sua honrosa simpatia pela nação inglesa. Às nove horas da manhã do dia 28 de novembro, o general francês veio a bordo do Príncipe Real e foi levado à presença de Sua Alteza Real. Com um tom de voz arrogante, perguntou por que Sua Alteza havia embarcado e quais as razões para deixar seu reino. Expressou seu pesar pela decisão de Sua Alteza Real, discorreu demoradamente sobre a grandeza da nação francesa e sobre os honrosos sentimentos que seu chefe, o Imperador, tinha por Sua Alteza Real e pelo Reino de Portugal; e concluiu observando que contava com uma audiência privada e não pública.

Napoleão Bonaparte

Durante a fala insolente do general, Sua Alteza Real manteve completo silêncio, mas depois disse o seguinte: “por favor, general, já disse tudo o que tinha a dizer?”

Recebendo resposta afirmativa, Sua Alteza Real continuou assim:

- “Em resposta à sua pergunta sobre as razões de eu ter deixado meu Reino, general, eu lhe pergunto: por que seu pérfido chefe o invade sem me dar conhecimento disso? É honrosa tal conduta? São esses os princípios de um homem honesto? Não tinha eu fechado meus portos à nação britânica a fim de manter minha neutralidade com seu chefe? Contudo, isso não bastou para o intuito e os propósitos despóticos de Napoleão. Portanto, ordeno que se retire de minha presença e que diga ao imperador francês que rejeito sua aliança, cuja ambição insaciável almeja a destruição do universo. Eu desprezo sua proteção, e amanhã, se a Providência me favorecer, ponho a mim, a minha família e a minha frota sob a proteção do almirante de Sua Majestade britânica, que é amigo fiel e está agora à espera de me receber. Na verdade, prefiro morrer a ouvir as promessas enganadoras de seu chefe. E se o senhor, general, refletir na missão indigna para a qual foi enviado e no caráter desonroso que é obrigado a manter, certamente pensará comigo que está fazendo o papel de um homem sem honra. Portanto, retire-se de minha presença e nunca mais se atreva a aparecer diante de mim.

P - Foi então que Sua Alteza Real perdeu a paciência...

R – Sua Alteza Real deu ordens então para que Junot deixasse a nau imediatamente e que, se ele tentasse nova abordagem, fosse afundado com o barco que o trouxesse; isso foi uma prova inegável da magnanimidade de Sua Alteza Real numa hora de perigo iminente, já que os franceses estavam, de fato, avançando no momento rapidamente para a capital e não havia perspectiva de fuga para sua família e sua frota, se o vento continuasse soprando do mesmo quadrante.

P - O assassinato da Família Real fazia parte dos planos de Napoleão?

R – Bonaparte encarregou o General Junot de “descartar-se da Família Real” assim que ela estivesse em seu poder, dizendo que, enquanto ela estivesse entre os vivos, jamais seus objetivos se cumpririam.

P - Finalmente, chegou o dia 29 de novembro...

R – No dia 29, às sete horas, a manhã estava linda: uma brisa agradável soprava do quadrante leste, fazendo com que os navios portugueses deslizassem diretamente para fora do Tejo. Foi feito sinal para duas velas, o qual pouco depois foi repetido para três naus de linha, e vimos cores portuguesas. Às nove, o sinal foi repetido para seis embarcações,e, às dez, para outras nove, e o Confiance telegrafou avisando que o estandarte real flutuava a bordo de uma delas. Foram repetidos sinais para várias embarcações de menor categoria, brigues, escunas e navios mercantes, assim como para a frota que viera de Lisboa. Tivemos então a profunda satisfação de ver nossas esperanças e perspectivas se realizarem totalmente: toda a frota portuguesa se dispôs sob a proteção da frota de Sua Majestade, enquanto disparava uma saudação recíproca de 21 salvas, que anunciavam o encontro amigável daquelas potências que, apenas um dia antes, estavam em termos de beligerância.

Fonte: A Vinda da Família Real para o Brasil. O’Neil, Thomas. Tradução de Ruth Sylvia de Miranda Salles. José Olympio Editora. Mandado imprimir pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2008



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