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Ecogerma: por uma revolução industrial verde

Ecogerma: por uma revolução industrial verde

16/03/2009 Divulgação

Em São Paulo, a Ecogerma aponta o caminho para um futuro econômica e ecologicamente sustentável. Na feira, empresários e políticos do Brasil e da Alemanha buscam soluções e parcerias.

O primeiro evento Brasil-Alemanha voltado para tecnologias sustentáveis pretende também ser o primeiro passo para uma mudança de paradigma. O desenvolvimento industrial no futuro deverá ser sempre acompanhado de uma palavra: sustentável. É esta a proposta dos organizadores da feira de negócios: eles argumentam que investir em tecnologias sustentáveis garantirá não apenas um desenvolvimento econômico menos predatório - em tempos de aquecimento global - como também oferece grande potencial de crescimento - em tempos de crise econômica.

O vice-ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Matthias Machnig, resumiu o espírito deste novo paradigma na abertura do Congresso Ecogerma, na quinta-feira (12/03): "Ecologia é a economia do futuro". Para Machnig, ecologia e economia nunca estiveram tão próximas e devem ser tratadas como dois lados da mesma moeda. E Alemanha e Brasil devem se aproximar cada vez mais como parceiros dessa empreitada em comum. Segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK), Rolf-Dieter Acker, a Ecogerma inaugura uma nova era de relações bilaterais. "As tecnologias sustentáveis são a resposta ideal e adequada para a atual crise mundial. Queremos indicar novos caminhos, chances e possibilidades." Acker prevê que o evento deva gerar 200 milhões de reais em negócios nas áreas de energia, tecnologias ambientais, infra-estrutura, pesquisa e desenvolvimento, indústria e bens de consumo.

Um futuro de emissões nulas de CO2

Presente na abertura, o ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, também ressaltou a importância do investimento num novo modelo sustentável. "Essa crise vai passar e as economias vão voltar a se desenvolver, e é muito importante que a economia não siga o padrão que vinha seguindo." Já Machnig foi além: disse que o mundo atual precisa de uma "terceira revolução industrial". Não seria mais suficiente produzir um carro econômico; o futuro pede um carro com emissões nulas. "Não precisamos de um prédio que usa menos energia. Precisamos de um prédio que produza energia", exemplificou. Essa revolução seria uma reviravolta oportuna para ajudar a indústria a sair da crise - não apenas tornando o processo de produção mais sustentável, como também garantindo uma nova eficiência na produção futura.

O vice-ministro argumentou que, antes de ficarem especulando formas de reduzir em quantidades mínimas os gastos com pessoal, as empresas devem tentar mudar o fato de que voltam 40% de seus gastos para energia e recursos naturais - é este o gasto médio nas indústrias alemãs, citou ele. Energias renováveis, soluções para reduzir consumo de energia, sistemas de tratamento de água e materiais biodegradáveis eram algumas das tecnologias apresentadas nos estandes da feira de negócios. A idéia de organizar um evento voltado para tecnologias sustentáveis surgiu há dois anos, quando um estudo sobre este mercado no mundo mostrou que ele tem mais potencial de crescimento nos próximos anos do que os setores automotivo, de máquinas e equipamentos e da indústria química.

Previsão de crescimento de até 7% ao ano

Já com a Ecogerma em mente, a AHK São Paulo - organizadora do evento ao lado da embaixada alemã no Brasil e do consulado da Alemanha em São Paulo - encomendou o mesmo estudo aplicado ao cenário brasileiro. A consultoria alemã Roland Berger analisou 110 empresas do país e chegou à conclusão de que o mercado sustentável brasileiro já movimenta 17 bilhões ao ano de dólares, e deve crescer de 5% a 7% anualmente até 2020. As empresas parecem ainda não ter percebido esse potencial. Atualmente, as companhias nacionais investem menos de 1% de seu faturamento em tecnologias sustentáveis.

Segundo Thomas Kunze, da Roland Berger, as áreas em que foi identificado mais potencial de crescimento foram as de energia renovável, resíduos sólidos, água e saneamento e eficiência energética. O primeiro dia do evento também foi marcado pela assinatura de dois acordos pela ministra alemã de Educação e Pesquisa, Annette Schavan, e o ministro brasileiro Sergio Rezende. O primeiro acordo, na área de sustentabilidade, estabelece metas e formas de cooperação entre os dois países no setor; o segundo é um acordo bilateral voltado para a construção de cinco torres para o monitoramento das mudanças climáticas na região da Floresta Amazônica.

Soluções sustentáveis

A ministra disse estar convencida de que o Brasil é um parceiro estratégico em todas as questões da inovação. Ela espera aprofundar ainda mais a cooperação entre os dois países no ano que vem, quando será realizado o Ano de Ciência e Tecnologia Brasil-Alemanha - tema tratado pelos dois no encontro. Segundo o assessor de imprensa de Schavan, a Ecogerma foi o ponto alto da viagem da ministra, que começou no Chile, veio para o Brasil e termina na Colômbia.

Autor: Júlia Dias Carneiro

Mais informações sobre a Alemanha e a Europa no site www.DW-WORLD.DE/brasil .



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