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Green Building não é totalmente eficiente

Green Building não é totalmente eficiente

09/09/2008 Divulgação

Desde de 2001, o uso de aquecedores solares para água vem crescendo rapidamente no Brasil. O problema é que nem sempre isso representa uma economia de energia. É o que diz o engenheiro Eduardo Tenewucel, que há mais de 30 anos trabalha no setor. Leia amanhã a segunda parte da entrevista.

Você tem visto projetos bioclimáticos na área de aquecimento solar?

Sim, mas não há uma grande preocupação com a eficiência. Outro dia eu fui para uma reunião com o Sylvio de Podestá, um arquiteto que fez projetos bioclimáticos desde os anos 80, e ele falou que quando há um abatimento de preços na construção convencional, ninguém se lembra da eficiência. Agora começou o marketing do Green Building. Quando recebemos um projeto de provável candidato a Green Building, nós vemos idéias interessantes de um lado e outras mortais de outro. Por exemplo, a pessoa coloca um sistema de aquecimento solar, mas faz também uma fachada norte de vidro. A carga que ele terá que gastar com ar condicionado é muito maior do que a que ele consegue economizar com o aquecimento solar. Isso é generalizado. Belo Horizonte é a cidade do mundo que mais tem edifícios usando a energia solar. São mais de 2.400 prédios. Por um lado, a cidade cresceu buscando isso aí. Por outro, você encontra pouquíssimos edifícios que tenham realmente uma preocupação com a eficiência, principalmente no uso do ar condicionado. Com a construção de prédios em locais frios, como o Belvedere, já temos dois problemas: o ar condicionado e a calefação. Não se pensa em fazer um isolamento térmico. A geração que faz uma obra pensando na eficiência está ficando para trás.

Porque você acha que esses erros na construção dos Green Building ocorrem?

A questão é cultural. Falta conhecimento em nível de construção, projetistas, instaladores, todos os membros de uma obra. A construção civil não enxerga a eficiência energética. Vou dar um exemplo com o qual eu me deparo diariamente. Em uma residência de luxo, nos condomínios, o cliente faz questão que a casa tenha aquecimento solar por vários motivos. Primeiro porque ele realmente quer ter um conforto de nível de hotel cinco estrelas tendo um custo operacional baixo. Durante a obra, perde-se um pouco a referência e é criado um sistema hidráulico de muito consumo. Aquela idéia inicial de economizar energia vai por água abaixo não porque o sistema é ruim, mas sim porque o consumo de água dele é de 2.500 litros de água quente por dia. Ele acha que tem um sistema de aquecimento solar, mas só tem uma metade porque os critérios de consumo não são de eficiência. Nos prédios de alto luxo, algumas pessoas gastam mais do que o necessário mas não se importam em pagar mais por isso. Eu só vejo o Green Building entrar em um edifício residencial no Brasil quando houver uma legislação ou se o estatuto do condomínio obrigue quem morar lá a não gastar em excesso. Em um edifício de 40 apartamentos, é possível ver de tudo. As coisas estão completamente descontroladas em todos os níveis. Não é uma visão pessimista. É uma visão realista.

O sistema de aquecimento solar deveria ser concebido depois da construção dos sistemas hidráulicos?

Sim. Ou que houvesse um acompanhamento do antes, do durante e do depois da implantação. Todos os responsáveis pela obra deveriam conversar. Quando temos condição de atender um cliente, fazer uma ciosa específica para ele, muitas vezes é possível conscientiza-lo. Com o trabalho que temos feito, muita gente muda os produtos que ele iria comprar, principalmente os chuveiros.Outros não abrem mão do conforto que eles querem, mas adequam o sistema de aquecimento das residências deles.

Em geral, onde os aquecedores solares têm um uso pior? Nas residências de baixa renda ou nas casas da classe mais rica?

Arrisco-me a dizer que é nas residências de padrão de luxo. Nas casas populares, o conforto não é o primeiro objetivo do aquecimento solar, mas sim a economia. Como os projetos são muito simples, geralmente as casas têm apenas um banheiro, não é possível fazer um projeto que interfira pesadamente no resultado final.



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