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Professor projeta fazenda vertical

Professor projeta fazenda vertical

22/10/2010 Divulgação

A partir da hidrocultura, prédios idealizados pelo norte-americano Dickson Despommier permitem que legumes, frutas e grãos sejam cultivados em uma espécie de torre de estufas.

Há edifícios cuja complexidade poderia ter arrebatado o autor de livros de ficção cientifica Jules Verne. Um exemplo são as fazendas verticais do professor nova-iorquino de microbiologia Dickson Despommier. Até o momento, elas são apenas um projeto que ganha vida em gráficos de computador: arranha-céus de 30 andares que se erguem sobre cânions urbanos de uma megacidade. Pelo vidro das janelas, sobressai a cor verde das plantas em seu interior – trata-se de grandes estufas onde frutas, verduras e cereais são cultivados para milhares de pessoas.

Nos diferentes andares das fazendas verticais, as plantações, por exemplo, de tomate, se alternam com a cultura de mandioca, terraços de arroz, campos de trigo, alfaces e batatas. Despommier teve a ideia em um seminário na universidade. O professor deixou seus alunos investigarem quantas áreas de cultivo havia em telhados de prédios no bairro nova-iorquino de Manhattan. Apenas oito hectares foram computados pelos estudantes. O suficiente para alimentar 2% da população de Manhattan. "Essa foi uma descoberta chocante", lembra o professor. Para não desmotivar seus estudantes a caminho das férias, ele mesmo teve uma ideia: por que não alocar áreas de cultivo em mais andares.

Projeto minucioso

O visionário professor tem uma percepção detalhada de como a tal fazenda vertical deveria ser. As plantas, conta Despommier, cresceriam a partir do princípio da hidrocultura, em grãos de argila expandida. A luz para as plantas viria do Sol, através de uma grande fachada de vidro ou de LEDs orgânicos, que são diodos emissores de luz especialmente eficientes. Segundo Despommier, até mesmo o ar-condicionado poupa energia, já que são as plantas que irão regular a temperatura.

"Isso já acontece em estufas no deserto do Arizona. Quando evapora água das plantas, o ar resfria, caindo dos 40 ºC exteriores para cerca de 30 ºC".Mesmo problemas óbvios de uma estufa grande, como pragas nas plantas, que poderiam destruir uma colheita inteira, são descartados. Câmaras de ar não permitiriam a entrada no prédio de causadores de doenças. A pressão do ar na fazenda vertical seria mais alta do que fora do prédio, o que evitaria a entrada de ar contaminado através de uma porta aberta ou fresta na janela. Mas, mesmo assim, considerando a hipótese de que uma doença seja trazida para a área cultivada, toda a colheita seria destruída e o fazendeiro poderia plantar novamente no dia seguinte, "o que não pode ser feito no campo", ressalta Despommier.

Erradicar a fome ou poupar o ambiente

Parece que apenas com uso da técnica o professor poderia solucionar sozinho o problema da fome no mundo. Mas, na verdade, com sua fazenda vertical Dickson Despommier busca uma meta completamente diferente. Ele quer reduzir o uso da terra pela agricultura. "Hoje não há estufas de vários andares em nenhum lugar. O motivo para isso é que todas as elas foram construídas em lugares muito baratos". Ele diz não ser contra, em princípio, que os campos sejam cultivados respeitando o meio ambiente, mas ele lembra que existem poucos lugares onde isso é possível. "A Europa e os Estados Unidos são abençoados com terras férteis. Mas em países como Brasil e Índia a situação é diferente. Lá a terra é muito fina". As chuvas fortes lavam os solos férteis facilmente e a natureza perde sua fonte de alimentos. Em escala menor, a fazenda vertical já é realidade.

Trata-se do projeto norte-americano Windowfarms (fazendas de janela), pequenos jardins para a janela do apartamento. As hidroculturas são colocadas em garrafas plásticas cortadas ao meio e irrigadas através de uma mangueira. Os experimentos dos jardineiros amadores vão do manjericão até pequenos pés de milho, e seus sucessos e problemas são compartilhados em comunidades na internet. Alguns chegam inclusive a criar peixes no sistema de irrigação, já que seus excrementos são um fertilizante natural. Enquanto para colocar em prática uma "fazenda de janela" bastam 30 euros, Dickson Despommier estima que para seu projeto sejam necessários 20 milhões de dólares. O planejamento para tanto está em andamento. "No papel, o conceito já está pronto. Agora precisamos arrecadar o dinheiro para ver se funciona na realidade", diz Despommier.

Para mais informações acesse o site DW-World.



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