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Um ano depois, manchas de óleo ainda representam risco ao ecossistema

Um ano depois, manchas de óleo ainda representam risco ao ecossistema

03/09/2020 Divulgação

Especialistas defendem a continuidade dos estudos sobre os impactos e o desenvolvimento de tecnologia de monitoramento das águas.

Um ano depois, manchas de óleo ainda representam risco ao ecossistema

Há exatamente um ano, manchas de óleo invadiram o litoral brasileiro, afetando mais de 3 mil quilômetros de costa. Mesmo que parte do material poluente tenha sido retirado, especialistas afirmam que os riscos para os ecossistemas marinhos permanecem, podendo causar danos inclusive à saúde humana. Eles defendem a continuidade dos estudos de avaliação dos impactos e o desenvolvimento de tecnologia de monitoramento das águas.

“Embora a imagem degradante das manchas aparentemente tenha sido resolvida, o óleo ainda está lá, gerando impactos pouco visíveis ao olhar comum”, alerta o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexander Turra. “Parte do óleo que atingiu a costa brasileira se acumulou no fundo do mar e se misturou com os sedimentos, formando grumos pegajosos de poucos centímetros que, de tempos em tempos, são lançados nas praias por meio de tempestades e ressacas e seguem liberando compostos químicos no ambiente. O óleo também está presente nos tecidos de organismos marinhos afetados, podendo representar risco para o ambiente e para a saúde humana. Por isso, a continuidade dos estudos é necessária”, alerta.

No final de agosto e início de setembro de 2019, manchas de óleo tomaram boa parte do litoral brasileiro, naquele que se tornou o maior acidente ambiental da história do país. Em junho de 2020, nove meses após o evento, o material poluente ressurgiu na costa de estados como Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A investigação conduzida pela Marinha do Brasil levantou hipóteses de derramamento acidental, intencional, operação ship to ship ou naufrágio de um navio petroleiro, mas a origem do óleo até hoje segue desconhecida. O inquérito, já concluído, apontou que o derramamento ocorreu a 700 quilômetros da costa e viajou submerso por 40 dias.

Segundo o ecólogo e coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Robson Capretz, isso realça a necessidade de monitoramento das águas, considerando a importância do oceano para a manutenção da vida no planeta. “O oceano é responsável pela estabilidade do clima, pela produção de alimentos e estocagem de carbono; além de movimentar a economia, envolvendo setores como transporte, recursos minerais, energia e turismo. Os ambientes marinhos também são fonte de renda e berço de culturas e tradições de populações tradicionais”, destaca.

No vazamento de 2019, foram afetadas 906 localidades em 127 municípios de 11 estados. Ao todo, o governo federal informa ter desembolsado R$ 172 milhões para conter o avanço das manchas e coletar os resíduos. À época, a Marinha divulgou que havia mobilizado 54 organizações militares, 2.700 membros das forças armadas, 16 navios, duas aeronaves, além de embarcações e viaturas pertencentes às diversas capitanias dos portos, delegacias e agências sediadas ao longo do litoral.

Foto: Secom Sergipe/Fotos Públicas

Fonte: Tamer Comunicação



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