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Crescimento do crédito pode ser prejudicial ao consumidor

Crescimento do crédito pode ser prejudicial ao consumidor

10/07/2008 Divulgação

SÃO PAULO - O crédito total do sistema financeiro cresceu 32,4% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, atingindo R$ 1,04 milhão, o que representa 36,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Esta relação é 4,6 pontos percentuais superior ao resultado de maio de 2007, segundo o Informe Conjuntural da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgado nesta quarta-feira (9).O avanço tem como base, principalmente, o crédito com recursos livres, que avançou 36,1% no período, ao passo que o crédito consignado, na modalidade de repasse do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), cresceu a uma taxa de 27,3%, na mesma base comparativa.

Apesar do crescimento, há uma desaceleração no ritmo de avanço da concessão de crédito para as pessoas físicas. Enquanto o crédito com recursos livres concedidos a empresas manteve uma trajetória de aceleração em maio, ante o mesmo mês do ano anterior, atingindo 39,8%, o destinado a pessoas físicas cresceu 32,1%, percentual menor do que o verificado em abril (34%).

Leasing tem maior crescimento
A concessão de leasing, que avançou 89,9% para as empresas e 128% para as pessoas físicas em maio contra o mesmo mês de 2007, tem sido a fonte de maior crescimento do crédito total do sistema financeiro. Mas isso graças à não-cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Perspectiva
A trajetória de alta da taxa de juros, segundo a CNI, deverá reduzir ainda mais a expansão do crédito no segundo semestre deste ano, com o maior custo de carregamento dos empréstimos. Paralelamente, o orçamento mais apertado das famílias, em virtude da inflação dos alimentos, deverá dificultar o pagamento de dívidas contraídas no passado. Isto poderá aumentar os índices de inadimplência, que, em maio, ficaram em 1,8%, no caso da pessoa jurídica, e em 7,3%, no caso da pessoa física.

Para evitar problemas com inadimplência futuramente, os bancos estão adotando critérios mais seletivos para a concessão de crédito. De acordo com o Banco Cruzeiro do Sul, motivos para tal não faltam. Acompanhe os argumentos dos bancos:

* A aceleração da inflação gera perdas de renda que poderão acabar por afetar a capacidade de pagamento dos usuários de crédito;

* A elevação da taxa de juros (mecanismo usado pelo Banco Central para combater a inflação) afeta diretamente a capacidade de pagamento dos mutuários e indiretamente, via desaquecimento da atividade econômica;

* Uma nova etapa da conjuntura internacional, com juros em alta e economias em desaceleração, acabará por afetar o ritmo de crescimento da economia brasileira, com efeitos sobre a renda e o emprego;

* Os últimos dados da produção industrial brasileira, aliás, já sinalizam uma nova tendência para o ritmo de expansão das atividades econômicas;

* Esse tipo de orientação das instituições financeiras, em complemento ao ajuste na política monetária, em curso pelo Banco Central, constitui uma solução de mercado bem mais interessante do que as intervenções diretas da autoridade monetária, tais como a imposição de prazos máximos para os empréstimos, a fixação de limites para a sua expansão, ou aumento dos depósitos compulsórios (que já têm um percentual excessivo no Brasil).

Seletividade na concessão de crédito e o mau exemplo americano
`Para as próprias instituições financeiras, esse tipo de orientação é uma forma adequada de preservar sua rigidez. Temos a vantagem de conhecer os erros cometidos, principalmente pelos bancos americanos, que foram imprudentes na concessão de crédito ao setor imobiliário e que tantas turbulências têm causado desde setembro do ano passado`, diz a análise da instituição financeira.

A maior seletividade dos bancos na concessão de empréstimos vem em boa hora, tendo em vista o crescimento mais lento das economias brasileira e mundial. `Se é verdade que o mercado de ações costuma antecipar tendências, o comportamento recente das bolsas em todo o mundo parece confirmar a aproximação de uma conjuntura de crescimento mais lento`.

Tomada de empréstimo consciente
Por aqui, os bancos estão reaprendendo a trabalhar com a concessão de crédito e os consumidores a fazer uso dele. Segundo o executivo-chefe da Losango, Hilgo Gonçalves, o cenário atual de inflação e de muita concorrência no mercado de crédito está levando o brasileiro a tomar um empréstimo mais consciente. Ele explicou que a concorrência no mercado de crédito leva os clientes, principalmente aqueles das classes C, D e E, a analisar melhor as diferentes propostas.

De acordo com Gonçalves, para ajudar nessa tomada de crédito consciente, a financeira diminuiu o nível de renda que pode ser comprometido com a prestação do empréstimo, que era de 35% no ano passado e passou para 30% este ano. `O objetivo da decisão foi reforçar que cada consumidor comprometa - em tomada de crédito - exclusivamente a parte de sua renda que possa pagar. Acreditamos que 30% é um patamar bem positivo`.

Para o vice-presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), José Arthur Lemos Assunção, a diminuição do nível de comprometimento de renda aceitável é uma medida que está sendo tomada pelo mercado, em meio a um cenário de inflação. `Já caiu o nível de comprometimento da renda, que era de 25% ou 30% no começo do ano, dependendo do produto, e chegou a 20% ou 23%`, afirmou.

Crédito é principal meio de aumento do consumo
A CNI apresenta, em seu informe, uma visão um tanto pessimista quanto à queda no ritmo de expansão da concessão de crédito. A entidade enfatiza que a ampliação do crédito é o principal instrumento de expansão do consumo de bens de maior volume agregado, como é o caso dos bens de consumo duráveis - veículos e móveis - e dos bens de capital (construção civil, computadores e caminhões).

O aumento de juros de fato acarreta uma deterioração no ritmo de expansão do crédito, na medida em que encarece o custo de captação e impõe maior seletividade na concessão do empréstimo. Para a CNI, há uma conseqüência ainda pior: o esfriamento da atividade econômica, com impactos negativos sobre o emprego, a renda e o crédito, o que leva à deterioração da qualidade de vida do consumidor.

`Essa restrição será tanto maior quanto mais intenso for o aperto monetário [alta dos juros para combate à inflação]`, conclui a entidade.

Fonte: www.endividado.com.br



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