Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Direito: arte do bem, do justo e do belo

Direito: arte do bem, do justo e do belo

10/06/2021 Wagner Dias Ferreira

O trabalho jurídico, principalmente do advogado, é, na sua essência, de comunicação e transmissão de mensagens.

O profissional do Direito precisa comunicar, transmitir sua mensagem, intenções, argumentos, pedidos e pleitos, buscando sempre convencer o interlocutor. E por isso muitas vezes pode ser visto como uma arte.

Não raro se ouve: “O júri é um teatro”. Dando a entender que os profissionais que ali atuam são atores encenando uma peça, porque é comum se observar Advogados e Promotores que digladiam ferozmente no curso do plenário e depois de finalizado o julgamento conversam harmoniosamente, porque o conjunto da controvérsia que os movia no “coliseu” de argumentos não é de caráter pessoal, mas técnico e profissional.

É sempre necessário se fazer no âmbito profissional: elaborar texto escrito, escolhendo cuidadosamente as palavras para garantir que o interlocutor compreenda com clareza o sentido do que o advogado precisa comunicar. Atento ao sentido técnico de todas elas.

Falar com boa dicção e impostação correta da voz, elevando o nível para grifar proposições e abaixando quando precisa que o interlocutor aumente seu nível de atenção no que está sendo dito, de modo a conduzi-los à melhor compreensão de suas teses, ainda que dessa compreensão advenha a frustração de uma negativa.

Um exemplo ocorreu quando, assistindo a uma sustentação oral do saudoso advogado Sidney Safe no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ouvia-se múltiplas vezes: “… posso estar enganado…” ou “… no meu humilde entendimento…”, isso de um professor universitário, que chegara a ocupar o posto de Secretário de Segurança Pública Estadual, e após o término da exposição ouvir os Desembargadores renderem suas homenagens ao ilustre professor da UFMG e um deles pedir vista para reavaliar o voto que trazia sob os braços. Situações que entusiasmam qualquer advogado.

Então, sim. O direito tem esse mister artístico motivador de “arte do bem e do justo”. No Brasil, muitas vezes se pode deparar com pessoas analfabetas ou de pouca formação.

Com grande dificuldade para a compreensão do linguajar técnico jurídico. Traduzir essa linguagem para compreensão imediata do cidadão que procura o advogado é uma obrigação, para o aperfeiçoamento da cultura e da cidadania brasileira.

É, claro, sem abrir mão do mister artístico da profissão, que tem uma liturgia própria, e de sua liberdade na busca de justiça.

Será fácil constatar que muitas vezes ao findar a escuta das queixas do cliente e restituir-lhe a primeira impressão de seu caso, com as possibilidades processuais de resolvê-lo, ao indagar se o cliente entendeu, ele consente que sim.

Mas se solicitar que ele explique o que foi que entendeu, muitas vezes dirá “… entendi, não precisa se preocupar” ou “… o senhor é muito engraçado” ou “… então repete só pra eu memorizar os detalhes”. Assim, passo a passo, cliente a cliente, vai sendo firmando o exercício da cidadania.

Nem tudo são flores. As adversidades acontecem com mais frequência do que se pode confessar. Divergências cliente e advogado, advogado e promotor, advogado e juiz. Mas é possível trabalhar com dignidade e respeito.

Construir a cada conversa, a cada trabalho, em cada relacionamento que se estabelece ao longo da vida profissional, laços que são um privilégio para o advogado, que deve sim executar as liturgias da profissão, transmitindo sempre sua mensagem, para não deixar desaparecer de seu trabalho juntamente com o bem e o justo, o belo.

* Wagner Dias Ferreira é advogado criminalista.

Para mais informações sobre direito clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!



O dilema do reconhecimento da paternidade

O pedido de reconhecimento de paternidade muitas vezes é constrangedor para a mulher e assustador para o homem.


Doença mental adquirida no exercício profissional pode ser considerada acidente de trabalho

Alguns tipos de transtornos mentais podem estar relacionados ao ambiente de trabalho.


Os paradigmas legais da greve dos jogadores do Cruzeiro

Os jogadores do elenco profissional do Cruzeiro anunciaram no dia 13 de outubro que estão em greve por conta do atraso no pagamento dos salários.


Nova Lei de Improbidade Administrativa separa o joio do trigo

Recentemente seguiu para sanção presidencial o projeto de lei, aprovado pelo Congresso Nacional, que modifica substancialmente a Lei 8429/90, conhecida como a Lei de Improbidade Administrativa.


O falso dilema do IRPJ e CSLL sobre a Selic no indébito tributário

O Supremo Tribunal Federal vem adiando sucessivamente o julgamento do RE nº 1.063.187/SC, que em sede de repercussão geral, poderá decidir tema de grande importância para os contribuintes.


Licença e afastamento do servidor público: Como funciona?

Você já sabe que para o servidor público, existem várias leis e regras diferentes dos trabalhadores da iniciativa privada; por isso, é importante ficar atento a essas normas.


Fraudes podem diminuir a chance do Green Card

Advogado especialista em direito internacional, Daniel Toledo explica o que fazer ao suspeitar de problemas com o investimento.


Queda do WhatsApp pode gerar indenização aos usuários que tiveram prejuízo

Para o especialista em Direito do Consumidor, Marco Antonio Araujo Junior, comunicador instantâneo se enquadra como serviço pelo Código de Defesa do Consumidor.


Revista de empregados: os limites do poder diretivo e disciplinar do empregador

A relação de emprego tem características inconfundíveis.


O STF desprestigiado pelas ações políticas

Realmente, tornou-se um nefasto hábito, os políticos acionarem o Judiciário quando não conseguem bem encaminhar seus projetos ou perdem votações no âmbito do Legislativo.


Trabalho escravo da fé e a relação entre pastores e igrejas no Brasil

Os tribunais brasileiros estão recebendo uma série de ações de pastores e ministros de igrejas contra o chamado “trabalho escravo da fé”.


Embate entre condomínio e proprietário para locação por aplicativo vai parar no STJ

Para especialista, muitas vezes as multas condominiais aplicadas aos usuários da locação por aplicativo não são suficientes para coibir abusos.