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O Brasil deve um almoço a Roberto Jefferson?

O Brasil deve um almoço a Roberto Jefferson?

26/05/2020 Lucas Lanna Resende

Nos últimos dias, um artigo intitulado O Brasil deve um almoço a Roberto Jefferson, do advogado e ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Bady Curi, foi publicado neste espaço

Tenho total respeito e admiração pelo Dr. Bady, e até concordo com alguns de seus posicionamentos, no entanto, como parte integrante - e de certo modo insignificante - do “povo brasileiro”, não posso aceitar a sugestão de que o Brasil deva algo a Roberto Jefferson. 

Poucos se lembram, mas o atual presidente e quiçá dono do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ganhou projeção quando apresentou O povo na TV, no início da década de 1980, na TVS (atual SBT). Além de Jefferson, Sérgio Mallandro, Wagner Montes, Christina Rocha e Wilton Franco também apresentavam o programa que se dispunha a ajudar cidadãos que lá apresentassem seus problemas. O caso mais famoso - embora trágico - de O povo na TV foi a morte ao vivo de um bebê de nove meses. 

Graças ao showbusiness, Roberto Jefferson foi eleito deputado federal pela primeira vez, em 1982. Os primeiros anos de sua vida parlamentar passaram despercebidos. O deputado só ganhou os holofotes durante o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992. Na ocasião, Roberto Jefferson passou a ser conhecido como o “líder da tropa de choque de Collor”. 

Convém lembrar o motivo do impeachment do caçador de marajás. Em plena crise econômica, na qual a inflação chegava a 80% ao mês, Collor achou por bem confiscar o dinheiro da poupança dos brasileiros. Ao mesmo tempo, foram registrados desvio de dinheiro público para a construção dos jardins na residência oficial e o pagamento de vultosas despesas do casal presidencial. Os fatos ocorridos causaram indignação nos brasileiros, à exceção de Roberto Jefferson.

Sempre se posicionando à direita no espectro político-ideológico, o “líder da tropa de choque de Collor” deu uma leve cambaleada para a esquerda entre 2003 e 2005, quando se aliou a Lula. Sim, o mesmo Lula que foi condenado a 17 anos no caso do sítio de Atibaia. 

Com o mensalão, em 2005, Roberto Jefferson voltou a ganhar protagonismo. Ele denunciou um  esquema chefiado por José Dirceu para comprar apoio de deputados no Congresso. Nesse mesmo período, em diversas entrevistas, Jefferson isentou Lula e afirmou que o petista havia chorado ao saber da existência do esquema e que a prática do mensalão só havia cessado quando Lula teve conhecimento dos pagamentos. 

Ainda em 2005, Roberto Jefferson foi cassado sob a alegação de que mentiu em depoimento no caso do mensalão. 

Em 2012, o presidente do PTB foi condenado a 7 anos e 14 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) decorrente do mensalão. Apesar da sentença, ele ainda recebeu elogios de alguns ministros, que afirmaram “Roberto Jefferson prestou um grande serviço a nossa pátria”, foi um “réu colaborador” e “sem o que veiculado por Roberto Jefferson, o que teríamos?”.

Os elogios que alguns dos membros da corte teceram ao condenado talvez tenham sido os principais responsáveis pela associação equivocada da lisura ao caráter do ex-apresentador de O povo na TV. Roberto Jefferson, no entanto, não fez mais que obrigação ao denunciar uma prática criminosa que tinha conhecimento e que até fez parte, afinal fora condenado por corrupção passiva. 

Ademais, nos últimos meses, o presidente do PTB começou a se alinhar com o Planalto em troca de alguns cargos - movimentação que deveria ser vista pelos bolsonaristas como moralmente duvidosa, afinal, durante a campanha de 2018, Jair Bolsonaro condenou a política do “toma lá dá cá” e o centrão, grupo do qual o partido de Roberto Jefferson faz parte. 

No início de maio, o presidente do PTB afirmou em rede social que Bolsonaro, para se manter no cargo, “precisa de duas atitudes inadiáveis: demitir e substituir os 11 ministros do STF, herança maldita”. 

Seria este o salvador da democracia conforme insinuou o Dr. Bady em seu texto? Tenho minhas dúvidas.

Diante de tal portfólio, não é o Brasil que deve um almoço, jantar ou que quer que seja a Roberto Jefferson, e sim o contrário.

Lucas Lanna Resende é jornalista



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