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Uso de álcool faz mulheres passarem de vítimas a culpadas

Uso de álcool faz mulheres passarem de vítimas a culpadas

06/03/2008 Divulgação

Novo artigo divulgado pelo CISA aponta que mulheres vítimas de estupro têm mais probabilidade de levarem a culpa se tiverem consumido álcool.

Segundo pesquisa publicada na revista científica Addictive Behaviors e recém-divulgada pelo CISA - Centro de Informações sobre Saúde e Álcool -, em casos de estupro, a presença de álcool e o tipo de resistência usada pela mulher contra o violador podem afetar a percepção dos outros em relação ao "quanto" a vítima estava disposta a participar do ato.

 

Com base neste fato, o estudo "Rape blame as a function of alcohol presence and resistance type" teve como objetivo principal investigar e comparar o ponto de vista feminino e masculino a respeito de uma situação sexual ambígua. Além disso, a pesquisa avaliou se a percepção dos respondentes seria influenciada por suas características pessoais:

 

(a) expectativas quanto ao uso de álcool (especialmente quanto aos domínios de poder, dominação e satisfação sexual)

 

(b) padrão e quantidade consumida de álcool (diária, semanal e mensal), assim como o tipo de bebida preferido e,

 

(c) o ponto de vista sobre o papel social da mulher, ou seja, se conservador ou liberal

 

Para o estudo, foi selecionada uma amostra constituída por 213 respondentes (70 homens e 143 mulheres), de faixa etária entre 18 e 23 anos. Pediu-se aos participantes que avaliassem três situações da vida diária, apresentadas na forma de vinhetas (vídeo). Eles deveriam atuar como conselheiros de emergência no caso em que uma mulher acabara de sofrer um atentado. O uso de álcool pela mulher e o tipo de defesa dela contra o atentado foram tomados como variáveis aleatórias, cuja combinação gerou quatro situações possíveis:

 

(a) consumo alto de álcool/baixa resistência

 

(b) consumo baixo de álcool/baixa resistência

 

(c) consumo baixo de álcool/alta resistência

 

(d) consumo alto de álcool/alta resistência.

 

Em cada situação, os respondentes foram solicitados a julgar a responsabilidade da vítima pelo atentado.

 

Conforme os autores, de forma geral, os agentes do estupro são reconhecidos como errados e responsáveis pelo ato. Porém, a vítima é freqüentemente responsabilizada nas situações em que o uso de álcool está presente, de tal forma que se tem a percepção de que a mulher, ao beber, esteja sexualmente disponível.

 

Já quanto às características do respondente, independente se homem ou mulher, quanto mais conservador sobre o papel social da mulher, maior o rigor em julgá-la como ré do próprio estupro. Em contrapartida, o gênero (feminino ou masculino) do respondente e suas expectativas quanto ao uso de álcool não exerceram nenhum tipo de influência quanto ao julgamento da responsabilidade da vítima. Finalmente, quanto ao tipo de resistência usado pela mulher sexualmente abusada, não houve diferenças de julgamento, contrário ao que se esperava, já que quanto mais forte a evidência de resistência física, maior a probabilidade do atentado ser reconhecido como estupro e a mulher, como vítima.

 

Os autores não fizeram menção sobre possíveis associações entre o julgamento do respondente e seu padrão de uso de álcool.

 

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data para comemorar os feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher. No entanto, atualmente, a realidade enfrentada pelo sexo feminino ainda é preocupante. Além da violência ocorrida nas ruas, muitas mulheres sofrem agressões dentro de suas próprias casas e, muitas vezes, ainda recebem a culpa.

 

Título: Atribuição de culpa a mulheres que fizeram uso do álcool e foram vítimas de violência sexual

 

Título em inglês: Rape blame as a function of alcohol presence and resistance type

 

Autores: Calvin M. Sims, Nora E. Noel e Stephen A. Maisto

 

Fonte: Revista Científica - Addictive Behaviors 32: 2766-2775, 2007

 

Local da pesquisa: Departamento of Psychology, University of North Carolina Wilmington, United States



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