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Apagões e crise hídrica aceleram investimentos em energia limpa

Apagões e crise hídrica aceleram investimentos em energia limpa

22/01/2015 Divulgação

Fundos de private equity já estão de olho em empresas brasileiras de fontes renováveis de energia.

A necessidade de o Brasil voltar os olhos para as energias alternativas, como a solar e a eólica, é cada vez mais premente.

Vários fatores vêm favorecendo investimentos em energia limpa: colapso na captação de água; riscos no abastecimento e geração de energia elétrica, com ocorrência de apagões; aumento do consumo de energia devido ao calor; além da crescente pressão mundial contra as emissões de gases poluentes oriundos do petróleo, carvão e gás.

As empresas que compõem a cadeia de energia eólica e solar já sentiram o bom momento para expandir seus negócios e até os fundos de investimento se voltam para a expectativa de lucratividade do setor nos próximos anos.

“Parece que até agora padecemos de um imobilismo no planejamento energético. Ficamos acomodados, contando basicamente com as hidrelétricas. Mas o problema do baixo nível dos reservatórios de água e o risco de novos apagões mostram a urgência de se investir em fontes de energias alternativas, como a eólica e a solar. Por isso, empresas e investidores já estão de olho nesse futuro promissor”, destaca Rodrigo Bertozzi, CEO da B2L Investimentos S/A, especializada na mediação de negócios entre fundos e empresas.

O interesse em energias eólica e solar vem aumentando e deve ser ainda maior a partir de agora diante do acordo firmado recentemente entre os países – inclusive o Brasil – na Conferência do Clima (COP 20), no Peru, para reduzir as emissões de poluentes que causam o efeito estufa e o aumento das temperaturas no mundo.

“O acordo firmado em Lima e que deverá ser detalhado ainda este ano na COP 21, em Paris, sem dúvida vai ajudar no crescimento do uso de energia limpa no Brasil, o que vai beneficiar investimentos no setor, como já começamos a observar. Há boas perspectivas, diante da demanda crescente. Além disso, projetos de energia renovável têm um processo de implantação mais rápido, com a obtenção de licenças ambientais mais simples do que as térmicas e hidrelétricas”, informa a advogada Danielle Limiro, sócia da B2L, especialista em energia.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Abvcap), mais de 21% dos gestores estão com foco no setor de energia limpa; e o interesse já chegou também entre os fundos de venture capital.

“Investir em energia eólica e solar é cada vez mais promissor e, além disso, tem forte apelo social. É importante lembrar ainda que o avanço da tecnologia já possibilita ao setor a geração de uma energia limpa com muita eficiência”, afirma Limiro.

Hoje a energia gerada pelas hidrelétricas ainda corresponde a 80% da matriz energética brasileira, mas o Brasil já investe em fontes alternativas. A energia eólica é a que mais cresce atualmente, especialmente em estados do Nordeste. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), em seis anos a capacidade instalada deve aumentar quase 300%. O setor eólico deve passar dos atuais 3% da matriz energética brasileira para 8% em 2018.

O mercado de energia solar também já ganha visibilidade. O que mais se tem ouvido entre investidores, geradoras de energia e fabricantes de equipamentos é que “chegou a hora” da energia solar no Brasil. Em agosto passado, entrou em operação, em Tubarão (SC), a maior usina solar construída até agora no país, com capacidade para abastecer 2,5 mil residências. E o primeiro leilão de energia solar organizado em 2014 pelo Governo contratou 31 novos projetos, que devem gerar energia suficiente para abastecer mais de 900 mil residências.

Diante desse quadro, os casos de empresas de sucesso que estão surgindo no setor faz crescer a demanda por fundos com esse perfil, com especial atenção à cadeia de fornecimento de equipamentos de energia eólica.

“A indústria de private equity deve ter presença cada vez maior como fonte de investimento de capital para fomentar o crescimento das empresas de energias alternativas”, conclui o CEO da B2L.



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