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2021 – A ironia de mais um ano que ficará marcado na história

2021 – A ironia de mais um ano que ficará marcado na história

07/01/2022 Andréa Ladislau

Existe um elemento no ano de 2021 que imputou e promoveu uma verdadeira aposta de cancelamentos e desejos para que ele seja mais um ano apagado da memória de milhares de pessoas: A pandemia, que promoveu o desaparecimento definitivo de milhares de pessoas.

Sim, mais 365 dias indescritíveis. Para muitos, antes de seu fim ele já havia terminado, terminou praticamente logo após ter iniciado. Terminou diante de tantas dores e insegurança que assolaram o mundo.

Neste cenário é natural sentirmos um misto de sensações como: a ideia de finitude, emoções afloradas, a esperança pelo que o novo pode nos trazer de bom, com a entrada em uma nova fase da vida, além de angústias pinceladas de melancolia, saudosismos e depressão.

A famosa depressão de fim de ano que é decorrente de uma sensação de tristeza por revivermos na mente traumas passados ou um grande estresse ao longo dos últimos 365 dias.

Mas especialistas de saúde mental acreditam que essa depressão poderá ser ainda mais devastadora. O estresse pós-traumático provocado pela pandemia, associado a perdas de milhares de pessoas, certamente, irá proporcionar transtornos psíquicos jamais vistos em anos anteriores.

É na reta final de um ano que, naturalmente, paramos para pensar e fazer levantamentos sobre as nossas conquistas e perdas ao longo dos meses.

Nos enchemos de alegria com as transformações vivenciadas, mas também colecionamos expectativas frustradas e muita indignação e dor por lembrar daqueles que se foram. 

Além disso, aumentamos nossa culpa interna para justificar projetos ou idealizações em que não obtivemos o resultado esperado. Por isso, para muitos, o fim do ano assume muito mais um aspecto depressivo e triste do que festivo.

Desde 2020, quando teve início a pandemia, vivenciamos a limitação dos afetos paralisando o planeta. O decreto do distanciamento social e do isolamento, que fizeram com que o mundo vivesse algo inexplicável e sem precedentes.

A saúde psicológica da maioria das pessoas foi devastada, pois está diretamente ligada aos seus direitos de posse e às suas liberdades.

Ao tirar uma, ou as duas, as pessoas se desintegram emocionalmente. E é o que temos visto, já que estatísticas mostram um aumento considerável dos casos de transtornos mentais. Em poucos meses, o vírus matou milhões de pessoas. Milhares infectados.

Cientistas trabalhando incessantemente na conscientização das pessoas para que entendam que as vacinas podem ser a nossa salvação no êxito de contenção do vírus e de suas variantes.

A verdade é que, tanto 2020 quanto 2021, foram anos do mundo às avessas. Anos extremamente difíceis de descrever. Onde o seu fim tem sido intensamente desejado por muitos.

Claro que, devemos nos manter esperançosos e resilientes para 2022. Mas para aqueles que perderam integrantes da família, e alguns perderam até mais de um membro em um curto espaço de tempo, inevitavelmente, acabam alimentando sentimentos mais pessimistas.

Querem apenas o término de 2021. Querem deletar da memória todo um ano, mesmo que isso seja impossível de ser feito.

Mas é muito radical dizer foram anos perdidos. Anos que devem ser cancelados ou que não deveriam ter existido. Tivemos sim atrasos e retrocessos. Muitos projetos ficaram estacionados.

Mas também nos apresentaram transformações e adaptações em todos os campos da vida. O que vamos fazer com as lições que aprendemos de forma tão inusitada?

Apagamos e fingimos nunca ter ocorrido? Não podemos negar que foram anos de grandes aprendizados. Aprendemos a incluir em nossos dias um novo modo de viver.

Apesar das graves consequências sociais e emocionais da pandemia, vivenciamos gestos mais solidários. Pessoas que antes não olhavam para o lado, resolveram se mexer e ajudar, de alguma maneira, seu próximo.

O caos mostrou um novo jeito de viver que, através das redes sociais e do online, nos aproximou mais das pessoas que amamos e que, por vezes estávamos distantes.

Idosos estão mais inclusivos nas tecnologias e o contato foi facilitado por um mundo virtual que tomou novas proporções.

Artistas se reinventaram para levar sua arte para a população, assim como médicos e profissionais de saúde mental também aderiram à telemedicina, proporcionando mais conforto e segurança aos seus pacientes.

A colaboração com o próximo nunca foi tão intensificada. Exemplos empáticos se espalham pelo mundo. Ações louváveis, afinal cuidar é um ato glorioso que tende a tornar o mundo muito melhor.

A mudança na relação de higiene e cuidado, para se evitar doenças e promover uma melhor qualidade de vida, também se destaca dentro das novas rotinas.

Portanto, um dos pontos fortes foram as soluções encontradas para suportar o isolamento social estimulando a criatividade, o que demonstra que podemos adaptar a nossa capacidade de enfrentamento conforme o desafio proposto.

Percebemos, a duras penas, que o decreto das prioridades e o modo operandis da comunicação global, sofreram alterações drásticas, mas, ao mesmo tempo, muito favoráveis.

Estamos aprendendo a planejar horários e a desconstruir a necessidade de aceleração, com os quais os conceitos de autodisciplina e autocontrole estão sendo melhor canalizados. Parâmetros de uma nova realidade trazida pela pandemia.

Além disso, um outro ponto super positivo foi a conscientização e entendimento em relação à importância da saúde mental.

O número de pessoas em busca de atendimento psicoterápico foi ampliado de forma considerável. A valorização do autoconhecimento e equilíbrio emocional, proporcionados pela terapia, ficou evidente.

Porém, nossa capacidade em ser resiliente está sendo colocada à prova a todo momento. Estamos sendo desafiados a fortalecer nossa percepção de mundo, para que assim possamos lidar melhor com o invisível e com nós mesmos.

Visto que, tudo aquilo que foge ao nosso controle, certamente, poderá desencadear inseguranças, além de transtornos, neuroses psíquicas e desajustes em nosso organismo.

Mas constatamos, da pior maneira, que não temos o controle sobre nada. Descobrimos um novo universo que exige do indivíduo muito mais sanidade e equilíbrio, sem fugir da realidade. Gerando a necessidade de conciliar mundo interno com mundo externo de uma forma cada vez mais saudável.

Olhados por outro viés, muitos hábitos adquiridos em tempos de Covid-19, trouxeram a consciência do senso de urgência, o decreto das prioridades e a potencialização do senso de coletividade, como estratégias de contribuição para a evolução humana.

Tempos difíceis que contribuíram também para a aceitação e o reconhecimento dos nossos próprios limites, fortalecendo assim, as relações interpessoais.

Trazendo ao consciente as aplicações do senso de pertencimento, da comunicação e da união; excelentes aliados na proteção de nossa sobrevivência física e mental.

Enfim, não podemos negar que o ano de 2021 também mostrou um mundo diferente. Estamos num momento histórico, desafiador, inimaginável e, portanto, inesquecível, que marcará para sempre a todos que por ele passaram. É fato que, o ser humano se transformou, se não todos, a sua grande maioria.

A percepção de ruptura tem promovido a valorização dos detalhes e a busca por escolhas mais conscientes. Podemos administrar melhor essa sensação de impotência, que faz parte da condição humana, e fortalecer nossas esperanças em relação ao amanhã.

Que possamos juntar todos os aprendizados dos últimos meses e transformar em lições, entendendo que apesar de tudo, podemos gerenciar nossas emoções e promover o nosso bem-estar.

Levando para o próximo ano, as mudanças de hábitos e os novos posicionamentos, que nos faz ser mais fortes, mais empáticos, mais cooperativos e menos imediatistas.

Que possamos assim, valorizar mais os pequenos detalhes, os afetos e, dentro da evolução humana, acrescentar ingredientes apimentados de harmonia, leveza e, principalmente, responsabilidades.

Resgatando a esperança da chegada de um novo ano cheio de oportunidades e conquistas, com a chancela da plena certeza do nosso papel e de nossos valores, através de uma saúde mental equilibrada e saudável.

* Andrea Ladislau é graduada em Letras e Administração de Empresas, pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise Contemporânea. 

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Fonte: Lilian Lopes



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