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A construção de um novo oligopólio no Brasil

A construção de um novo oligopólio no Brasil

26/09/2014 Milton Favaro Junior

Decisão futura a ser tomada pelo governo pode criar um novo oligopólio na economia brasileira, pulverizando toda e qualquer concorrência e deixando a sociedade nas mãos de um pequeno grupo de empresas multinacionais.

Estamos falando do setor de pneus, um segmento que já conta com quatro processos por antidumping, válidos desde 2009, contra pneus de passeio, de carga (usados por caminhões e ônibus), motocicletas e bicicletas. Mesmo com as sobretaxas cobradas sobre os importados, essa indústria vem aplicando aumentos sucessivos de preços em seus produtos em patamares superiores à inflação.

Em 2013, a média de aumentos foi de 12,7% e até agosto deste ano já foram aplicados outros 9% de reajustes nos pneus de carga, o que representa uma taxa acumulada de 22,84% - e é grande responsável pelo elevado custo do frete de mercadorias no Brasil. O alvo da indústria nacional sempre foi a China – que já conta com processos de defesa comercial -, mas agora a intenção é sobretaxar a importação oriunda de outros seis países, sendo os novos eleitos pela indústria os pneus importados da África do Sul, Rússia, Coreia do Sul, Taiwan, Japão e Tailândia.

Essa sobretaxa que a indústria deseja vai afetar 20 marcas de pneus diferentes e representará um choque dos mais sérios para o equilíbrio da concorrência entre produtos, tecnologias, e, mais importante, em preços no setor, caso venha a ser aplicada. A grande questão a ser levada em consideração é se essas medidas vão melhorar as condições do mercado e se os preços dos pneus vão continuar subindo como já estão. O que preocupa é ver que o pneu de caminhão, que já tem taxa de antidumping quando é importado da China, agora terá taxa de antidumping quando é importado de mais seis países.

Nós da ABIDIP estamos mostrando paulatinamente ao governo que a indústria não quer apenas se defender atrás dos processos por antidumping, mas quer dominar o mercado de importação de pneus. Os dados são claros: de 2012 a 2013, as empresas que compõem a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos aumentaram suas importações de pneus de caminhão em 62%. Neste ano, elas já são responsáveis por 55% de todas as importações de pneus de carga para o Brasil.

Com as novas medidas protecionistas sobre mais seis países, a participação da indústria na importação desses pneus chegará a praticamente a 80%, fato que concretizará um oligopólio dentro da economia. Ao fazer isso, o governo estará dando para a indústria mais poder e será o responsável direto pelo fechamento de empresas importadoras, de truck centers e de revendas de pneus, além de gerar mais desemprego e reduzir o recolhimento de impostos oriundos da comercialização de pneus importados.

Tudo isso será feito para defender uma indústria que, ao invés de produzir localmente, importa 55% de todos os pneus usados por caminhões e ônibus que rodam no Brasil e promove aumentos de 22,84% nos preços, sem nenhum controle governamental.

*Milton Favaro Junior é diretor-executivo da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP).



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