Portal O Debate
Grupo WhatsApp

A formação educacional e o mercado de trabalho

A formação educacional e o mercado de trabalho

02/05/2018 Luis Antonio Namura Poblacion

Enfrentar um mercado de trabalho em constante mutação é o desafio da novas gerações.

Somado a isso, é preciso conhecimento e estrutura para enfrentar as crises cíclicas na economia, que afetam diretamente o emprego. As comemorações pelo Dia do Trabalho estão chegando e me levam a confirmar a importância fundamental de uma boa formação educacional em um país que atualmente registra quase 13 milhões de pessoas desempregadas.

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que 13,7% dos adultos que não concluíram o Ensino Médio ficaram desempregados; enquanto que entre os que têm nível superior completo, este índice foi de apenas 5,3%.

Isso comprova que a taxa de desemprego de indivíduos que interromperam seus estudos na educação básica foi quase o triplo da registrada entre aqueles que terminaram uma faculdade. Os índices são preocupantes. Mais da metade dos adultos brasileiros não chegam ao Ensino Médio. E falta mão de obra qualificada.

Para piorar, o país não investe no Ensino Profissional. Sem educação de qualidade, a parcela mais pobre do país não tem acesso a um bom emprego. Sem falar no retrocesso: programas educacionais como o FIES tiveram as vagas reduzidas e o MEC encerrou o programa Ciência Sem Fronteiras na modalidade de cursos para graduação.

Aliado à falta de apoio governamental para a Educação, vivemos em um país com extrema desigualdade social, com altas taxas de violência e serviços básicos precários, fatores que influenciam diretamente no tempo de escolaridade.

Muitas vezes a necessidade do sustento fala mais alto do que os livros e cadernos. Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostra que a média de escolaridade no Brasil é de apenas 7,8 anos.

Muito se fala sobre a reforma do Ensino Médio, que é realmente necessária. No entanto, as deficiências encontradas nos anos finais da educação básica – e que trazem por consequência dificuldades de ingresso na faculdade e no mercado de trabalho – são oriundas, na maioria das vezes, da má formação dos alunos lá atrás, no Ensino Fundamental, que é quando se começa verdadeiramente o aprendizado das diversas disciplinas em sala de aula.

Aí está o cerne do problema. Para ingressar no Ensino Médio e ter um bom desempenho, crianças e adolescentes precisam primeiro ter passado por um Ensino Fundamental de qualidade. É verdade que uma melhora vem acontecendo, a passos lentos, mas vem.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) tem apresentado médias crescentes ao longo dos anos. Em 2015, por exemplo, a média das notas nos anos iniciais do Ensino Fundamental ficou em 5,5, ultrapassando a meta que era de 5,2. É pouco ainda, mas já indica um avanço.

Não há receita de bolo, ou melhor, existem várias receitas, mas falta o principal: o comprometimento do Governo com a Educação. Para começar uma mudança profunda, não se pode deixar de fora aqueles que exercem o papel mais importante em todo o processo de transmitir conhecimento às nossas crianças: os professores.

Alguns deles, também, são mal formados. O censo do MEC mostrou que 15% dos docentes da Educação Básica não têm ensino superior. Desmembrando esse número, vemos que na Educação Infantil, 6,2% dos professores estudaram somente até o Ensino Fundamental e 18,1% não terminaram nem o Ensino Médio.

Já no Ensino Fundamental, 3,7% dos professores que estão lecionando não terminaram nem o Ensino Médio e 5% deles estudaram só até essa etapa. Cursando o ensino superior, são apenas 6% dos educadores. As prefeituras, responsáveis por 61,3% das escolas brasileiras, têm que arregaçar as mangas!

É preciso oferecer cursos de formação e atualização para nossos educadores, dando condições para que eles desenvolvam aulas mais completas e ricas de conteúdo, tendo, inclusive, a tecnologia como aliada.

Eles precisam ter acesso a uma metodologia atualizada de ensino, moderna e instigante, que contribua não só para transmitir os conteúdos didáticos tradicionais, mas que desenvolva também nos alunos a criatividade, a vontade de ler e de buscar novos conhecimentos, habilidades cognitivas e socioemocionais fundamentais para prepará-los como cidadãos e para o novo mundo do trabalho.

* Luis Antonio Namura Poblacion é Presidente da Planneta; Engenheiro Eletrônico pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica; com especialização em Marketing e Administração de Empresas e MBA em Franchising. Atua na área de educação há mais de 35 anos.

Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada 



Gestão empresarial e perspectivas para 2022

Após mais um ano de pandemia, a alta administração das empresas priorizou a sobrevivência enquanto teve de lidar com expectativas frustradas.


O que a pandemia nos ensinou sobre fortalecer nossas parcerias

A pandemia da COVID-19 forçou mudanças significativas na operação de muitas empresas.


O barulho em torno do criado-mudo

Se você entrar agora no site da Amazon e escrever (ou digitar) “criado-mudo”, vai aparecer uma resposta automática dizendo que você não deve usar essa expressão porque ela é racista.


Reputação digital: é possível se proteger contra conteúdos negativos

O ano é 2022 e há quem pense que a internet ainda é uma terra sem lei. A verdade é que a sociedade avançou e o mundo virtual também.


Questão de saúde pública, hanseníase ainda é causa de preconceito e discriminação

Desde 2016, o Ministério da Saúde realiza a campanha Janeiro Roxo, de conscientização sobre a hanseníase.


Desafios para o Brasil retomar o rumo

A tragédia brasileira está em cartaz há décadas.


Mortes e lama: até quando, Minas?

Tragédias no Brasil são quase sempre pré-anunciadas. É como se pertencessem e integrassem a política de cotas. Sim, há cotas também para o barro e a lama. Cota para a dor.


Proteção de dados de sucesso

Pessoas certas, processos corretos e tecnologia adequada.


Perspectivas e desafios do varejo em 2022

Como o varejo lida com pessoas, a sua dinâmica é fascinante. A inclusão de novos elementos é constante, tais como o “live commerce” e a “entrega super rápida”.


Geração millenials, distintas facetas

A crise mundial – econômica, social e política – produzida pela transformação sem precedentes da Economia 4.0 coloca, de forma dramática, a questão do emprego para os jovens que ascendem ao mercado de trabalho.


Por que ESG e LGPD são tão importantes para as empresas?

ESG e LGPD ganham cada vez mais espaço no mundo corporativo por definirem novos valores apresentados pelas empresas, que procuram melhor colocação no mercado, mais investimentos e consumidores satisfeitos.


O Paradoxo de Fermi e as pandemias

Em uma descontraída conversa entre amigos, o físico italiano Enrico Fermi (1901-1954) perguntou “Onde está todo mundo?” ao analisarem uma caricatura de revista que retratava alienígenas, em seus discos voadores, roubando o lixo de Nova Iorque.