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A hora da verdade

A hora da verdade

16/12/2008 Divulgação

Parece cena de "O Mentiroso", filme em que o personagem de Jim Carrey de uma hora para outra começa a falar a verdade compulsivamente.

A vida imitou a arte. Segunda-feira passada, a General Motors publicou anúncio nos principais jornais americanos, admitindo ter decepcionado e até traído seus consumidores. Sei do que a GM está falando. Recentemente, pela primeira vez na vida, adquiri um veículo Chevrolet. E fiquei impressionado com alguns resquícios de carroça que o meu Astra possui. Na primeira semana de uso, o carro já me deixou na mão. Ao estacionar em um shopping-center, esqueci de apagar as lanternas. Resultado: acabou a bateria. Nunca antes na minha história tive um veículo em que o sistema elétrico não seja cortado automaticamente quando se desliga as chaves da ignição. O carro tem air-bag, freios ABS e, entre outras modernidades tecnológicas, computador de bordo; mas - acredite quem quiser - fica sem bateria à menor distração de seu motorista.

Tem mais: na cidade, faz apenas seis quilômetros por litro de gasolina. Passaram-se mais de 30 anos e o "moderno" veículo da Chevrolet continua consumindo combustível igual ao velho Opalão. É fácil, entender, portanto, meus poucos mas bons leitores, por que a GM está falida nos EUA. Sua postura de vir a público e dizer a verdade, entretanto, soa - perdão pela palavra - alvissareira. Imaginem se a moda pega e, de repente, como no filme de Jim Carrey, todo mundo resolve começar a falar a verdade. A Phillip Morris pediria desculpas a seus consumidores por tê-los matado de câncer; a Ambev pelas mortes por cirrose e acidentes de trânsito; o Mc Donald's pela obesidade mórbida e os ataques cardíacos. Na propaganda no horário eleitoral gratuito, o candidato adotaria o slogan: "Vote em mim que preciso me arrumar".

Quem sabe, até o presidente Bush viria à televisão dizer que mentiu sim e que a Guerra do Iraque foi provocada só para alimentar o complexo industrial militar-bélico dos Estados Unidos e garantir para si a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Nessa onda, o presidente Lula deixaria de minimizar a atual crise mundial e declararia peremptoriamente: "Companheiros, a gente sifu". O perigo seria se todos nós, mortais comuns, fôssemos contaminados por esse surto de franqueza. Iríamos parar de rir das piadas sem graça de nossos chefes e, nas festinhas de aniversário, desabafar: que filhos chatos você tem, chefe! Quando a namorada, toda romântica, perguntasse ao namorado sobre o que ele mais gostou nela, receberia a resposta curta e direta: sua bunda. A mulher, à noite, na cama, no calor da ardente transa, sussurraria para o excitado marido: "Ai, ai, vem, vem, benzinho, que eu estou fingindo..." Pensando bem, não ia dar certo.

*José Luiz Teixeira é jornalista e editor do blog Escutazé! (www.escutaze.com.br)



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