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A incidência, diagnóstico correto e a prevenção do câncer hereditário

A incidência, diagnóstico correto e a prevenção do câncer hereditário

09/09/2016 André Márcio Murad

Estudos mais recentes apontam que os fatores hereditários são a causa de cerca de 32% dos casos de câncer.

O câncer é causado em 60% a 70% dos casos por fatores ambientais, que são classificados em químicos, físicos e biológicos.

Como agentes químicos, destacam-se o tabaco; a dieta inadequada (dieta rica em gordura e proteína animais, hipercalórica, com excesso de carnes vermelhas e pobre em produtos vegetais, como legumes, verduras, frutas e grãos), o álcool, alguns medicamentos e vários agentes ocupacionais, como solventes orgânicos, anilina, asbesto, além de fuligem de motores movidos a combustíveis fósseis, e agrotóxicos e pesticidas.

Como agentes físicos, destaca-se a exposição à luz solar e à irradiação ionizante, como a exposição ao radônio, equipamentos de radioterapia ou compostos radioativos. Como agentes biológicos, destaca-se a infecção pelos vírus HPV (câncer de colo uterino) e o das hepatites B e C (câncer de fígado) e pela bactéria Helicobacter Pylori (câncer de estômago).

Já os fatores genéticos podem ser responsáveis por cerca de 32% dos casos, como sugerem os últimos estudos, que utilizaram a avaliação de casos de câncer de milhares de gêmeos de países nórdicos. Até recentemente, supunha-se que a hereditariedade seria responsável por apenas 10 a 12% dos casos de câncer.

Entretanto, estudos recentemente publicados mostram que a incidência de câncer hereditário chega a 32% dos casos. Um estudo recente publicado na prestigiada revista médica JAMA que acompanhou 200.000 gêmeos univitelinos e bivitelinos nórdicos por um período médio de 32 anos demonstrou que a incidência de câncer hereditário foi de 32% e os tumores mais relacionados foram de próstata, pele (incluindo o melanoma), ovário, rim, mama, intestino e útero.

A suspeita de síndromes genéticas de predisposição ao câncer deve ser feita sempre quando houver vários casos de um mesmo tipo ou tipos variados de câncer em parentes de uma mesma família e ocorrendo em idade abaixo de 55 anos.

A importância do diagnóstico correto é que as mutações geradoras das síndromes genéticas de predisposição ao câncer podem ser avaliadas através do estudo das tendências familiares de cada pessoa e principalmente de modernos exames genéticos realizados de material retirado da saliva, que detectam estas mutações nos genes específicos, responsáveis por estes tipos de câncer.

Tal identificação é vital na prevenção e no diagnóstico precoce destes tumores, o que propiciará medidas preventivas, de rastreamento periódico (que pode incluir exames clínicos, endoscópicos e radiológicos) e até mesmo cirúrgicas, como a remoção profilática do intestino grosso, tireoide e mesmo ovários e mamas, nos casos indicados.

Estes exames estão disponíveis em vários laboratórios do país, inclusive em Belo Horizonte, e vários são cobertos pelos planos de saúde, sendo que existe um projeto de lei de autoria da Deputada Carmem Zanotto, que pretende obrigar o Sistema Único de Saúde (SUS) a cobrir o exame de Detecção de Mutação Genética dos genes BRCA 1 e BRCA 2 em mulheres com histórico familiar de diagnóstico de câncer de mama ou ovário.

Estes testes já são oferecidos pelo SUS no estado do Rio de Janeiro, através da sanção da lei chamada de "Angelina Jolie".

* André Márcio Murad é Oncologista, Professor, Pesquisador e Coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG e da Clínica Personal – Oncologia de Precisão e Personalizada.



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