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A independência dos EUA e do Brasil

A independência dos EUA e do Brasil

14/09/2016 Benedicto Ismael Camargo Dutra

Os administradores da república têm que buscar o que seja melhor para o Brasil.

O norte dos Estados Unidos foi ocupado por protestantes europeus, principalmente ingleses, que fugiam das perseguições religiosas.

O seu objetivo era o de transformar a região num próspero lar para a habitação de suas famílias, onde pudessem viver em paz e se desenvolver de forma humana com liberdade, sendo a economia baseada no comércio, trabalho livre, pequenas propriedades e produção para o consumo do mercado interno.

No sul estabeleceu-se uma economia predatória, baseada no latifúndio, mão de obra escrava, produção para a exportação para a Inglaterra e monocultura. Em 1776, os colonos cansados da exploração e despotismo se reuniram com o anseio de conquistar a independência.

Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Porém, a Inglaterra não aceitou pacificamente declarando guerra, a qual durou seis anos. Abraham Lincoln proclamou a abolição da escravatura em 1863 e em 1865 foi assassinado.

O Brasil seguiu a sina colonialista do sul americano, subordinando-se inteiramente aos interesses de Portugal que via a colônia como fonte de riquezas. Com a crescente exploração, surgiu entre os aqui nascidos o anseio de liberdade.

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes do país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Pouco se menciona, nos registros históricos, sobre a brilhante e decisiva atuação da imperatriz Dona Leopoldina, que chegou ao Brasil em 1817.

Em 1822, quando Dom Pedro viajava para apaziguar conflitos separatistas em São Paulo, Leopoldina foi nomeada chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina, com todos os poderes legais para governar. O grande poder de decisão e perseverança de Leopoldina influenciou o fortalecimento do anseio pela liberdade, culminando com o famoso grito da Independência.

No entanto a estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou concentrada, e ao ser promulgada a Lei Áurea em 1889, o Imperador D. Pedro II foi banido e com isso foi imposta a república que descuidou da escolarização, moradia e empregos para os libertos do trabalho escravo.

O sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no céu da pátria, mas faltou preparo para a vida. A indolência e o comodismo têm mantido o Brasil estagnado econômica e espiritualmente. Os dias de alegria intuitiva ficaram no passado. O Brasil também está colhendo o que foi semeado.

Para voltar aos dias felizes é preciso retornar à espiritualidade, à essência real da vida. Necessitamos de sustentabilidade da natureza e da população apta e disposta a receber boa educação. A economia globalizada se tornou interdependente e não dá para ficar isolado nessa nova ordem.

Os administradores da república têm que buscar o que seja melhor para o Brasil, pois os interesses externos se impõem com força ou propina. A questão é que eles continuam buscando o máximo de vantagens para satisfazer aos próprios interesses.

É imprescindível libertar-se da dependência financeira e dar impulso à economia minguada com o aproveitamento dos recursos e da mão de obra existentes, para que a produção possa girar nos mercados interno e externo. O mundo adentra na fase do salve-se quem puder e ainda nos encontramos fragilizados, sem adequado preparo para a vida e sem metas que envolvam toda a população na busca da melhora; assim corremos o risco de retroceder.

De todos os lados, o que se fortalece é o pessimismo e a insensatez. Esperemos que a nova equipe no governo, a classe política e a classe empresarial se entrosem, e busquem a superação e a libertação efetiva, trazendo de volta o bom senso, a ética e a esperança, unindo a população em torno da busca de melhor futuro para o Brasil.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP.



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