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A inflação pode ser um aliado

A inflação pode ser um aliado

05/07/2022 Henri Navesuh

Variação indigesta para os consumidores também pode significar bons rendimentos para investidores.

A inflação pode ser um aliado

Afinal de contas, a inflação é um inimigo ou um aliado da economia? Se fizermos esta mesma pergunta a dez pessoas, é provável que todas confirmem que se trata de um inimigo. Sobretudo porque o principal efeito da inflação é a diminuição do poder de compra do consumidor. Nós sentimos a pressão sobre os preços quando estamos no supermercado, na farmácia, no restaurante ou numa loja de roupas.

A melhor forma de calcular com exatidão o tamanho desse impacto é observando a variação do IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo. O IPCA é a régua do IBGE que mede, oficialmente, a inflação no país todos os meses. Essa medição é feita com base numa pesquisa de preços de diversas categorias de produtos e serviços, dentre elas as de alimentos e bebidas, despesas pessoais, habitação, saúde e cuidados pessoais e educação.

No último mês de maio, por exemplo, as categorias monitoradas pelo IPCA sofreram um aumento médio de 0,47% nos preços. Se somarmos esse aumento aos dos meses anteriores, conseguimos observar que a inflação acumulada em 2022 foi de 4,78%, enquanto o percentual acumulado entre junho do ano passado e maio deste ano foi de 11,73%. Este índice é, portanto, o tamanho da nossa inflação nos últimos 12 meses.

Até agora falamos do lado ruim da história. Mas essa variação indigesta também pode significar bons rendimentos. Tudo depende do ângulo que se procura enxergar. Muitos investidores, principalmente os pequenos, vêm descobrindo que há ativos disponíveis no mercado que tem o rendimento atrelado ao IPCA somado a um cupom de juros, o que garante ganho real sobre a inflação. Quando o IPCA sobe, o rendimento também sobe. Se o IPCA cai, o rendimento segue a mesma tendência de queda. Com um adendo: o investidor dificilmente terá prejuízo.

Os principais investimentos atrelados ao IPCA são os títulos públicos, NTNB’s (o chamado Tesouro IPCA+), emitidos pelo governo federal. Basicamente, comprar esses papéis significa emprestar dinheiro à União, em troca de um rendimento previamente estabelecido, adicionado à variação do IPCA. Mas também há opções de títulos de renda fixa emitidos pelos bancos, que atendem por siglas como CDB, LCI e LCA, papéis de empresas que são as Debêntures, inclusive existem as Debêntures Incentivadas que são isentas de imposto de renda para Pessoas Físicas e opções de fundos de investimentos atrelados a inflação e Debentures Incentivadas (esses fundos também são isentos de IR para pessoa Física)

Essas são algumas formas de alcançar um rendimento considerável num cenário mais inflacionário como atualmente o Brasil está passando. É claro que isto não significa que torcemos para o aumento da inflação. Os impactos negativos tendem a falar mais alto diante da perda do poder de compra que atinge sobretudo à população mais pobre. Porém entender essa dinâmica é fundamental para fazer seus investimentos terem retornos adequados.

Texto: Lucas Oliveira - assessor de investimentos e head de produtos da Atrio Investimentos

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Fonte: Naves Coelho Comunicação



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