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A saída dos Estados Unidos e de Israel da UNESCO

A saída dos Estados Unidos e de Israel da UNESCO

24/10/2017 Karina Stange Calandrin

O apoio estadunidense foi recebido pelo governo israelense com euforia.

A saída dos Estados Unidos e de Israel da UNESCO

Os governos dos Estados Unidos e de Israel declararam que irão se retirar da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), alegando que a organização seria anti-Israel.

Este pensamento advém da última votação da UNESCO relacionada à natureza cultural, histórica e legal da cidade de Jerusalém em relação aos israelenses, negando-lhes ligações de qualquer tipo com a cidade igualmente sagrada para as três maiores religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo).

A decisão dos Estados Unidos e de Israel de deixar a UNESCO foi feita ao mesmo tempo em que a agência elegeu sua nova diretora-geral, Audrey Azoulay. O apoio estadunidense foi recebido pelo governo israelense com euforia.

Não só o Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, como Avi Gabbay, presidente do partido União Sionista, maior representante da esquerda, rapidamente publicou uma declaração de apoio à decisão dos Estados Unidos; Tzipi Livni, do mesmo partido, também declarou apoio, e juntos provaram que, hoje em dia, não há oposição em Israel sobre esta matéria.

Apesar de o governo israelense estar contente com a iniciativa estadunidense, é preocupante Israel depender politicamente e estrategicamente do governo imprevisível de Donald Trump. Também é preocupante pensar que os Estados Unidos estão prestes a abandonar uma importante agência internacional apenas por causa de Israel - um passo não teria tomado para nenhum dos seus demais aliados, nem a Grã-Bretanha, nem a Alemanha, nem o Japão, nem a Coreia do Sul, se estivessem em uma situação semelhante.

E não é menos embaraçoso que, sob a influência de Israel, o acordo com o Irã, uma das conquistas internacionais mais importantes dos últimos anos, poderia entrar em colapso. A UNESCO tem sido muito crítica a Israel, como todas as agências internacionais. Mas, na maioria dos casos, suas críticas eram relevantes e adequadas.

Jerusalém oriental é de fato um território ocupado, como é a Cisjordânia, não importa o quanto Israel tente negar. Entretanto, em um dos casos a UNESCO falhou seriamente: quando ignorou a conexão judaica com o Muro das Lamentações. A organização deveria ter sido repreendida por isso.

Mas ao longo dos anos reconheceu seis locais em Israel como Patrimônios da Humanidade (Massada, Cidade Branca de Tel Aviv, Acre, Cidades no Deserto do Negev, Centro Mundial Baha´i em Haifa e as cavernas de Maressa) reconhecimento que trouxe honra e turistas.

Apesar de parecer que a atitude dos Estados Unidos é positiva para Israel, e até mesmo interpretada como tal pelo governo israelense, na verdade está prejudicando o país e o tornando um pária no Sistema Internacional, já que não possui muitos aliados além dos Estados Unidos e a cada dia é mais criticado nos organismos internacionais por suas políticas em relação aos palestinos.

O que podemos esperar para o futuro? Talvez uma saída conjunta das Nações Unidas? Israel é um Estado pequeno que, apesar de atrair muita atenção internacional, não tem força militar, política ou econômica suficiente para alterar o status quo do Sistema Internacional sozinho - não podemos esperar que o governo errático de Donald Trump esteja sempre ao seu lado - e atitudes como se retirar de grandes organismos internacionais apenas o isolam ainda mais.

Tão equivocada quanto a decisão da UNESCO em negar a ligação dos judeus com Jerusalém foi a deliberação estadunidense e israelense em deixar o órgão. Estas disputas que se dão em campos aparentemente supérfluos escondem problemas geopolíticos ainda maiores, sobretudo o conflito territorial israelo-palestino.

* Karina Stange Calandrin é Doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (UNESP - UNICAMP - PUC-SP) na área de concentração Paz, Defesa e Segurança Internacional.



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