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A Vez e A Voz do Brasil

A Vez e A Voz do Brasil

22/12/2008 Divulgação

A montagem da equipe de Barack Hussein Obama já caminhou o suficiente para conferir clareza a recentes eventos.

A manutenção de Robert Gates como secretário de Defesa e a indicação de Hillary Clinton para a Secretaria de Estado; a grande parcela de conselheiros e auxiliares próximos com posições conhecidas de ‘direita’ e ligados a institutos recheados de falcões e neocons; o avanço da retórica belicista acima e além das conversações com o Irã (já estabelecidas como algo que irá ao fracasso e criará o cenário ideal para sanções de maior gravidade como bloqueio naval e, posteriormente, a guerra); o volume notável de elogios a BHObama partidos dos mais conhecidos arcanos da ‘linha-dura’ do regime, como Richard Perle; os editoriais conservadores do Washington Post aplaudindo as escolhas; a promessa de ampliar o teatro da guerra no Afeganistão, numa região incendiada perigosamente com o arrastamento da Índia pela mão do terrorismo para o cenário do “arco de crises” liderado e fabricado por EUA-UK; a não-ocorrência até agora de uma só nomeação por BHObama que possa ser identificada a posições ‘progressistas’; tudo isso aponta para um horizonte de mais guerra e mais políticas de guerra.

As soluções estão à espera de idéias e lideranças. A grave crise do capitalismo detonada pelos banksters, com colaboração apreciável de governos como os de Reagan, Clinton, Ford, Bushs e suas desregulamentações financeiras, encontrou início de encaminhamento mundial das novas fórmulas de equilíbrio das finanças e das moedas no G20, cuja reunião recente, embora cosmética, serviu para o anúncio de que grupos vão ocupar-se de sugestões para a próxima reunião em março de 2009. Do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), países com grandes territórios e economias poderosas, só o Brasil vem limitando sua voz à participação em foros internacionais e articulações de emergência na América Latina, como na recente crise da invasão do território do Equador por militares colombianos.

A China mantém intensa atividade diplomática, mal noticiada pela imprensa grande pelo antigo desinteresse ocidental pelo Oriente e também graças à eficiência do  trabalho silencioso do Estado chinês. A Rússia, sentada em mares de petróleo e gás e articulada em nível regional na militar CSTO e na Shangai Cooperation Organization (Rússia, China, Casaquistão, Uzbequistão, Turcmenistão e Tadjiquistão), e dona de grande parte da hinterlândia imensa que liga Oriente e Ocidente, aparenta ter futuro garantido como exportador de energia e centro de comércio mundial. Sua resposta fulminante ao espumante presidente da Georgia, armado e dirigido por conselheiros militares euamericanos e israelenses,  redefiniu as grandes linhas estratégicas do momento. Na União Européia, a França adiantou-se e assumiu papel de proa como interlocutor entre UE e Rússia e proponente de mudanças no sistema financeiro global.

Alemanha, Reino Unido e Itália, mesmo atingidas em cheio pela crise, mantêm suas posições sólidas nos meios internacionais. Dos países com economia acima do trilhão de dólares, só o Brasil ainda não se fez presente. A situação e a posição do Brasil são especiais para o mundo que se anuncia. Acha-se, ao menos potencialmente, imune às três grandes crises setoriais, de alimentos, de água e de petróleo. O país tem suficientes terras agricultáveis e muito sol, apenas precisa corrigir a excessiva ênfase no agribusiness e fortalecer  as pequenas e médias empresas agrícolas, plantadoras de alimentos. As recentes descobertas de gigantescas jazidas no pré-sal estenderam expressivamente as reservas de petróleo além de patamares de sossego.

A presença de água em abundância, embora mal distribuída no território, significa distância daquele que em breve será o problema número um do século, a carência de água para consumo humano (10%), usos industriais e variados (20%) e agricultura (70%). Mas há um campo em que o Brasil pode fazer avultar sua presença, com peso de outros fatores fora dos expressos em números e quantidades favoráveis: o campo da paz. Num mundo conflagrado, e mesmo às voltas com conflitos sociais internos, o Brasil apresenta-se como o país pacífico cuja última guerra, conhecida entre nós como ‘Guerra do Paraguai’ (abstraída a pequena participação na Segunda Guerra), deu-se há cerca de 140 anos. O Brasil tem cacife no jogo geopolítico internacional como campeão da paz. Faltam as iniciativas. Na América Latina, a Costa Rica é modelo de paz e equilíbrio. Sua Constituição proíbe forças armadas, e apenas a Guarda Nacional tem soldados.

No mundo, só países pequenos não contam com forças armadas, e sua defesa fica a cargo de países armados: Andorra (França e Espanha), Islândia (EUA), Liechtenstein (Suíça), Mônaco (França), Vaticano (Itália), Timor (Austrália, Portugal e ONU), San Marino (Itália), e poucos outros. Três países são tradicionalmente neutros: Suíça, Áustria e Turcmenistão.  O caso do Turcmenistão é ilustrativo e simbólico, por evidenciar que, mesmo situado na mais conturbada região do planeta, com fronteiras divididas entre Afeganistão, Uzbequistão, Irã e Casaquistão, o país mantém estatuto de neutralidade; é o único que até hoje teve sua neutralidade reconhecida pela Assembléia Geral da ONU, em 12 de dezembro de 1995, data comemorada no país com feriado nacional. O primeiro passo do Brasil poderia ser uma Declaração Universal de Neutralidade perante a Assembléia Geral.

Alicerçado em sua longa tradição de paz, o gesto contribuiria para o reforço das credenciais do país como pacificador e árbitro de conflitos. Com seu peso político e econômico além dos seus sabidos potenciais, o Brasil poderia então passar a exercer intensa atividade diplomática para a busca da solução de conflitos e a aproximação entre litigantes. O único possível óbice seria a existência de países com os quais não mantém relações diplomáticas. Mas, mesmo sem relações diplomáticas com Taiwan, por exemplo, por reconhecer a República da China, o Brasil alaimenta extensas relações comerciais de parceria e abriga um escritório de representação de Taiwan que funciona como embaixada. Os exemplos do Turcmenistão e do Brasil poderiam estimular outros países, povos e nações a posições de neutralidade oficial, o que seria um reforço ao amplo movimento pela paz e o desarmamento a cada dia mais urgente.

E, na cena internacional hoje posta na mesa, agravada pela decepção que significou, significa e significará a falsificação da figura e do papel de BHObama, vendido pelos poderes e pela mídia grande que o serve como salvador e redentor, abre-se o nicho da paz, na esperança de condutores de peso. Na era contemporânea, com seu passado de colônia, nunca de algoz, seu século e meio de vida pacífica e sua imagem de país de integração, o Brasil tem sua posição de líder de processos de pacificação e desarmamento, mais que possível, exigida pelas circunstâncias. As tendências atuais no Brasil apontam para caminhos divergentes. A criação da Secretaria de Assuntos Estratégicos vem significando reorientação de políticas em cinco campos principais, entre eles o da defesa.

A proposta elaborada com supervisão do ministro Mangabeira Unger, que será apresentada ao governo este mês, pretende reorganizar as forças armadas e retornar o país ao papel de grande produtor de armamento. O ministro pretende ações legítimas como auto-suficiência em matéria nuclear, espacial e cibernética, mas projeta problemas futuros a título de “incremento de atividades destinadas à manutenção da estabilidade regional” e integração da cadeia produtiva de armamento com vizinhos latino-americanos. A leitura das propostas da Estratégia Nacional de Defesa da SAE deixa ao final a percepção do país como ‘potência militar regional’, pronta para continuar a reprodução de erros milenares. São caminhos velhos que devem ser abandonados com rapidez: a necessária reorientação da função das forças armadas não implica insistir nos rumos que têm levado o mundo a viver em perigo permanente de destruição.

A questão da água, que já é crítica em mais de 50 países; a questão da inevitável proliferação nuclear; a insolúvel teia de aranha das relações entre um Ocidente xenófobo e carregado de preconceitos e um mundo muçulmano armado com armas sofisticadas e sentimentos de revolta; o definhamento da produção de petróleo após atingido o ‘peak-oil’; a falência financeira global; a necessidade de alçar continentes e populações a condições mínimas de vida digna; o enfrentamento da grave e complexa crise geral ambiental; e muitos outros pesadelos que nos assombram; tudo isso exige PAZ como substrato. Já há muitos eleitos, como BHObama, e não-eleitos, como o rei Abdullah da Arábia Saudita, fazendo o que sabem fazer: guerra. A paz e o desarmamento, com ênfase na extinção de armas nucleares, são a única opção de garantia de futuro para o planeta e os seus transitórios povoadores.



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