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As respostas do campo às crises econômica e ambiental

As respostas do campo às crises econômica e ambiental

25/04/2009 João Guilherme Sabino Ometto

"O Brasil está-se movendo em direção à independência energética, através da expansão de fontes alternativas, como hidroeletricidade, etanol e biodiesel. A produção de etanol proveniente da cana-de-açúcar é sustentável em termos financeiros e ambientais, além de não afetar o cultivo de alimentos".

Esta vantagem competitiva, inúmeras vezes explicitada, em nosso país, por especialistas e representantes do governo e da iniciativa privada, seria redundante caso não fizesse parte do estudo "Baixas Emissões de Carbono, Alto Crescimento: A Resposta da América Latina para a Crise", que acaba de ser divulgado pelo Banco Mundial (Bird). Trata-se, assim, do reconhecimento de um dos mais respeitados organismos multilaterais de que os biocombustíveis e a energia de fontes agrícolas renováveis, conforme se pratica no Brasil, representam segura alternativa na busca da sustentabilidade, sem ameaça à cultura de alimentos e das mais importantes commodities. Considerando a credibilidade e significado do BIRD, a sua clara posição quanto ao tema, um aval de inegável valor, representa passo importante para o País vencer as últimas reações de ceticismo aos seus programas de substituição da matriz energética.

Assim, a despeito da queda de preços do petróleo, o Brasil deve continuar investindo no fomento da bioenergia, ampliando paulatinamente seu alcance e abrangência. Como se sabe, o etanol já substituiu mais da metade do consumo interno de gasolina, utilizando-se apenas 1% das terras agricultáveis nacionais na cultura da cana-de-açúcar. Mais de 90% dos carros novos em circulação no País são flex fuel. A logística de distribuição garante acesso de toda a frota ao combustível. O biodiesel também já se encontra nos postos de abastecimento de várias cidades brasileiras, inclusive a de São Paulo, onde roda a mais volumosa parcela de nossa frota. Esse biocombustível, é importante salientar, reduz em 78% as emissões de gás carbônico e em 90% as de fumaça. Além disso, praticamente elimina as de óxido de enxofre. Estudos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Integração Nacional e das Cidades indicam que, para cada 1% de substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com a participação da agricultura familiar, podem ser gerados cem mil empregos no campo.

Os números e dados dos programas brasileiros de bioenergia referendam outra constatação importante do estudo do Bird: "Essa abordagem (relativa às possibilidades de a América Latina contribuir para a solução dos problemas mundiais) poderia apoiar simultaneamente a recuperação econômica e estimular o crescimento nas áreas que atenuam o impacto das mudanças climáticas". A observação reforça uma tese que parece inequívoca: o mundo não poderá prescindir de programas eficazes de energia limpa e preservação ambiental para solucionar a presente crise econômica, uma das mais graves da história. Ou seja, o capitalismo sobreviverá a esse profundo crash dos derivativos e suas consequências, mas terá de assimilar mudanças inerentes à sustentabilidade, em paralelo à maior responsabilidade e controle dos sistemas financeiros. Essas irreversíveis tendências colocam o agronegócio no epicentro das soluções viáveis para a humanidade.

Isto está muito claro no conteúdo de outro novíssimo estudo do Bird, o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2009, cujo tema básico é "Geografia econômica em transformação". Diz o documento: "Todas as evidências indicam que a transição da atividade rural para a industrial é ajudada, e não prejudicada, por um setor agrícola saudável (...). Os incentivos direcionados à agricultura também ajudarão os estados atrasados a elevar os padrões de vida para os níveis dos adiantados". Todas essas questões evidenciam que o Brasil precisa apoiar cada vez mais o desenvolvimento de sua agropecuária, com a implementação de políticas públicas mais eficazes do que as adotadas até o momento. Nosso agronegócio vai bem, mas poderia ser muito melhor, não fossem gargalos como o do crédito, a dívida rural, os juros muito elevados, o desperdício causado pela deficiência da infraestrutura e os preços elevados dos insumos. Se o mundo reconhece que a resposta da sobrevivência está no campo, o principal protagonista desse processo - o Brasil - não tem o direito de vacilar.

*João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (EESC/USP), é vice-presidente da Fiesp, presidente do Conselho de Administração do Grupo São Martinho e membro do Conselho Universitário da Universidade de São Paulo. 



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