Portal O Debate
Grupo WhatsApp


Cachaça não é água não!

Cachaça não é água não!

29/03/2007 Da Redação

A bebida e o cigarro tiram o dinheiro do leite e do pão das famílias mais pobres e ajudam a aumentar a miséria. Isso não é nenhuma novidade, mas o fato é que muito se fez nos últimos anos para combater o cigarro.

Já a bebida continua com moral elevada no Brasil, país das desigualdades e das hipocrisias: aqueles que criticam a inércia do governo em relação à fome, na mesa de um bar, são os primeiros a atender os apelos (e que apelos!) da propaganda de cerveja.

Não sou contra a liberdade de beber, assim como todos têm liberdade para fumar. Recriar a Lei Seca seria bom para os traficantes, e só. Mas está na hora de começar uma campanha que mostre os efeitos nefastos do álcool, exatamente como se fez com o cigarro. Estampar cidadãos com cirrose terminal nas garrafas de pinga poderia ser um bom começo. Melhor do que escrever "beba com moderação", frase que já virou motivo de piada nos comerciais de TV. Tem marca de cerveja que aconselha a "degustar com parcimônia!". O importante é degustar, com ou sem parcimônia, sob as benesses da lei.

Não é preciso fazer muitas contas para chegar à conclusão de que a bebida não é ruim apenas para os mais pobres. O conhecido "rombo" da Previdência seria menor, se não houvesse tantos pagamentos de pensão por morte e invalidez no trânsito, motivados por motoristas embriagados. Também não haveria tantos acidentes de trabalho na construção civil e em outras atividades de risco, envolvendo alcoólicos. Da mesma forma, o número de homicídios por motivos fúteis (a popular "briga de bar") cairia. Espancamentos domésticos também poderiam diminuir.

Mas no país que criou a "Lei de Gérson", parece ser muito mais fácil criticar ou fazer piada na beira do balcão: afinal de contas, o que é que nós temos com isso, não é verdade? Muita gente só lembra da tragédia que representa a bebida quando vê um filho morrer inocente no trânsito. Ou quando sabe que aquele parente ou amigo está com os dias contados por causa do alcoolismo. Ou vê uma pessoa querida numa cadeira de rodas ou na cama de um hospital, sem esperanças, por causa daquele bêbado que continua dirigindo por aí, impune!

Chegou a hora das pessoas de bem fazerem alguma coisa. Aqui dou a minha sugestão: criar um movimento nacional, com assinaturas por todo o país, exigindo o fim da propaganda impune das bebidas alcoólicas. Os veículos de comunicação não vão deixar de existir se cortarem a verba publicitária da cerveja, da vodka ou da aguardente. O caso é que cortaram a propaganda do cigarro, quebrando os interesses de multinacionais bilionárias, e milhões de pessoas deixaram de morrer de câncer!

Entendo que o primeiro passo deve ser a proibição da propaganda de bebidas alcoólicas em espaços públicos e nos meios de comunicação, assim como acontece com o cigarro. Junto a isso, a proibição da venda de bebidas em postos de gasolina e locais frequentados por menores de 18 anos, como shows destinados a adolescentes. As bebidas continuariam sendo vendidas nos bares, mas sem propaganda. Os rótulos das garrafas, por sua vez, estampariam fotos com mensagens de alerta, exatamente como acontece com o cigarro.

Quem trabalha no dia-a-dia com dependentes químicos sabe muito bem que a bebida é uma droga bastante poderosa, e que se torna ainda mais forte por ser socialmente aceita, sem contestação. Falta informação para a população em geral sobre o que é o alcoolismo e muitos duvidam que se trate de uma doença, dado o preconceito arraigado na mente das pessoas. 

A equação é simples: a bebida gera empregos e impostos, mas cobra em troca uma fatura impagável, representada por milhões de mortes anônimas e bilhões de reais em prejuízos para a sociedade brasileira. Alguns grupos de empresas, como seguradoras de automóveis e administradoras de planos de saúde, só para citar dois exemplos, já deveriam ter-se dado conta disso, pois pagam a conta da bebida. Mas quem paga mais caro continuam sendo aqueles que não têm como se defender: as famílias envolvidas nas tragédias e as crianças pobres e miseráveis, filhas de pais dependentes do álcool.

Sandro B. André (Jornalista) www.sandroandre.blogspot.com 



Os desafios de tornar a tecnologia acessível à população

Vivemos uma realidade em que os avanços tecnológicos passaram a pautar nosso comportamento e nossa sociedade.


O uso do celular, até para telefonar

Setenta e sete por cento dos brasileiros utilizam o smartphone para pagar contas, transferir dinheiro e outros serviços bancários.


Canto para uma cidade surda

O Minas Tênis Clube deu ao Pacífico Mascarenhas o que a cidade de Belo Horizonte deve ao Clube da Esquina; um cantinho construído pelo respeito, gratidão, admiração, reconhecimento, apreço e amor.


Como acaso tornou famoso notável compositor

Antes de alcançar a celebridade, e a enorme fortuna, Verdi, passou muitas dificuldades financeiras.


Gugu e a fragilidade da vida

A sabedoria aconselha foco no equilíbrio emocional e espiritual diante da fragilidade e fugacidade da vida.


Quando o muro caiu

O Brasil se preparava para o segundo turno das eleições presidenciais, entre o metalúrgico socialista Luís Inácio Lula da Silva e a incógnita liberal salvacionista Fernando Collor de Melo, quando a televisão anunciou a queda do muro de Berlim.


Identidade pessoal e identidade familiar

Cada família gesta a sua identidade, ainda que algumas vezes, de forma inconsciente.


Desprezo e ingratidão

Não sei o que dói mais: se a ingratidão se o desprezo.


A classe esquecida pelo governo

O fato é que a classe média acaba por ser a classe esquecida pelo governo.


O STF em defesa de quem?

A UIF, antigo COAF, foi criada como uma unidade do Ministério da Justiça (hoje, no BACEN) para fazer uma coisa muito simples: receber dos bancos notificações de que alguém teria realizado uma transação suspeita, anormal.


O prazer da leitura

Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.


Desmoralização do SFT

A moralidade e a segurança jurídica justificam a continuidade da prisão em segunda instância. A mudança desta postura favorece a impunidade dos poderosos e endinheirados.