Portal O Debate
Grupo WhatsApp


Como a tecnologia pode ajudar no combate ao crime?

Como a tecnologia pode ajudar no combate ao crime?

20/12/2014 Dane Avanzi

A Segurança Pública é um dos assuntos que mais preocupam os brasileiros, haja vista termos índices de assassinatos comparáveis a países em guerra.

Especialistas de diversas áreas apontam como principais causas para a difícil situação que vivemos, as mais diversas razões para o aumento da criminalidade, dentre elas, a falta de investimento em educação, a estrutura judiciária brasileira, na qual existem duas polícias com pouca sinergia no âmbito estadual (Civil e Militar), entre outros.

Embora todas as visões acima sejam coerentes, acrescento a elas, que para mudarmos positivamente a realidade, precisamos de muito investimento. Sim, investimento em materiais e capacitação de policiais. Acredito que historicamente investimos pouco no setor e tal fato possibilitou a consolidação e expansão do crime organizado em todo o território nacional. Em Minas Gerais, por exemplo, segundo dados do IBGE, a violência e acidentes foram as maiores causas de mortes entre os jovens e adolescentes no estado no ano de 2013.

O levantamento do IBGE também revela que os percentuais mais elevados de mortes de homens ocorrem nos grupos de 15 a 24 anos, especialmente por causas violentas e acidentais. Esse e outros dados corroboram a tese que o Estado Brasileiro além de investir pouco, quando o faz, gasta mau, e em decorrência da má qualidade do investimento - não pode dele advir bons frutos - o resultado em geral, é baixo ou pífio. No que tange a segurança pública, por exemplo, os altos índices de criminalidade estão diretamente relacionados à falta de estratégia e inteligência no combate ao crime.

Apenas para ilustrar a questão, cabe mencionar que no episódio do atentado da Maratona de Boston, a polícia, graças a uma câmera de circuito fechado de lojas de rua, conseguiu em poucas horas identificar e prender os responsáveis pelo atentado, cuja a detonação da bomba utilizou a rede de telefonia móvel. Cabe lembrar que tanto aqui como lá, criminosos utilizam o que há de melhor na tecnologia. A diferença é que lá o Estado também tem os melhores recursos e aqui, nossa força policial, em geral, não tem nada ou quando tem está sucateado ou inoperante.

Como esperar um resultado satisfatório num Estado que a polícia vive de favor para comer ou abastecer uma viatura? Tal resposta ao crime em tempo recorde só foi possível graças a recursos tecnológicos e policiais capacitados que tiveram como aliados a tecnologia e inteligência. No caso em questão, o mau não pode ser mitigado haja vista que houveram vítimas fatais e muitos feridos, mas a identificação e prisão dos criminosos são per si uma resposta incisiva da sociedade contra o terrorismo, no caso.

A mensagem subliminar maior de todas é que o Estado protege o cidadão e pune quem age contra a lei. O sentimento de que há justiça, desincentiva o crime, ao passo que o sentimento de impotência coercitiva, incentiva a impunidade - a meu ver, sintoma mais perverso do que ocorre no Brasil. Nesse contexto, quando se fala em estratégia e inteligência, além de técnicas e profissionais treinados e qualificados, o Estado necessita de ferramentas tecnológicas adequadas ao combate ao crime. Hoje muitas delas poderiam estar ajudando a polícia a resolver e até mesmo evitar a prática de crimes.

O leque de tecnologia é grande, merecendo destaque softwares de big data, que relacionam a atividade de redes sociais a fatos e indícios de atividades criminosas, câmeras de vídeo (fixas, móveis e portáteis) uso de drones (cuja homologação na Anatel e Anac, estão pendentes no Brasil). Que o excesso de burocracia Estatal é um dos fatores que atrasam o país, isso ninguém dúvida, mas quando o assunto entra na seara de regulamentação de tecnologias, ao contrário de outros nichos de mercado, a burocracia se multiplica, não sendo raros os casos que além de licenças e homologações de vários órgãos da União, o mesmo equipamento para ser utilizado também precisa de licenças e autorizações Estaduais e às vezes até municipais.

Será que num caso de relevante interesse público para a sociedade brasileira, haja vista o caos que vivemos, as autoridades constituídas não poderiam criar mecanismos de licenciamento e homologação simplificados para a Força Pública? Penso que sim. Aliás, não somente poderiam, como deveriam e devem fazê-lo.

*Dane Avanzi é advogado, diretor superintendente do Instituto Avanzi e diretor da Átimo Solutions.



Os desafios de tornar a tecnologia acessível à população

Vivemos uma realidade em que os avanços tecnológicos passaram a pautar nosso comportamento e nossa sociedade.


O uso do celular, até para telefonar

Setenta e sete por cento dos brasileiros utilizam o smartphone para pagar contas, transferir dinheiro e outros serviços bancários.


Canto para uma cidade surda

O Minas Tênis Clube deu ao Pacífico Mascarenhas o que a cidade de Belo Horizonte deve ao Clube da Esquina; um cantinho construído pelo respeito, gratidão, admiração, reconhecimento, apreço e amor.


Como acaso tornou famoso notável compositor

Antes de alcançar a celebridade, e a enorme fortuna, Verdi, passou muitas dificuldades financeiras.


Gugu e a fragilidade da vida

A sabedoria aconselha foco no equilíbrio emocional e espiritual diante da fragilidade e fugacidade da vida.


Quando o muro caiu

O Brasil se preparava para o segundo turno das eleições presidenciais, entre o metalúrgico socialista Luís Inácio Lula da Silva e a incógnita liberal salvacionista Fernando Collor de Melo, quando a televisão anunciou a queda do muro de Berlim.


Identidade pessoal e identidade familiar

Cada família gesta a sua identidade, ainda que algumas vezes, de forma inconsciente.


Desprezo e ingratidão

Não sei o que dói mais: se a ingratidão se o desprezo.


A classe esquecida pelo governo

O fato é que a classe média acaba por ser a classe esquecida pelo governo.


O STF em defesa de quem?

A UIF, antigo COAF, foi criada como uma unidade do Ministério da Justiça (hoje, no BACEN) para fazer uma coisa muito simples: receber dos bancos notificações de que alguém teria realizado uma transação suspeita, anormal.


O prazer da leitura

Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.


Desmoralização do SFT

A moralidade e a segurança jurídica justificam a continuidade da prisão em segunda instância. A mudança desta postura favorece a impunidade dos poderosos e endinheirados.