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Digital: um tema para o amanhã que se tornou uma demanda para ontem

Digital: um tema para o amanhã que se tornou uma demanda para ontem

23/09/2020 Roberto Carvalho

Durante muito tempo, a Transformação Digital foi considerada uma prioridade para o futuro dos negócios.

Não por acaso, segundo diversas pesquisas internacionais, a definição de uma estratégia de digitalização das operações era figura constante como uma das três maiores demandas dos CEOs nos últimos anos.

Mas a realidade mudou mais rápido do que qualquer plano, e a urgência para colocar as inovações em prática tomou conta do mercado.

Em tempos de pandemia do coronavírus, ser digital deixou de ser um tema para o amanhã para se tornar uma demanda para ontem.

Para entender esse cenário, basta notar quantas empresas tiveram de mudar seus processos e estruturas de negócios de um dia para o outro. E quantas companhias acabaram ficando na mão no meio dessa migração.

Afinal de contas, apesar da Transformação Digital ser há tempos um assunto recorrente no ambiente corporativo, a verdade é que quase ninguém estava pronto para a mudança que aconteceu.

O fato é que, com a crise do Covid-19, todas as empresas tiveram que, de algum modo, acelerar suas jornadas de digitalização.

A condição atual, todavia, tem trazido à tona uma série de novos paradigmas em relação ao uso da tecnologia. Um deles, sem dúvida, é de que sem visibilidade não há transformação digital.

Evidentemente, não se trata apenas de conferir dashboards com números sobre o funcionamento da infraestrutura de hardware e software nas áreas de TI.

É preciso ir além, com o que o chamamos de Observability, que nada mais é do que elevar a inteligência prática para monitorar e gerenciar a performance real das aplicações, avaliando proativamente as ferramentas, de acordo com a real necessidade das operações.

É bom deixar claro, contudo, que o Observability não é uma questão que surge no mundo pós-pandemia.

Há alguns anos, pesquisas do Gartner já indicavam que cerca de 60% das empresas poderiam sofrer algum tipo de falha grave em suas operações digitais até este ano, justamente por conta da incapacidade de mapear, identificar e gerenciar potenciais riscos e problemas.

Ou seja, não é a disseminação do vírus que torna o Observability realmente imprescindível. É a própria aceleração da Transformação Digital que exigirá das companhias essa capacidade de observação aprimorada.

De todo modo, é inevitável dizer que as restrições impostas pela disseminação do coronavírus ampliaram ainda mais a pressão sobre as equipes de TI, colocando praticamente todos os resultados das companhias em cima de serviços digitais - que, portanto, precisam ser entregues sempre com máxima performance.

Exatamente por isso, é bastante claro que o monitoramento se tornará ainda mais relevante para o sucesso dos negócios já em curto prazo, antecipando e mitigando qualquer tipo de incidente.

Hoje, tão importante quanto ter uma loja virtual, por exemplo, é garantir que ela esteja em funcionamento ininterrupto, com uma experiência excelente para os usuários.

Você já sentiu aquela frustração de tentar falar com o suporte de uma marca e descobrir que o sistema está off-line? É essa a sensação que todas as marcas têm de evitar provocar.

Isso porque, no fim das contas, não se trata do funcionamento de um ou outro sistema de TI, mas sim do resultado entregue às pessoas.

Com os usuários (clientes ou colaboradores) cada vez mais dependentes do mundo on-line, o objetivo dos líderes e equipes de TI precisará ser o de entender, mitigar e prever problemas para garantir a oferta da melhor experiência possível.

O problema, por sua vez, é que prever quando as coisas vão sair errado não é uma tarefa simples. Com sistemas e aplicações mais complexas surgindo a cada dia, monitorar as entregas e entender as diretrizes de cada área ou unidade de negócios tem se tornado uma tarefa humanamente impossível.

É disso que se trata o Observability. A gestão de serviços de TI não pode ser mais reduzida às métricas e logs. É preciso também avaliar o contexto, as demandas e os processos exigidos pelas pessoas.

A partir dessa análise é que se deve perguntar o que está atrapalhando a melhor performance para o usuário e o que está impedindo que as aplicações sejam realmente eficazes.

De nada adianta conhecer as configurações de um sistema, sem a visão completa do ambiente – incluindo quem está usando a tecnologia.

Em um mundo cada vez mais marcado pelo distanciamento e pelas incertezas, a pandemia do coronavírus acabou acelerando a digitalização de nossas vidas, ressignificando a hiperconexão como um ponto imperativo para empresas e clientes.

No entanto, estar conectado é apenas um detalhe para a conclusão dos negócios em uma jornada efetivamente bem-sucedida.

É hora, portanto, de garantir que tudo está realmente funcionando e entregando que nossas conexões estejam realmente entregando o melhor.

Somente assim, executivos, técnicos e clientes poderão ter dias melhores nessa nova fase que será o ‘Next Normal’.

* Roberto Carvalho é Vice-Presidente da Dynatrace América do Sul.

Fonte: PLANIN



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