Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Dinheiro traz felicidade?

Dinheiro traz felicidade?

09/04/2016 Leide Albergoni

O padrão de vida nunca esteve tão bom quanto atualmente, mas que ainda há muita desigualdade econômica.

Dinheiro traz felicidade?

Angus Deaton, professor da Universidade de Princeton, foi agraciado com o último Prêmio Nobel de Economia, por seus estudos sobre consumo, poupança e desenvolvimento econômico.

Com extensos estudos sobre o comportamento dos indivíduos, os trabalhos de Deaton trouxeram mudança na forma como os estudos sobre pobreza e desigualdade podem ser conduzidos, já que demonstraram que o nível de consumo, poupança e percepção de bem estar são diferentes de acordo com o nível de renda, idade e país.

Deaton afirma que o padrão de vida nunca esteve tão bom quanto atualmente, mas que ainda há muita desigualdade econômica. Todavia, o autor destaca que as medidas de desigualdade deveriam variar de acordo com a região e momento histórico, já que as pessoas lidam de forma diferente com sua realidade.

Assim, é difícil comparar pobreza entre diferentes regiões do mundo, ou momentos históricos. O professor estudou a percepção de felicidade e bem estar dos indivíduos em relação à renda: embora com níveis de renda muito destoantes, a sensação de felicidade do brasileiro está na mesma faixa dos Estados Unidos, Canadá e alguns países europeus.

Então dinheiro não traz felicidade? Quando se analisa as diferenças em um país, a felicidade está sim relacionada com o nível de renda, o que significa que um brasileiro rico é mais feliz que um brasileiro pobre. Porém, a felicidade aumenta somente até certo nível de renda, permanecendo estável a partir de então.

No caso dos EUA o autor conseguiu chegar a um valor: US$75 mil, mas para países em desenvolvimento, como o Brasil, seria em torno de US$30 mil. Pelos trabalhos de Deaton pode-se inferir que a sensação de felicidade depende da satisfação com a condição de vida dos indivíduos, isto é, seu padrão econômico e renda, mas é fortemente influenciada pelas expectativas sobre o futuro.

Ele mostra que embora os Chineses sejam insatisfeitos atualmente, são otimistas em relação ao futuro dos filhos, enquanto que os europeus estão satisfeitos, mas pessimistas. Esse otimismo está relacionado com as taxas de crescimento do PIB, isto é, qual é o potencial de melhora do padrão de vida.

A crise atual nos faz refletir sobre essa relação: embora nosso padrão de vida esteja melhor do que há 10 anos, talvez nossa satisfação com a vida não esteja no mesmo nível, já que naquele período as perspectivas sobre a economia brasileira eram melhores do que as atuais.

Os trabalhos de Deaton trazem mais perguntas que respostas, mas uma leitura geral nos indica que apesar do crescimento econômico ser fundamental para a melhoria de qualidade de vida da população, a sensação de bem estar e felicidade dos indivíduos pode ser influenciada pelas expectativas sobre o futuro do país, o que em nosso contexto atual exige definições políticas e econômicas para reduzir as incertezas sobre os rumos do país.

* Leide Albergoni é economista, professora da Universidade Positivo e autora do livro Introdução à Economia – Aplicações no Cotidiano.



A desconstrução do mundo

Quando saí do Brasil para morar no exterior, eu sabia que muita coisa iria mudar: mais uma língua, outros costumes, novas paisagens.

Autor: João Filipe da Mata


Por nova (e justa) distribuição tributária

Do bolo dos impostos arrecadados no País, 68% vão para a União, 24% para os Estados e apenas 18% para os municípios.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Um debate desastroso e a dúvida Biden

Com a proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para novembro deste ano, realizou-se, na última semana, o primeiro debate entre os pleiteantes de 2024 à Casa Branca: Donald Trump e Joe Biden.

Autor: João Alfredo Lopes Nyegray


Aquiles e seu calcanhar

O mito do herói grego Aquiles adentrou nosso imaginário e nossa nomenclatura médica: o tendão que se insere em nosso calcanhar foi chamado de tendão de Aquiles em homenagem a esse herói.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Falta aos brasileiros a sede de verdade

Sigmund Freud (1856-1939), o famoso psicanalista austríaco, escreveu: “As massas nunca tiveram sede de verdade. Elas querem ilusões e nem sabem viver sem elas”.

Autor: Samuel Hanan


Uma batalha política como a de Caim e Abel

Em meio ao turbilhão global, o caos e a desordem só aumentam, e o Juiz Universal está preparando o lançamento da grande colheita da humanidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


De olho na alta e/ou criação de impostos

Trava-se, no Congresso Nacional, a grande batalha tributária, embutida na reforma que realinhou, deu nova nomenclatura aos impostos e agora busca enquadrar os produtos ao apetite do fisco e do governo.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


O Pronto Atendimento e o desafio do acolhimento na saúde

O trabalho dentro de um hospital é complexo devido a diversas camadas de atendimento que são necessárias para abranger as necessidades de todos os pacientes.

Autor: José Arthur Brasil


Como melhorar a segurança na movimentação de cargas na construção civil?

O setor da construção civil é um dos mais importantes para a economia do país e tem impacto direto na geração de empregos.

Autor: Fernando Fuertes


As restrições eleitorais contra uso da máquina pública

Estamos em contagem regressiva. As eleições municipais de 2024 ocorrerão no dia 6 de outubro, em todas as cidades do país.

Autor: Wilson Pedroso


Filosofia na calçada

As cidades do interior de Minas, e penso que de outros estados também, nos proporcionam oportunidades de conviver com as pessoas em muitas situações comuns que, no entanto, revelam suas características e personalidades.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Onde começam os juros abusivos?

A imagem do brasileiro se sustenta em valores positivos, mas, infelizmente, também negativos.

Autor: Matheus Bessa