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Educação… Punição exemplar

Educação… Punição exemplar

20/11/2008 Dirceu Cardoso Gonçalves

A rebelião e a fúria dos alunos da Escola Estadual Amadeu Amaral, do bairro paulistano do Belém, é apenas a demonstração do nível da degradação do meio escolar e da própria sociedade. Alunos brigaram com a mesma violência e requintes de perversidade próprios de presidiários rebelados e, para fixar ainda, mas a similaridade, os acusados da baderna são integrantes do PCAA (Primeiro Comando da Amadeu Amaral), uma versão juvenil do PCC, que domina as prisões e desafia as autoridades e a ordem institucional. A própria polícia revela que os funcionários da escola não registram todas as altercações por temerem os alunos. E essa é uma realidade em dezenas, possivelmente centenas de estabelecimentos escolares pelo Brasil afora, onde alunos barbarizam professores e funcionários e estes, ameaçados, são obrigados a calar, muitas vezes por orientação de seus relapsos e amedrontados superiores.

O Estado que, por incompetência, já perdeu o controle das prisões – hoje nas mãos das facções criminosas – está também deixando de ter mando na rede escolar. O professor, outrora admirado e respeitado pelo seu conhecimento e autoridade que o cargo lhe conferia, torna-se vítima duplamente fragilizada. De um lado, tem salário que não lhe permitem uma vida digna e, de outro, é acossado por alunos cada dia mais fora de controle que, por falta de limites vindos da própria família e negligência estatal vinda das relações modernas, transformam-se em verdadeiros delinqüentes juvenis e estão longe de reconhecer a escola como a única porta para o seu encaminhamento na vida adulta.

Os governos eleitoreiros já faliram na sua tarefa de prover a educação do povo, mas ainda são detentores do orçamento e da rede escolar, que o Estado tem insistido em transferir para as prefeituras. Nas últimas décadas, os planejadores “modernosos” importaram dezenas de métodos pedagógicos dos centros mais avançados do mundo, mas se esqueceram de que era necessário, a qualquer custo, manter o respeito e a urbanidade entre as pessoas. O resultado está aí para envergonhar toda a sociedade: analfabetos diplomados, jovens inconscientes quanto à utilidade da escola e do estudo e uma sociedade de famílias  assustadas e sem saber o que fazer.

Assim como no sistema prisional, os governos e a sociedade precisam buscar, o quanto antes, a recuperação da autoridade e do equilíbrio na escola. Devolver o respeito aos professores e funcionários e o bom comportamento ao alunado. E, no caso específico da Escola Amadeu Amaral, o Ministério Público apure com todo o rigor os crimes (ou atos infracionais) ali cometidos e seus autores sejam rápida e exemplarmente punidos, expulsos e sirvam de exemplo para todos os vândalos que vierem a agir dessa forma em todo o país.

Por mais modernas que sejam as relações hoje cultivadas, quem viveu o tempo em que o professor era tratado como “senhor” e as pessoas mais velhas respeitadas pela simples cronologia, sabem que aquela época era melhor, ou, no mínimo, menos perigosa. O necessário respeito, a cordialidade e a solidariedade entre as pessoas, tornam a vida melhor, mesmo que, para os pedagogos do absurdo, possam parecer coisas ultrapassadas...

*Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves –  diretor da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - [email protected]



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