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Energia: obsessão de Bush é oportunidade para o Brasil

Energia: obsessão de Bush é oportunidade para o Brasil

09/12/2006 Divulgação

Recentemente, o presidente norte-americano George Bush participou de um painel sobre conservação de energia e eficiência no National Renewable Energy Laboratory  - NREL – em Golden, Colorado. Nessa ocasião, Bush voltou a afirmar que o governo dos Estados Unidos está convencido da necessidade de se investir maciçamente em pesquisa e desenvolvimento de fontes de energia alternativas ao petróleo.

Segundo Bush, além da razão econômica; considerando a tendência de crescimento da demanda mundial de petróleo além da oferta, gerando aumento dos preços, há razões de segurança nacional. A dependência energética dos Estados Unidos, em relação a países instáveis politicamente e “não-amigáveis” ideologicamente, pode comprometer a segurança americana.

A fim de reduzir a sujeição do petróleo árabe, os institutos de pesquisas americanos estão investindo em três frentes. A primeira é o desenvolvimento de motores híbridos. Isto é: veículos com motores movidos à gasolina e a eletricidade. Quando a bateria elétrica está descarregada, o motor queima gasolina, que, além de mover o veículo, carrega a bateria. Quando a bateria está carregada, o motor elétrico entra em funcionamento.

Com o desenvolvimento de baterias de maior capacidade será possível ao veículo rodar mais de 60 quilômetros sem queimar combustível. Também será possível carregar a bateria na tomada da garagem durante o tempo que o veículo fica parado. Atualmente, o governo dá um bônus de US$ 3.400 para a compra de um veículo com motor híbrido. A segunda alternativa é a utilização do etanol como combustível alternativo. Hoje, já há cerca de 4,5 milhões de veículos flex-fluel nos Estados Unidos. Esses veículos podem rodar com qualquer mistura de gasolina e etanol.

A disposição do governo é expandir fortemente a produção desses veículos. O problema é que o etanol americano vem do milho, que também serve de matéria-prima para a pecuária e para a indústria alimentícia. Como a produção de milho é limitada, o governo tem incentivado o desenvolvimento de etanol oriundo de outras fontes, principalmente o etanol celulósico, vindo de madeira, palha de milho, grama, capim, etc...

A terceira alternativa é o desenvolvimento de motores alimentados por hidrogênio, que é uma fonte limpa e segura de energia. O problema é que as pesquisas nessa área ainda demandam muito tempo para viabilizar esse tipo de combustível. Somente em 10 ou 20 anos será possível utilizar o hidrogênio como combustível em escala comercial.

Mesmo com todo interesse do governo americano em produzir combustível suficiente para substituir grande parte do petróleo importado, dificilmente toda a necessidade local seria atendida. O volume de petróleo importado é muito grande e a produção de substitutos demanda muito tempo e investimento. Essa situação abre uma importante janela de oportunidades para o Brasil, que pode tornar-se, no futuro próximo, um importante exportador de combustível alternativo para os Estados Unidos. Atualmente nós produzimos cerca de 17 bilhões de litros de álcool combustível por ano, o mesmo volume produzido pelos Estados Unidos. 

O resto do mundo produz apenas 4 bilhões de litros. A vantagem brasileira, é que o custo do álcool produzido aqui (álcool da cana) é cerca de 60% daquele produzido nos Estados Unidos (álcool do milho). Com investimento em novas espécies, em plantio, adubação, mecanização da colheita, aproveitamento do bagaço e da palha, produção, estoque e distribuição, o Brasil pode expandir bastante sua produção e exportar o excedente.

O desenvolvimento do biodiesel também pode trazer muitas divisas para o país. Além de substituir a necessidade de importação de óleo diesel, a produção de biodiesel ajuda a criar empregos em áreas mais pobres do país. 

O cultivo da mamona, uma das principais matérias-primas do biodiesel, se adapta perfeitamente às condições climáticas do semi-árido nordestino. Usinas instaladas no nordeste podem suprir a necessidade interna e exportar o excedente para os Estados Unidos. A maior proximidade do nordeste em relação ao mercado americano também contribui para a redução do custo de transporte, aumentando a competitividade do biodiesel brasileiro.

Devido a sua importância na economia mundial, o plano estratégico de energia dos Estados Unidos, divulgado por Bush no NREL, pode, de forma indireta, favorecer a economia brasileira. A exportação de álcool e de biodiesel para o mercado americano trará divisas e gerará empregos no Brasil. Esperemos que o governo brasileiro esteja atento e não desperdice essa excelente oportunidade.
 
* Alcides Leite é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e professor do Centro de Conhecimento Equifax 



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