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Ensino religioso nas escolas, sim ou não?

Ensino religioso nas escolas, sim ou não?

29/01/2009 Divulgação

Dizem que religião, futebol e política são assuntos que não devem ser debatidos, pois são extremamente polêmicos. Mas penso que quanto menos abrirmos espaço para o diálogo, a troca de idéias, menores são as chances de entender as opiniões alheias, perceber suas possibilidades, pensar a respeito de suas particularidades.

Outro dia, retornando de viagem em companhia de minha família, tive a oportunidade de contar aos meus filhos, durante o trajeto, as histórias de vida de Buda, Gandhi e Martin Luther King. Expoentes da história da humanidade, provenientes de diferentes partes do planeta, professavam doutrinas religiosas distintas e realizaram feitos ao longo de suas vidas que são respeitados nos quatro cantos do mundo.

Através de suas realizações lutaram, cada qual a sua maneira, por um mundo melhor, mais justo, harmonioso. Tinham bandeiras diferentes. Buda, por exemplo, buscava a iluminação espiritual, a vitória do bem sobre o mal através da meditação; Gandhi, por sua vez, lutou pela independência de seu país, a Índia - dominada pela poderosa Inglaterra -, pregando e praticando a não-violência, e saiu vitorioso; Martin Luther King, pastor protestante, levou adiante uma das mais difíceis empreitadas da história, durante sua vida, empreendeu a batalha pelos direitos civis, pela igualdade e respeito aos negros e às minorias nos Estados Unidos.

Há outras histórias como essas que merecem ser contadas, revividas. Não creio que isso seja atribuição exclusiva da família. Também a escola tem um papel decisivo na transmissão de valores e princípios éticos que norteiem um comportamento mais digno e respeitoso a nossas crianças e jovens. Não é o que estamos vendo e vivendo nos dias de hoje; pelo contrário, tanto a família quanto a escola parecem ter desistido de trabalhar crenças e valores, assumido de vez um posicionamento leigo, laico, isento e distante de qualquer princípio religioso.

Nem sempre foi assim. E isso, certamente, não acontece em todas as escolas. Ainda persistem, por exemplo, as escolas católicas e luteranas, entre outras, que têm em sua grade curricular o Ensino Religioso, mas focadas nos princípios que norteiam suas origens. Não acredito que o Ensino Religioso deva assim proceder. Penso que deveriam ser instituídos cursos que fossem ecumênicos, que se preocupassem não em conseguir arregimentar mais fiéis para igrejas específicas e, sim, que tivessem como firme propósito a formação ética e cidadã, orientada por histórias, filosofias, ensinamentos e reflexões acerca daquilo que foi constituído ao longo de séculos pelas principais religiões do planeta.

Há ensinamentos em cada uma delas, como podemos observar, por exemplo, com as experiências de vida e luta de Gandhi, Luther King e Buda. Poderíamos ampliar essa esfera e discutir, por exemplo, princípios e obras de Jesus Cristo, Martinho Lutero, Moisés, Confúcio e Maomé, entre outros.  É fundamental observar, analisar e compreender a trajetória das três grandes religiões mundiais: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, além do Budismo e do Protestantismo (Evangelismo). Seria aconselhável também estudar os motivos que levam as pessoas a viverem à margem de qualquer religião ou seita e analisar a filosofia e a história de cada doutrina, estudar as micro-religiões e suas ramificações.

Talvez assim consigamos entender melhor o modo de pensar e agir daqueles que não professam a mesma fé, que não têm a mesma identidade e base cultural. Quem sabe, assim, encontremos pontos comuns a orientarem nossas ações na busca por um mundo melhor, mais justo e harmonioso. Pode ser que, assim, também consigamos fazer com que nossas crianças e jovens despertem e atuem pautados em valores de paz, respeito, responsabilidade e entendimento.

Há barreiras e dificuldades para a implantação de um ensino religioso nas escolas brasileiras? Sem dúvida. Acredito, porém, que esses obstáculos não são intransponíveis. As maiores dificuldades são aquelas que continuamos a impor por conta de nossas bases e referências culturais, pouco afeitas à escuta, à transformação, à compreensão e ao diálogo. Note que, quando conversamos com outras pessoas, na maior parte das vezes queremos mais nos fazer ouvir e convencer, do que nos dispomos a ouvir, analisar, ponderar, aceitar ou entender os demais.

Para o sucesso dessa iniciativa é imperativo que as escolas tenham tanto o apoio das famílias quanto das próprias religiões e seus representantes e, ainda, suporte político dos governantes. Todos têm que compreender que o ensejo da educação não é o de aumentar a messe, expandir o rebanho e fomentar o crescimento de uma ou outra Igreja, e sim o de dar a opção de escolha – inclusive o direito de não pertencer ou freqüentar nenhum culto – e de, principalmente, auxiliar e orientar a infância e a juventude do país na busca de valores e práticas que levem à paz, ao entendimento, à não-violência.

O ensino religioso de bases ecumênicas ensina, esclarece, dá bases e, principalmente, pode oferecer uma alternativa ao mundo que nossas crianças, adolescentes e jovens encontram pelas ruas nos dias de hoje. Aliado a uma educação de qualidade, a projetos culturais e esportivos, e contando com o apoio da comunidade, o ensino religioso pode e deve ser mais um eficiente instrumento para a formação de novas gerações de brasileiros.

Há pelo menos duas ou três décadas prevalecia no país a idéia de que vivemos numa sociedade católica e que, como tal, o ensino religioso deveria ser orientado por essa doutrina/igreja. Não é essa a configuração do país hoje. Os movimentos evangélicos se expandiram, o espiritismo ganhou espaço, os cultos afros ocuparam nichos específicos e até mesmo o ateísmo e o agnosticismo tornaram-se mais presentes. Trago um exemplo de uma situação pouco provável até há alguns anos: faço parte de uma equipe de 6 pessoas que diariamente se junta para estruturar o Planeta Educação e nenhuma delas compartilha a mesma religião. A propósito, só para dirimir dúvidas, sou católico atuante! 

*João Luís de Almeida Machado é Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP ; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema".



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