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Esquerda x Direita

Esquerda x Direita

04/10/2014 João César de Melo

É comum escutarmos que esquerda e direita são a mesma coisa. Uns dizem isso por ignorância; outros, dizem com a intenção de diluir na lama de terceiros os desvios daqueles nos quais confia.

A verdade é que as diferenças são muitas, percebidas por qualquer um que queira percebê-las; e todas as diferenças convergem numa única palavra: militância. O PT e os demais partidos de esquerda contam com um verdadeiro exército de militantes espalhados em todos os nichos sociais, institucionais e culturais do Brasil.

A quase totalidade dos diretórios acadêmicos das universidades, a quase totalidade dos movimentos “sociais”, dos sindicatos, dos artistas e dos intelectuais formam uma gigantesca malha de apoio e de defesa de todos que eles reconhecem como representantes da esquerda. No lado oposto (à direita, mas nem tanto), temos o PSDB, que conta com o apoio de quase nenhuma representação social. O apoio ao PSDB sempre é individual e pouco manifestado. As consequências práticas da militância da esquerda podem ser resumidos em sete:

1 – Necessidade de um Estado Gigantesco. Para sustentar seu exército de militantes, a esquerda precisa de centenas de instituições públicas, tais como secretarías, agências, ministérios e, claro, de dezenas de empresas estatais. Criam quantas instituições e quantos cargos forem necessários, a despeito do custo disso. Tanta gente indicada por razões políticas potencializa a corrupção nas relações com empresas privadas e alimenta a burocracia, já que as decisões ficam reféns da aprovação de cada vez mais pessoas.

O valor “estratégico” de empresas estatais significa também bilhões de reais para serem repassados a sindicatos, movimentos sociais, artistas e intelectuais que lhes apoiam. Como o uso político da estrutura do Estado e de suas empresas sempre acabam gerando prejuízos, governos de esquerda recorrem a aumentos sucessivos de impostos e de taxações para financiar a si mesmo; e nesse embalo, intervém sucessiva e irresponsavelmente na economia para tentar corrigir os erros cometidos por eles mesmos, gerando novos problemas.

2 – O povo em defesa do governo que lhe rouba. Estando espalhados por toda a sociedade, a militância de esquerda manipula com grande facilidade as camadas mais pobres da população. Diante qualquer crítica ou acusação feita contra um governo que lhe represente, sua militância tem meios de dizer ao pé do ouvido de cada cidadão que tudo não passa de mentiras feitas pelas “elites”. Diante da ameaça de seus líderes perderem o poder, espalham todo tipo de mentiras sobre os adversários. Diante de problemas econômicos, propagam a versão dos fatos de que tudo é causado pela ganância dos capitalistas, mas garantem, baseando-se na suposta benevolência e sabedoria de seus líderes, que tudo melhorará logo logo.

3 – Milhões de bocas e milhões de tetas. Cada funcionário público comissionado fará ampla campanha em favor do governo para evitar, numa eventual mudança de partido, que ele perca seu salário e suas regalias. Considerando o volume do aparelhamento dos quadros do funcionalismo público brasileiro, enxergaremos mais um exército de gente com argumentos práticos (a perda do emprego) para angariar votos em suas famílias e em seus círculos sociais.

4 – O corrompimento da cultura. Por meio de massivos patrocínios a partir de empresas estatais, a esquerda torna a maior parte da classe artística e intelectual dependente do Estado, portanto, muda diante de seus desvios e absurdos. Assim como o funcionário comissionado fará de tudo para ajudar a reeleger quem lhe deu o emprego, artistas e intelectuais também fazem campanha pelo partido que facilita o financiamento de seus shows, de seus livros, de seus blogs, de suas peças e filmes.

5 – O corrompimento da mídia. Por meio de volumosos gastos em publicidade nos maiores veículos de comunicação (a maior parte sendo anúncios de empresas estatais) governos de esquerda os tornam dependentes e, consequentemente, temerosos em fazer as críticas e denúncias que devem.

6 – O corrompimento da indústria. Elevando cada vez mais a carga tributária, mantendo a mão de obra desqualificada e a infraestrutura estagnada, governos de esquerda coagem os empresários a recorrer aos créditos (a altos juros) que o próprio governo oferece, alimentando assim uma espiral tanto de ineficiência quanto de dependência do Estado.

7 – O esgotamento dos recursos. Todo esse aparato criado para manter a estrutura da esquerda, em especial sua militância, cobra um altíssimo custo da sociedade. Mesmos aqueles que não concordam com tais procedimentos, veem-se reféns de um custo de vida e de produção cada vez mais alto e salários proporcionais cada vez mais baixos por conta da estagnação econômica; reféns também de serviços públicos cada vez piores por serem resultados de administrações políticas – além do risco de terem até seus patrimônios espoliados em nome de “causas sociais”.

Por outro lado, o que é visto como “direita” não necessita desse gigantesco aparato estatal porque simplesmente não tem um exército de militantes para sustentar. Seus vínculos são com o setor empresarial, aqueles “malditos” que administram empresas, pagam salários e oferecem produtos á sociedade. Vinculada ao setor produtivo, a direita tenta se manter no poder fazendo a economia se desenvolver, o que gera a real distribuição de renda através de criação de empregos para trabalhadores cada vez mais qualificados e, em consequência disso, melhor remunerados; e o melhor de tudo: A direita não conta com um exército de militantes para defendê-la de críticas e acusações.

Ao contrário. Numa democracia, a direita invariavelmente é acuada o tempo todo pela sociedade, especialmente pelos artistas e intelectuais, o que é ótimo! Entre a direita e a justiça existem apenas promotores e advogados. Entre a esquerda e a justiça existem promotores, advogados e... um exército de militantes manipulando a sociedade em defesa dos réus, o que acaba influenciando a própria justiça. Governo algum deve se ver com altos índices de popularidade.

Lula manteve-se oito anos no poder sem projeto real de desenvolvimento porque contava com mais de 80% de aprovação. Não se sentindo ameaçado, Lula fez o que todo político tende a fazer: dedicou-se a transformar o Estado numa extensão de seu partido e de si mesmo. Sem ter um exército dependente de sua “benevolência”, governos de direita só conseguem se manter no poder se fizerem a sociedade enriquecer, tal qual fizeram Reagan e Thatcher, ambos reconhecidos como os maiores líderes que seus países tiveram no último século.

Por trás do discurso muito “bonitinho” da esquerda, existe a realidade de que qualquer gasto estatal é pago pela sociedade e, como conta a história, raramente convergindo em benefícios reais á sociedade, com prejuízos justamente para os mais pobres, que se veem dependentes de Estados cada vez mais ineficientes. Governos de esquerda e direita são propensos aos mesmos desvios e absurdos, porém, quando se minimiza poderes, minimiza-se também eventuais problemas e aumentam-se as chances de se detectar e resolver estes mesmos problemas.

*João César de Melo é Arquiteto e artista plástico, autor do livro Natureza Capital.



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