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Eu curto o metrô

Eu curto o metrô

28/01/2009 Divulgação

Tenho menos de um ano em Sampa. As histórias que ouvia em Jaboticabal me faziam temer a capital. Trânsito dos infernos, e trens lotados. Adaptado, eu? Quase.

Leciono francês. De volta e meia, me agarro nas barras de ferro do metrô. Uma escola no Belém, outra no Paraíso. As aulas particulares no Vergueiro. Na Paulista, três empresários que querem dominar o francês até o fim do ano. Lá vou eu. A bem da verdade, manipulo as condições para que eu dependa apenas do metrô. Tomar ônibus em São Paulo é tão pior ou igual a dirigir o próprio veículo na marginal Tietê.

Adoro o que faço. Dar aulas está na alma. Nas férias em Paris, eu dou aula de português para meia dúzia de francesas. No Brasil, me realizo. Difícil ficar rico na profissão. Dá para quitar as despesas. Vou vivendo como boa parte do povo brasileiro.

No interior, nas conversas saudosistas de paulistanos, a capital era pintada com cores cosmopolitas. O tédio sendo facilmente rechaçado pela diversidade de bares, restaurantes. Só que minha lógica é caseira. No metrô, porém, eu consigo partilhar parte desta agitada diversidade paulistana.

No metrô, por vezes, o cansaço me abate após mais um dia de trabalho. Se eu posso, descanso num assento. Se não, o jeito é ir sacolejando em pé. De uma ou outra maneira, sempre ocorre algo que chama atenção. Jovens colegiais algazarrentos. Sessentões vencidos, ar de tristeza. Ou vivazes oitentões, querendo sorver os últimos goles de vida. Judeus, ateus, cristãos, garotinhas, tias...

De repente, uma pessoa me encara. Traz um olhar interesseiro. Nada que beira à vulgaridade. Um traço de paquera repentina, fugaz. Eu disfarço a timidez. São necessárias várias consultas ao seu semblante, com dissimulada indiferença, para eu confirmar o interesse.

A pessoa gostou de mim. O olhar a denuncia. Meu ego infla. Não vou atrás dela. Tenho família, um conjugê em casa que eu amo. Quão bom é saber-se que se é objeto de desejo.

A estação chegou. Lanço o último olhar e a pessoa me corresponde com o suspiro fica mais um pouco. Me agito. Eu curto o metrô e suas surpresas que sacodem o tédio. Entrei com uma depressãozinha no meu encalço. Saí pisando em nuvens.

* Escritor, colabora semanalmente neste jornal. Contato: [email protected] 



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