Portal O Debate
Grupo WhatsApp


Fatos, opiniões e a sorte da Democracia

Fatos, opiniões e a sorte da Democracia

24/10/2020 Daniel Medeiros

Comecemos com uma afirmação: “verdade é aquilo que não podemos modificar”.

Por exemplo: se você está lendo estas linhas é porque você é capaz de enxergar e sabe ler. Por conclusão, está vivo. Nada disso pode ser negado. A verdade é assim.

No entanto, já não é possível saber qual interpretação você fará do que pretendo dizer neste texto. E, menos ainda, qual opinião você terá a meu respeito ou em relação ao que eu penso sobre o que exporei. A Democracia é assim.

Na política, a verdade resume-se aos fatos. A mentira é a negação dos fatos. Isso é um absoluto. Fora desse campo, tudo é ponderável, como são as relações humanas.

O que pensamos a respeito de algo; como nos posicionamos, como interpretamos um gesto ou um discurso de uma autoridade, tudo é possível e será mais legítimo quanto menos interessado for.

Ou seja: que eu aplauda o que meu chefe faz, independente do que ele faça, é pouco legítimo e minha opinião perderá credibilidade na medida em que a minha fama de acólito sem personalidade se espalhar.

O campo da política é aquele no qual as pessoas agem por meio de seus discursos e posições assumidas. Esses discursos e opiniões não têm o valor de verdade e, por isso, podem mudar.

Não é à toa que Platão tinha tantas reservas com a Democracia, ele que achava que a verdade era algo perfeito e imutável.

No entanto, no exato momento em que o filósofo da sua alegoria voltou para a caverna para libertar os companheiros amarrados nas "correntes da opinião”, relatando para eles o que tinha visto e como era admirável a verdade, eles receberam essas palavras como mais uma opinião e discordaram dele, virando-lhe as costas.

A pluralidade é a marca da vida política. A única maneira de evitar isso é destruindo a pluralidade, o que os regimes autoritários tentam fazer por meio da censura e repressão aos intelectuais.

Além disso, buscam impor uma única versão dos fatos, cujo objetivo é fazer da versão escolhida por eles o próprio fato, o fato em si.

Ou, no caso extremo, como fizeram os nazistas e os stalinistas, por exemplo, negando os fatos, simplesmente.

Quando há Democracia, um fato é recortado e interpretado de várias maneiras – e é assim que somos e são as coisas.

Não há uma versão mentirosa, exceto a que nega o fato. O que achamos sobre algo do mundo público é o resultado de muitos fatores, desde nossa formação familiar e escolar até nossas conveniências de momento.

Como cidadãos, temos o direito de interpretar e opinar sobre os fatos da maneira que sabemos fazer, podemos fazer e quisermos fazer.

Cabe aos outros aceitar, concordando, ou negar (no todo ou em parte) e argumentar, buscando modificar nossa forma de ver as coisas.

Esse embate é o que marca a vida democrática e a ideia de uma unanimidade  - exceto em grupos reduzidos - é pouco provável.

Como já disse, o pior dos mundos, o mais extremo, é quando os fatos são destruídos e a ideia de verdade e de mentira não podem mais ser detectadas: houve Holocausto? Houve ditadura militar no Brasil? Houve repressão sistemática nos regimes comunistas? Sim, sim, sim. São fatos.

Agora, como interpreto e como me posiciono diante desses fatos, e faço isso diante dos outros, no mundo público, é um direito e uma responsabilidade que me cabe.

Mas quando não sei mais se os fatos ocorreram ou não, todo o resto míngua e a própria ideia de espaço público perde o sentido.

A política perde o sentido e eu me alieno do mundo, das questões coletivas. “Vou cuidar da minha vida, e pronto".

É aí que tudo fica mais fácil para os ditadores de plantão.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor de História no Curso Positivo.

Fonte: Central Press



Startups ampliam o mercado de trabalho jurídico

Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), temos atualmente no Brasil 12.700 dessas empresas, número 20 vezes superior se compararmos com 2011, quando eram contabilizadas 600.


Aprendizados durante a pandemia e a importância da inovação para o mercado

O momento atual tem sido de muito aprendizado para todos.


Eca 30 anos: o que mudou nas nossas vidas?

No bojo da redemocratização do país nas décadas de 1980, 1990, muitas mudanças ocorreram para a melhoria da sociedade que vivemos.


Como músico, advogado e padre, saíram de boa

Quando, em 1945, os americanos ocuparam Garmish, um jeep, cheio de soldados, estacionou, à porta da casa de Richard Strauss.


Queremos mesmo extinguir o dinheiro?

Com o aumento do uso de meios de pagamentos digitais, não raras vezes se ouve no debate público a afirmação de que, no futuro, o ideal seria extinguir o dinheiro em espécie.


Assalto a banco, prisão perpétua e pena de morte

O país volta a ser sacudido pelos ataques de grupos armados a agências bancárias, transportadoras de valores, carros-fortes e outros lugares onde são armazenadas elevadas somas em dinheiro.


Empresas existem para cuidar das suas comunidades

Certa vez, me pediram para dar aula de Teoria Geral da Administração para uma turma de 1º ano de graduação.


Como fazer o planejamento financeiro pós-pandemia e para 2021

O planejamento financeiro tornou-se fundamental no mundo pós-pandemia.


Pandemia, juros baixos e a retomada do setor imobiliário

Assim como em outros setores, entre a segunda quinzena de março e o fim de maio, ocorreu um bloqueio total do mercado imobiliário por conta do desconhecimento da pandemia.


Feliz Dia do Síndico

Em comemoração ao Dia do Síndico, este artigo de opinião procura estimular uma profunda reflexão sobre o verdadeiro papel do síndico e do próprio comportamento na figura do representante do condomínio junto à sociedade.


A saúde mental dos seus colaboradores pede atenção

O ano de 2020 foi muito conturbado, com diversos acontecimentos.


A diferença entre o artista e o empresário

Em primeiro lugar, deixe-me esclarecer: quando se fala em artista no mundo dos negócios, se fala no profissional ou técnico que tem determinado conhecimento específico ou habilidade.