Portal O Debate
Grupo WhatsApp


Gatos de padaria

Gatos de padaria

07/08/2011 Helder Caldeira

“Os partidos têm direito de participar do governo, mas não de lotear, fazer fisiologismo e, muito menos, corrupção”. Por incrível e inacreditável que possa parecer, essa foi uma das ponderações do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, durante um seminário promovido pelo Partido dos Trabalhadores em São Paulo.

Quem ouve isso, pode chegar a imaginar que gato é pão nesse imbróglio que abate os primeiros meses de gestão da presidenta Dilma Rousseff, ainda um híbrido entre sua própria farinha e os “pacotões” deixados pelo ex-presidente Lula. Lula, aliás, não sai da mídia, seja ela boa ou ruim.Há aqueles que defendem que ele é candidatíssimo às eleições presidenciais de 2014 e seus últimos discursos tangem, de fato, essa linha. Mas há os que defendem que o ex-presidente está, na verdade, tentando conter a sanha da imprensa, da Justiça e até da própria Dilma em implodir as estruturas politiqueiras que, fisiologicamente, o PT e o PMDB imiscuíram no Estado brasileiro.

Eu me situo nessa segunda linha. Até porque, se Dilma Rousseff decidir abrir a caixa de Pandora da administração pública, é certo que o governo Lula será demolido e a imagem do ex-presidente passará à história como não mais que um pão bolorento. Se a presidenta tomar essa decisão, será julgada em termos de estadista e não apenas por medidas de farinha de rosca. Não por acaso, é visível a aproximação entre Dilma e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem a régua histórica começa a fazer justiça. Ainda em seu discurso no seminário do PT, José Dirceu concluiu: “Não é porque eu fui afastado do governo, que o Lula e o PT estavam contra mim”. Óbvio que não. Ele só foi afastado por sua permanência ter se tornado absolutamente insustentável após a avalanche de denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson.

O ex-ministro da Casa Civil foi afastado porque colocava diretamente Luiz Inácio Lula da Silva em risco real e imediato em sua cadeira presidencial. E Dirceu caiu da pior forma possível,como que demitido por Jefferson, que dois dias antes apontou-lhe o dedo em rede nacional, ao vivo, e disse: “Zé,se você não sair daí rápido, vai fazer réu o presidente Lula! Rápido, Zé, saia daí rápido!”E só faltou o deputado assinar a exoneração do ministro no Diário Oficial da União. Porque nem Lula,nem o PT, queriam sua saída. Sabiam exatamente como ele praticava sua real politiktupiniquim e como a máquina estava engordando os cofres do partido. Mas, naquele momento, não havia outra saída. Tautologicamente, a presidenta Dilma Rousseff, que vem conquistando a alcunha de “faxineira”,vive um momento bastante semelhante.

Ou promove uma limpeza séria e minimamente competente em toda dimensão do governo federal,que significa extirpar dezenas de milhares de “companheiros”dos cargos loteados ainda na era Lula; ou terá sua gestão paralisada e assolada por uma gigantesca CPI da Corrupção que está sendo articulada pela oposição, com apoio de diversos setores da base aliada. Dilma mostrou-se intransigente e irascível com o PR no caso do Ministério dos Transportes. As perguntas são: usará a mesma régua com o gigante PMDB de seu vice, Michel Temer, e do presidente do Senado, José Sarney, nas várias pastas que ocupa? Essa palmatória valerá para os apaniguados do PT no governo?Ou essa “faxina”é apenas mais uma piaçaba ideológica e populista, como a famigerada vassoura de Jânio Quadros? As decisões políticas que Dilma Rousseff e seu núcleo de poder tem a tomar não são fáceis.

A velocidade das mudanças no comportamento dos cidadãos e da opinião pública (e da publicada, diga-se de passagem) seguem a dinâmica transformadora da era digital. O mundo já não é mais o mesmo dos tempos de Lula, ainda que passado recente. É como bem diz o burlesco questionamento popular: “Gato que nasce em padaria é pão? ”Não, não é. E a triste realidade da impunidade no Brasil permite que nos sobrem gatunos gordos transitando em meio ao pão nosso de cada dia. O que fará a presidenta com eles?

Helder Caldeira* é Escritor, Jornalista, Palestrante e Conferencista.



A responsabilidade dos adultos: o melhor presente

Um historiador disse certa vez que nossa relação com o tempo se dá em torno de dois campos: a experiência e a expectativa.


Muita tecnologia, pouca sabedoria

No dia 3 de setembro de 1989, o comandante Cezar Garcez pilotava o Boeing 737-200 da Varig, na rota São Paulo-Belém, com 48 passageiros e seis tripulantes.


A pandemia e a salvação nacional

A pandemia do coronavírus é mais um flagelo da humanidade.


A Covid-19 e o saneamento

A pandemia do novo coronavírus assusta o mundo pelos impactos na saúde, economia e no bem-estar social.


Cenários para o Brasil: isolamento vertical ou horizontal?

Nos últimos dias foi estabelecido um debate na sociedade brasileira entre duas opções de combate ao impacto do novo coronavírus no país.


Saiba como não entrar em desespero com as oscilações do mercado financeiro

A história demostra que crises passam e acabam beneficiando aqueles que mantêm a racionalidade no lugar da emoção.


O Diabo: o que foi e o que é

Certa noite de Outono, em amena conversa com familiar, este, declarou-me, parecendo sincero:


Liderança: o eterno desafio

A definição mais divulgada de liderança diz que liderar é a capacidade de influenciar e convencer pessoas.


Os requisitos da opinião

O ignorante tem opinião sobre tudo. O sábio, somente sobre o que ele conhece.


Entre a pandemia e o desemprego

A crise de saúde mundial provocada pelo novo coronavírus, agora assentada no Brasil, com um quadro de evolução severo, tem trazido pânico desmedido a toda população.


Enquanto uns choram, outros vendem lenços. Acima do preço.

“Vendedor acumula 17 mil garrafas de álcool em gel, mas não pode mais vendê-las”, diz a manchete do jornal.


O que podemos aprender com Tom Brady?

Qual o principal atributo de um verdadeiro líder?