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Inflação, greve e quejandos

Inflação, greve e quejandos

07/07/2008 Alexandru Solomon

Uma das bandeiras brandidas ultimamente é a de que a inflação – que já não é mais apenas a do 'feijãozinho', não é verdade, senhor ministro Mantega? – se deve principalmente à ação maléfica dos especuladores.

Deixando de lado o fato de que algumas commodities nem estão negociadas no mercado futuro (minério de ferro, por exemplo), vale refletir um pouco. Já tive a oportunidade de usar o argumento (presente na coluna do sempre atento Celso Ming) de que a cada posição comprada no mercado futuro – no qual o preço do barril de petróleo ultrapassou 140 dólares e se encaminha para os valores que os participantes do jogo prognosticam, de acordo com seus interesses, já que o ato de chutar não paga impostos – corresponde uma posição vendida. Não é sério ler, vindo de entendidos, a menção a milhões de barris de petróleo comprados por especuladores.

O jogo ainda é de soma zero. Se alguém comprou, é porque alguém vendeu. Assim funciona qualquer mercado. O que acontece é que, a exemplo do mercado de ações, existe a antecipação de valores futuros, já incluídos no preço – precificadas dizem os mais pedantes. A inclusão de novos consumidores é um fato – não vamos perder tempo, contando os chineses que foram incluídos no mercado consumidor, isso para ficar no exemplo mais batido –, e a dificuldade crescente de compatibilizar oferta e procura não parece atenuar-se – no caso desse que é um dos grandes vilões, o petróleo – mantidas as condições atuais. Prova disso é que nosso petróleo na camada pré-sal, ainda espera ser retirado; e espera não por descuido nosso, nem pela falta de uma nova estatal – eis aí mais um absurdo galáctico – mas por haver alguns empecilhos, sendo o menor a demanda aquecida de plataformas exploratórias.

Quem compra nos mercados futuros não o faz para aumentar a inflação, o faz por pensar ser possível vender a um preço superior ao da compra a algum outro participante do mercado que esteja fazendo um raciocínio semelhante, até que alguém tenha de vender com prejuízo – isso na suposição assaz razoável de que a função que retrata a evolução das cotações do sempre citado petróleo não seja monotonamente crescente. E quanto aos valores serem de 'bolha', vamos recordar o professor. Irving Fisher e sua famosa frase proferida em 1929, relativa a 'ações estacionadas num patamar permanentemente alto'. Meses mais tarde, o patamar deixou de ser 'permanente', muito menos alto' Um aperto de liquidez, um aumento de margem, enfim uma alteração das regrinhas e pluftttt.. Na verdade, todos conhecem o truque.

Difícil é entrar num acordo quanto à dosagem dos remédios. Essa dúvida não é apenas tupiniquim. O senador republicano J. Lieberman já se manifestou nesse sentido; do esposo de Carla Bruni também vieram manifestações parecidas. Manifestar preocupação não é privilégio nosso. Nosso dinâmico ministro da Fazenda está coberto de razão quando afirma que grandes fundos " motivados pelo colapso dos mercados acionários" – que exagero, ministro, ainda não houve colapso, embora possa ocorrer – "e imobiliários nos Estados Unidos" –nisso ele demonstrou pleno acerto e notável poder de observação – estão provocando um choque de demanda. Mesmo assim, uma voz, vindo do além se atreve a perguntar: Os administradores de fundos compram por achar que as cotações vão subir mais – tem bônus de final de ano em jogo – mas compram , não na tabacaria da esquina, e sim, de alguém que também quer ganhar bônus no final do ano, e acha que já subiu demais.

Depois temos direito a ler que "o aumento do preço futuro promove impacto imediato no preço a vista e na economia real porque são inelásticos". Eis uma afirmação que mereceria ser demonstrada. A taxonomia ministerial vai mais longe ao diferenciar "especuladores tradicionais" que compram e vendem contratos futuros e "especuladores de índices que compram futuros mas nunca vendem, apenas giram posições". Vale a pena perguntar o que seria "girar posições" sem vender. Seria escolher uma órbita e fazer essas posições descrever trajetórias circulares – Keppler defenderia trajetórias elípticas, se vivo fosse. A Economia está cheia de surpresas. E, para falar uma platitude adicional, especulador - aquela palavra maldita que vem de specullum - é o que proporciona liquidez ao mercado.

Compra de quem quer vender e vende a quem quer comprar, desde que a operação seja de seu interesse – desnecessário frisar. Se houvesse expectativas universalmente iguais, adeus mercado. Ninguém compra e ninguém vende. E, terminando o desfile de obviedades, lá vai essa: Impossível seria uma corrente altista de preços numa condição de fartura previsível – perdão, excesso de oferta. Excetuam-se operadores masoquistas. Esses teimariam em comprar, mesmo tendo a clara percepção de haver pela frente uma "inundação" de petróleo. A afirmação do senhor Ministro da Fazenda: "Os especuladores querem inflação, não permitiremos!" merece ser consignada pelos biógrafos de sua Excelência, embora exista o perigo de torná-lo motivo de ironias. Como se as histórias do "cofrinho" não bastassem.

Uma palavra sobre a greve no ECT. Essas greves sem risco merecem um comentário, além de uma total reprovação. É inaceitável impor castigo à sociedade, seja qual for o motivo, mesmo sendo a falta de cumprimento das promessas do governo. Fala-se no adicional de periculosidade, que até entendo quando se trata de carteiros, sempre expostos a uma mordida de Dobermann – por sinal raça que não é considerada perigosa –, mas a mocinha/mocinho que cola selo corre apenas o risco de morrer de tédio. Quanto a ter havido algum calote vindo "dos homi", não há surpresa alguma nisso. Resta a pergunta "Que culpa temos nós, para suportar as conseqüências dessas férias, provavelmente pagas?"

*Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas

 

 



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