Portal O Debate
Grupo WhatsApp


Infraestrutura precária

Infraestrutura precária

24/02/2007 Floriano de Lima Nascimento

O Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) presta importante serviço de utilidade pública ao tomar a iniciativa de realizar estudos sobre o estado em que se encontra a infraestrutura das cidades, a exemplo do que se fez recentemente em capitais como São Paulo, Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

O mérito maior deste trabalho tem sido o de alertar povo e autoridades para a ameaça representada pela falta da conservação de construções erguidas nas décadas de 50, 60, 70 e, até, em data mais recente, que se ressentem da falta de manutenção. No Rio de Janeiro, por exemplo, descobriu-se que várias obras concluídas nas últimas décadas, têm apresentado problemas capazes de colocar em risco a segurança dos cidadãos. O complexo de viadutos da Mangueira exibe ferragens expostas, vegetação infiltrada entre as juntas de dilatação, erosão da base e construções irregulares em sua área. Uma ponte importante para a ligação entre duas ilhas apresenta a calçada esburacada, ferros expostos e o guarda-corpo quebrado em vários trechos.

Belo Horizonte não se destaca por grandes complexos de pontes e viadutos, até porque a nossa fisionomia urbana, de grande regularidade, não dependeu de obras desse tipo no passado, mas este cenário vem mudando, nos últimos anos, principalmente por causa do trânsito, que se tornou caótico na ausência de artérias capazes de lhe dar vazão. Para isso tem contribuído sensivelmente, por um lado, a precariedade do transporte público, agravada pela não conclusão do metrô, e, por outro, o aumento do trânsito de veículos particulares, em razão deste quadro. Mas este tema, embora relevante, não nos interessa no momento. O fato é que as grandes obras viárias, reclamadas há muitos anos pela população, não mais podem ser retardadas, sob pena de se agravarem os problemas urbanos.

Qual é o estado atual do complexo de pontes e viadutos que servem a Belo Horizonte? Só uma minuciosa análise feita por engenheiros e arquitetos poderia responder objetivamente a essa pergunta, mas dois fatos nos autorizam a especular sobre a questão. O primeiro deles é a notícia, divulgada por órgãos da imprensa mineira, há alguns meses, de que a situação desses equipamentos urbanos não é das melhores. O outro é que a simples observação dessas construções, mesmo feita por leigos, é suficiente para detectar ferragens expostas, goteiras e infiltração de vegetação, o que, somado, lhes dá aspecto nada tranqüilizador. Para não ficar em generalidades, vamos mencionar alguns pontos que observamos de perto: o Anel Rodoviário, que deveria ser rebatizado de Anel Mortuário, pelo elevado número de acidentes com vítimas fatais que ali ocorrem freqüentemente, é uma via que depõe contra os padrões da terceira capital do país. Nenhuma das grandes capitais do Brasil ostenta um monstrengo de tais dimensões. Felizmente para os que o utilizam no dia-a-dia, o Anel está em obras, que devem melhorá-lo. Espera-se que tenha sido elaborado um projeto capaz de adequar aquele entroncamento rodoviário às demandas dos numerosos motoristas que o utilizam diariamente. Outro equipamento, o chamado "Complexo da Lagoinha" está a exigir urgente inspeção, pois apresenta aspecto deplorável. O túnel ali existente necessita, não apenas de reparo, como de melhor iluminação, pois, como está, não transmite qualquer sensação de segurança ou conforto aos seus usuários. O mesmo se pode dizer a respeito do viaduto sobre a Avenida Amazonas, na região de Contagem, e dos que ligam o centro da cidade a alguns bairros da Capital. Julgamos também oportuno mencionar o famigerado viaduto Vila Rica, o "Viaduto das Almas", responsável por tantas catástrofes em nosso Estado, mas, nesse caso, estamos diante de problema de outra natureza, não se entendendo como obra tão precária pôde ser projetada, construída e mantida em funcionamento por décadas, ceifando tantas vidas humanas. Poderíamos buscar, aqui e ali, outros exemplos, mas o propósito deste artigo é fazer um alerta sobre o estado da infraestrutura da cidade e de seus arredores.

Fonte: Floriano de Lima Nascimento, Professor de Direito e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais



Os desafios de tornar a tecnologia acessível à população

Vivemos uma realidade em que os avanços tecnológicos passaram a pautar nosso comportamento e nossa sociedade.


O uso do celular, até para telefonar

Setenta e sete por cento dos brasileiros utilizam o smartphone para pagar contas, transferir dinheiro e outros serviços bancários.


Canto para uma cidade surda

O Minas Tênis Clube deu ao Pacífico Mascarenhas o que a cidade de Belo Horizonte deve ao Clube da Esquina; um cantinho construído pelo respeito, gratidão, admiração, reconhecimento, apreço e amor.


Como acaso tornou famoso notável compositor

Antes de alcançar a celebridade, e a enorme fortuna, Verdi, passou muitas dificuldades financeiras.


Gugu e a fragilidade da vida

A sabedoria aconselha foco no equilíbrio emocional e espiritual diante da fragilidade e fugacidade da vida.


Quando o muro caiu

O Brasil se preparava para o segundo turno das eleições presidenciais, entre o metalúrgico socialista Luís Inácio Lula da Silva e a incógnita liberal salvacionista Fernando Collor de Melo, quando a televisão anunciou a queda do muro de Berlim.


Identidade pessoal e identidade familiar

Cada família gesta a sua identidade, ainda que algumas vezes, de forma inconsciente.


Desprezo e ingratidão

Não sei o que dói mais: se a ingratidão se o desprezo.


A classe esquecida pelo governo

O fato é que a classe média acaba por ser a classe esquecida pelo governo.


O STF em defesa de quem?

A UIF, antigo COAF, foi criada como uma unidade do Ministério da Justiça (hoje, no BACEN) para fazer uma coisa muito simples: receber dos bancos notificações de que alguém teria realizado uma transação suspeita, anormal.


O prazer da leitura

Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.


Desmoralização do SFT

A moralidade e a segurança jurídica justificam a continuidade da prisão em segunda instância. A mudança desta postura favorece a impunidade dos poderosos e endinheirados.