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Liberalismo e futebol – o culto à vitória

Liberalismo e futebol – o culto à vitória

14/08/2014 João César de Melo

O que seduz bilhões de pessoas numa Copa do Mundo? Erra quem diz que é o amor ao esporte, já que apenas uma pequena parte do público entende de futebol.

O que as move é o culto a vitória. Vitória de alguns sobre muitos. A exemplo de todas as outras espécies de animais, o homem procura suas referências nos mais fortes e talentosos. Assim como cada espécie tem sua forma particular de identificação de seus indivíduos alpha, o homem tem as suas, sendo o esporte uma delas.

Quanto mais gols um jogador faz, mais aplausos recebe sem que ninguém fique com pena do time ou da torcida adversária. A vitória de uma seleção agrega valor à imagem de seu país. O mundo o enxerga melhor, descobrindo belezas até entre as piores mazelas; seu povo infla-se de autoestima porque enxerga na vitória de uns poucos jogadores, suas possíveis vitórias. O povo ama apenas os vencedores. Não há sequer um ser vivo que não queira ser reconhecido como um vencedor.

Fora dos gramados, os socialistas argumentam que o problema do mundo é a má distribuição de renda. Culpam a ganância dos agentes capitalistas por eles se negarem a dividir seus lucros com os mais pobres. Afirmam que a pobreza de muitos é resultado da riqueza de poucos – “toda riqueza é injusta!”, gritam. Apontam questões raciais e sociais como justificativa para o fracasso de indivíduos. Insistem que o Estado deve arbitrar sobre a distribuição das riquezas através de um pequeno grupo de pessoas com poder para tirar de uns e entregar a outros.

Diante disso, lanço outras perguntas: Qual torcedor apoiaria a criação de uma instituição que se dedicasse a tornar o futebol um esporte igualitário, acabando com a concentração de títulos e aplausos num restrito grupo de jogadores, clubes e seleções? Qual torcedor apoiaria um pequeno grupo de pessoas, que nunca pisou num gramado de futebol,com poder para arbitrar as seguintes normas:

1 – Jogadores só podem fazer dois gols por partida, para assim não tirar a oportunidade de outros jogadores também fazerem os seus gols e receberem os aplausos do público;

2 – Todos os torneios devem ter um sistema de taxação progressiva sobre as equipes que acumulam vitórias, para que seus pontos sejam distribuídos entre as equipes com piores colocações na tabela;

3 – Toda vez que uma equipe marcar dois gols de diferença, deve permitir que a equipe adversária marque um gol, para que esta possa voltar a ter chances de competir com igualdade;

4 – Toda equipe com pelo menos um jogador afrodescendente deve obrigatoriamente ser dirigida por um técnico também afrodescendente para, assim, eliminar qualquer suposição de dominação racial;

5 – Os patrocínios capitalistas devem ser eliminados para que o esporte não fique refém da ganância de empresários;

6 – Todas as equipes devem ser financiadas com dinheiro público, com todas recebendo os mesmos valores, para que nenhuma tenha vantagem sobre as outras;

7 – Não deve haver distinção salarial entre jogadores, técnicos e comissão técnica, para que ninguém se sinta mais importante que o outro;

8 – Os ingressos dos jogos devem ser cobrados apenas da classe burguesa capitalista, para que a renda seja usada para financiar os ingressos da classe trabalhadora;

9 – Todas as equipes devem destinar 50% das vagas para jogadores afrodescendentes, índio descendentes, gays e provenientes da classe trabalhadora como forma de reparação pela histórica discriminação e exploração que sofreram;

10 – Filhos de membros da diretoria da Confederação Revolucionária de Futebol (CRF) também devem ter prioridade de vagas nas equipes, porém, sendo imunes a penalidades, afinal, representam os heróis revolucionários do futebol;

11 – Em todos os estádios devem ser ostentadas imagens do líder da CRF para que o povo sempre tenha a oportunidade de reverenciar o responsável pela revolução do futebol;

12 – Os hinos dos clubes devem fazer referência à revolução e a igualdade no futebol;

13 – Todos os uniformes devem ser na cor vermelha, contanto que alguns sejam mais vermelhos que outros.

Qual amante do futebol aceitaria isso? Nenhum. Nem aquele que se diz socialista. Quais as diferenças conceituais da proposta acima em relação ao sistema político, social e econômico implantado em Cuba e na Coreia do Norte? Apenas os itens 04 e 09. Por mais idiotas que sejam as treze (com trocadilho) propostas acima, elas representam a essência do socialismo que, em pleno século XXI, ainda insiste que o Estado deve controlar os talentos, os desejos e as ambições humanas.

Se o sistema descrito acima fosse implantado, obteria os mesmos resultados obtidos pelos países que adotaram o socialismo: desmotivação produtiva. No futebol, atletas perderiam a motivação de jogar bem e o público perderia o interesse pelo esporte por não vê-lo mais como uma vitrine de talentos. Na economia, empresários perderam a motivação de produzir e o consumidor hoje se vê diante de prateleiras com cada vez menos produtos a preços cada vez mais altos.

É imprescindível entendermos que todos os comportamentos humanos estão correlacionados. Quando Ludwig von Mises diz que o liberalismo econômico oferece um “plebiscito diário e contínuo” sobre os produtos, ele remete à nossa característica de desejarmos apenas o melhor para nós; e nosso poder de identificação do que seria o melhor depende da diversificação da oferta, que depende de liberdade produtiva, que é movida pelo lucro que os produtores enxergam poderem obter.

Não é um decreto presidencial que indica o craque de um time ou de um campeonato. É o público, avaliando seus resultados em campo, independentemente da raça ou origem social do jogador. O público quer gols! Muitos!Seja lá de quem for. Não é o desejo de ver o público feliz que motiva um jogador a fazer seus gols, mas sim as recompensas materiais que receberá. Sem a possibilidade de se tornar rico como jogador de futebol, um jovem provavelmente tentará ser um empreendedor ou um profissional de sucesso mas, se não tiver talentos relevantes, só lhe restará tentar ser ativista, sindicalista ou político - quem sabe, presidente do Brasil!

*João César de Melo é Arquiteto e artista plástico; autor do livro Natureza Capital e especialista do Instituto Liberal.



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