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Limitação de caminhões em São Paulo, uma antiga novidade

Limitação de caminhões em São Paulo, uma antiga novidade

02/07/2008 Divulgação

Causou repercussão o anúncio do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de incluir os caminhões no rodízio municipal de veículos e limitar as entregas urbanas ao período noturno.

A maioria dos paulistanos, traumatizados com os congestionamentos, comemorou a medida como um avanço para minimizar o caos, o que realmente é. Por outro lado, setores da economia (que transportam e recebem cargas) avaliaram a regra como um problema para suas atividades, o que, inicialmente, também está certo. Ambas as conclusões, no entanto, são superficiais. A verdade é que a lei não resolve o problema do trânsito e nem inviabiliza a movimentação de cargas na cidade. A retirada dos caminhões das ruas, em um primeiro momento, vai aliviar o trânsito. Porém, se essa iniciativa não for seguida por grandes obras de infra-estrutura e fortes investimentos em transporte coletivo, em pouco tempo a situação voltará a ser a mesma.

Nesse sentido, é bom lembrar que, em média, 800 novos veículos são emplacados diariamente em São Paulo. Assim, qualquer medida de restrição de circulação será sempre paliativa. Já as empresas que se julgam afetadas pelas limitações nas entregas e na movimentação de caminhões, devem reavaliar seu modo de atuação. Os operadores logísticos mais atentos já trabalham há algum tempo com o cenário em que só poderão atuar na cidade de São Paulo fora do horário comercial. Muitos já estão preparados para a nova realidade e, nenhum deles tinha informação privilegiada do gabinete do prefeito. Para aqueles que planejam logística em longo prazo, está claro que realizar qualquer tipo de serviço (ou apenas trafegar) no trânsito de São Paulo é sinônimo de perder dinheiro. Essa constatação não é nova e uma das soluções que se apresentam viáveis é atuar fora do horário comercial, mesmo para aqueles que vão apenas cruzar a cidade. Ou seja, o mesmo que o prefeito, por outros motivos, está obrigando.

A verdade é que, mais cedo ou mais tarde, aqueles que reclamaram dessa medida terão que se adequar por força do mercado. Muitas empresas perceberam que, apesar de gastar mais com os recursos humanos atuando fora do horário, o custo benefício é positivo pela multiplicação da produtividade no serviço de entregas. Para quem recebe, pode parecer difícil fazer isso em um horário alternativo, mas o esforço é compensado pela observância dos prazos. Para os caminhões de todo o Brasil que atravessam a cidade de São Paulo, igualmente acumulam-se os prejuízos decorrentes das horas paradas no trânsito. Para aqueles que já fizeram as contas, a imposição do rodízio municipal não é necessária para que retirem suas cargas das ruas nos horários de pico. Trata-se de uma decisão para o bem do negócio. Inclusive, é preciso colocar na ponta do lápis os prejuízos de cerca de R$ 4 bilhões/ ano gerados pelos congestionamentos na cidade de São Paulo.

Acabar com esse ralo de dinheiro é de interesse de todos, até mesmo das empresas que, em um primeiro momento, reclamaram das restrições impostas pelo prefeito. Obviamente essas mudanças podem causar alguns transtornos iniciais, como sempre acontece quando se precisa rever o padrão operacional. A nova realidade, inevitável, demanda planejamento e envolvimento de pessoal especializado, mas aqueles mais preparados sofrerão menos os impactos da nova legislação e poderão utilizar isso como um diferencial competitivo. O exercício empresarial no Brasil tem uma característica fundamental: a iniciativa privada deve prever os problemas e se antecipar às soluções estatais, que chegam atrasadas ou nunca aparecem. No caso do transporte, isso é ainda mais evidente por conta dos inúmeros gargalos logísticos do país. Por aqui, para sobreviver, é preciso planejar com competência e criatividade, e, é claro, cobrar corporativamente atitudes mais objetivas do Governo nas instâncias adequadas.  Apenas reclamar, no entanto, de pouco adianta.

* Antonio Wrobleski é presidente da Ryder Logística.



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