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Males do Brasil

Males do Brasil

03/12/2005 Floriano de Lima Nascimento

Os racistas, em sua ignorância sólida, antiga e inexpugnável, atribuíam à miscigenação a origem de nossas desditas.

Nos anos 60, políticos, intelectuais e pessoas razoavelmente informadas sobre as grandes questões nacionais costumavam polemizar sobre as verdadeiras causas do atraso econômico e social do Brasil. E isso numa época em que nosso povo, como assegurava Nélson Rodrigues em suas crônicas esportivas, havia perdido boa parte dos seus complexos, e se preparava para conquistar um lugar honroso no concerto das nações, graças aos avanços obtidos nos governos de Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas.

As respostas variavam. Alguns diziam que a origem do problema estava no clima tropical, que tornava as pessoas preguiçosas. Outros lançavam a culpa na colonização portuguesa, que nos teria contaminado com vícios seculares. Os racistas, em sua ignorância sólida, antiga e inexpugnável, atribuíam à miscigenação a origem de nossas desditas. E não faltava quem visse no despreparo dos governantes brasileiros a causa dos males que nos assolavam.

O tempo encarregou-se de tornar ultrapassada a maioria desses argumentos, obviamente destituídos de qualquer consistência.

Afinal de contas, depois que os candangos mostraram sua fibra, disciplina e criatividade na construção de Brasília, e gerações de atletas negros e mulatos destacaram-se na conquista de três Copas do Mundo, tornou-se fora de moda atribuir nosso atraso ao clima ou a fatores raciais. Quanto aos portugueses, uma leitura mais cuidadosa da história, que testemunha o seu desempenho no desbravamento do Novo Mundo, dissipa quaisquer resquícios de dúvida sobre o talento e valentia da brava gente lusitana.

O último dos argumentos, que coloca a culpa dos nossos problemas sobre as elites dirigentes, bem, este resiste ao tempo. Como diria o jornalista Paulo Francis, “se queres um monumento, olha em torno”. Mais uma vez, a Nação assiste, estarrecida, a um deprimente espetáculo que se repete de tempos em tempos: o do despreparo das chamadas elites dirigentes para conduzir o país com seriedade e competência. Desde os primórdios da República, tem sido acalentado em nossa pátria o ideal de se construir um país independente, soberano, democrático, desenvolvido, justo e socialmente equilibrado, em que a cidadania passe a ser exercida em sua plenitude. Mais uma vez o sonho é adiado.

Todas essas expectativas já poderiam ter sido atendidas, se não tivessem sido obstaculizadas por clamorosos erros políticos, cometidos por grupos e indivíduos que nem sempre estão à altura das suas responsabilidades históricas.

 * Floriano de Lima Nascimento é Ocupante da Cadeira nº 25 do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais 



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