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No rastro do “Garganta Profunda”

No rastro do “Garganta Profunda”

01/12/2005 Floriano de Lima Nascimento

“Sigam a pista do dinheiro” (recomendação feita pelo agente do FBI Mark Felt aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein).

Quem tem conhecimento de atos criminosos praticados por superiores hierárquicos deve silenciar ou revelar o que sabe? Está obrigado a respeitar juramentos e manter sigilo? Não fazê-lo significa tornar-se delator ou, mesmo, traidor? Essas questões devem ser respondidas á luz da Ética e do Direito. Sigilo profissional ou obediência hierárquica não devem incluir atos ilícitos praticados por qualquer pessoa ou autoridade.

Quem recebe ordem manifestamente ilegal tem o dever de descumpri-la e, mesmo, de denunciar formalmente o fato a quem de direito. Se o faz por meio diferente, já é outra questão, mais tormentosa.

Suscitamos estas indagações a propósito da revelação feita há poucos dias, pela revista americana “Vanity Fair” da identidade do “Garganta Profunda”, (Deep Throat) como ficou conhecido o policial Mark Felt, que, durante o caso Watergate, nos Estados Unidos, passou aos jornalistas do jornal Washington Post, Garl Bernstein e Bob Woodward, informações sobre o envolvimento direto da Casa Branca no ocorrido. Um dos maiores escândalos políticos na história recente dos Estados Unidos, o episódio teve início no dia 17 de junho de 1972, quando o vigia do edifício Watergate comunicou a polícia sobre a invasão, por cinco homens, do escritório do comitê Nacional do Partido Democrata. O fato não teria passado de uma ocorrência policial rotineira se, entre os detidos na ocasião, não estivesse o chefe de segurança do comitê de reeleição do então presidente, Richard Nixon.

As informações dadas aos jornalistas por Mark Felt, em estilo de filme de suspense, em becos e estacionamentos mal iluminados, permitiram à dupla publicar uma serie de reportagens com detalhes da trama. Nixon reagiu, fazendo ameaças diretas à direção do Washington Post, que, não obstante, por intermédio do vice-presidente Ben Bradley, depois de assegurar-se da procedência das denúncias, deu irrestrito apoio aos jornalistas. A cobertura corajosa do “Post” foi o ponto de partida das investigações que levaram a renúncia do presidente Nixon, num dos episódios mais empolgantes escritos pela imprensa no século XX (que, em tempo, lugar e circunstâncias diferentes, antecipou a atuação da mídia brasileira, na renúncia do presidente Fernando Collor à presidência do país).

Num e noutro caso, revelações decisivas foram feitas por pessoas que tinham obrigação de lealdade para com os ocupantes do poder. No caso norte-americano, pelo segundo homem na hierarquia do Federal Bureau of Investigation (FBI); no outro, por funcionários da Presidência e por Pedro Collor, irmão mais novo do presidente. Nos Estados Unidos, discute-se se Mark Felt é um herói nacional ou um traidor. Esta última acusação é feita principalmente pelos que atribuem a sua atitude ao fato de ter sido preterido pelo presidente na nomeação para diretor-geral da corporação a que pertencia, após a morte do lendário J. Edgard Hoover.

Em conversa com diversas pessoas, à época do caso Collor, ouvimos críticas veementes ao comportamento do caçula, pelas acusações feitas ao irmão. Mas vale repetir a pergunta: deve-se calar quando se tem ciência de fatos criminosos perpetrados por alguém, independentemente de parentesco ou relacionamento pessoal com o responsável? Fazê-lo não é tornar-se conivente com os crimes praticados? Calar-se, nessas circunstâncias, não equivale a consentir?

 

 

 

 

 

 

* Floriano de Lima Nascimento é Ocupante da Cadeira no. 25 do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.



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