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No velório

No velório

15/09/2008 Divulgação

Dizer que fiquei satisfeito ao receber convite para vir a um velório seria mentira. Dos amigos e parentes, é a visita mais penosa; dos conhecidos, é a mais maçante. De vez em quando, surge a distração. Após cumprimentar os parentes e amigos do falecido, nos afastamos. Damos uma volta, enquanto se vela o defunto. Umas horas de relaxamento. Contudo, gostaria de estar em outro lugar.

Aliás, toda vez que surgia a possibilidade de eu cair fora do convite, sem parecer descortês, que felicidade. Minha esposa no velório, e eu com os filhos em casa, eu lendo, eu levando o carro para o mecânico, eu enchendo o saco do pedreiro com a reforma que nunca acaba. Até aguando as plantas e lavando a louça. Tudo valia o direito de permanecer em casa.

Provável seja este o último velório que eu compareça. Nem que eu quisesse poderia deixar de faltar. Que defunto falta ao seu próprio velório. Sim, tô mortinho da Silva. Aliás, meu sobrenome é Silva. E eu os vejo me vendo, chorando por mim, rostos constritos. Somos latinos, temos a sensibilidade à flor da pele. Uma grita meu nome e fica em prantos. E eu que pensava que ela não me dava a mínima.

Queria fazer tanta coisa antes de bater as botas. Dizer mais que amo minha esposa, que gosto muito de meus filhos e netos, que adoro meus colegas. Eles acreditariam? Só por que eu vivia isolado, esquivando-me dos churrascos da empresa, de passeios com os filhos e netos? Ora, eles têm que saber que cada um tem uma forma de expressar amor.

Que coisa esquisita? Meu corpo está lá no caixão e eu aqui ao lado da minha filha, ouvindo seus soluços, um choro comedido. A vejo com suas roupas, brincos. Quando tento me ver, nada. Sequer tenho rosto. O corpo sumiu. Nem um lençol branco para dizer que sou fantasma. Nada. Apenas ouço minha voz, sinto-me flutuar quando caminho, mas não tenho matéria. Complicado.

Lá estou eu, esticado. Tantos sonhos, tantos planos. A gente se morresse com 200 anos teria impressão de que deixou tanto por fazer. Imagina aos 60 anos. Nem quero pensar nisso agora. Quero só ver os meus entes queridos. O remorso de ter falhando ali e aqui enquanto ser humano, ainda não me pegou. Afinal terei uma eternidade. O cafezinho que estão servindo, pãozinho quentinho que a irmã de minha esposa trouxe da padaria, um biscoito de água e sal. Já começo ter saudade!

Sei que como eu, há pessoas que esperam ansiosas o momento de ir para casa. Eu as compreendo. Mas como é gostoso saber e sentir a presença de quem padece realmente por minha partida. Velório tinha que ser lugar que a gente vai só se tiver afim; de preferência se considerar o falecido como um amigo. Do contrário, encontraremos apenas um corpo enfiado no caixão, com a cara esquisita, o aspecto horrendo e que nos rouba preciosas horas aturando a ladainha chorosa dos parentes.

* Professor, autor do romance HOMEM NÃO CHORA, BERRA!!! Disponível no site www.ronaldoduran.com



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